O Botafogo vai entrar no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para pedir a anulação da partida contra o Palmeiras, que aconteceu no último sábado e resultou em vitória alviverde por 1 a 0 pelo Campeonato Brasileiro. O clube paulista não deve se manifestar oficialmente a respeito do caso, mas internamente a percepção é que os cariocas têm chances quase nulas de terem sucesso no tribunal.

A principal razão para esse entendimento é uma interpretação do protocolo do VAR. O Botafogo pede a anulação por alegar que o árbitro de vídeo não poderia ter sido utilizado para mudar o lance que resultou no pênalti em cima de Deyverson depois que o jogo já havia sido autorizado a recomeçar pelo árbitro Paulo Roberto Alves Júnior. O protocolo, porém, diz que “a princípio, uma partida não é invalidada por causa de revisões sobre uma situação ou decisão não-revisável”.

Por isso, na visão de pessoas do Palmeiras, o protocolo deixa claro que o jogo não é passível de anulação. Cabe frisar, porém, que há divergências sobre a interpretação desse ponto. Uma das bases do pedido do Botafogo é o artigo 5 das regras da Fifa, que fala das atribuições do árbitro e diz que “se o jogo parou e recomeçou, o árbitro só pode revisar um lance (no VAR) no caso de identidade trocada ou potencial expulsão”.

O segundo motivo para o Verdão ter confiança de que o resultado será mantido é que o árbitro não apitou para autorizar o reinício da partida, apesar de, aparentemente, ter permitido gestualmente que o goleiro Gatito repusesse a bola em jogo após a aplicação do cartão amarelo para Deyverson por simulação. Como a regra exige explicitamente o apito do árbitro para recomeçar o jogo após a aplicação de cartão, esse ponto pode ser usado a favor do Palmeiras.

Há também um temor pelo precedente que o caso pode abrir se os jogadores entenderem que podem recolocar rapidamente a bola em jogo para tentar impedir que o árbitro consulte o VAR com o lance ainda paralisado. No caso específico do jogo com o Botafogo, porém, a interpretação do clube carioca é que o árbitro autorizou o reinício, ainda que gestualmente.

Além da ação no STJD para pedir a anulação do jogo, o Botafogo fará também uma representação na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) contra a equipe de arbitragem. Jogadores e o técnico Eduardo Barroca reclamaram bastante da atuação de Paulo Roberto Alves Júnior, acusando o juiz de tentar intimidar os atletas alvinegros e de ter exagerado no número de cartões – foram 11 para o time carioca e nenhum para o paulista.

Fonte: UOL