Nos últimos dias de 2014, Ricardo Areas, assessor de imprensa do Botafogo, foi procurado por um funcionário da Federação do Rio de Janeiro em busca de informações para montar o guia oficial do Campeonato Carioca. Queria, basicamente, a ficha dos jogadores que iriam disputar a competição, que começaria em pouco mais de 30 dias.

Cata daqui, cata dali, o assessor conseguiu montar uma lista e enviou para o tal funcionário.

— Tinha apenas 12 jogadores. Eram só quatro profissionais que tinham ficado do ano passado, entre eles o Jefferson, que a gente nem sabia se ficaria. Os outros eram da base — relembra Ricardo Areas, o Kako.

Se naquele dia tivessem perguntado ao presidente Carlos Eduardo Pereira, então recém eleito, se ele ficaria satisfeito se o Botafogo terminasse o Carioca em sexto lugar, a resposta certamente seria sim. O clube estava começando do zero, depois dos incontáveis equívocos cometidos pela diretoria anterior, e uma sexta colocação não era tão ruim quanto o nono lugar de de 2014, a pior da história do Botafogo no Campeonato Carioca. Ninguém perguntou nada ao presidente e, hoje, o Botafogo começa a disputar com o Vasco o título estadual de 2015. Quase um sonho.

CARTA BRANCA

A primeira providência foi contratar o técnico René Simões e, logo depois, o coordenador de futebol Antônio Lopes, ambos com larga vivência no futebol. O presidente estipulou um orçamento modestíssimo e deu carta branca para os os dois montarem um elenco capaz de levar o Botafogo de volta à primeira divisão do Campeonato Brasileiro, desde sempre a prioridade do clube.

— A primeira coisa que fizemos foi montar o perfil do jogador que queríamos. Tinha que ser competitivo, com vontade de crescer na profissão, com fome, que estivesse disposto a se comprometer com o Botafogo — conta Lopes.

Respeitando religiosamente o orçamento do clube, René e Lopes estabeleceram um salário base — cerca de R$ 50 mil — e acionaram seus contatos. Chegaram a ficar até 14 horas pendurados no telefone e mais de uma vez comeram quentinhas para não perder tempo. Tinham menos de três semanas para montar o elenco.

O Botafogo estreou dia 31 de janeiro contra o Boavista, em São Januário. Venceu por 1 a 0, gol do zagueiro Roger Carvalho, um dos 14 jogadores contratados pelo Botafogo.

— Buscamos informações sobre os jogadores que nos interessavam. Como ele era dentro e fora do campo, seu grau de comprometimento. Teve jogador, de boa qualidade, que nos foi oferecido e descartamos por não terem o perfil que desejávamos — revela René Simões.

O treinador lembra especificamente de William Arão, que havia despontado no Corinthians, chegando a ser campeão do mundo em 2012, e estava escondido no Atlético-GO:

— Conversei com ele e vi o brilho nos olhos que buscávamos. Ele queria uma chance para recomeçar.

O Botafogo acabou conquistando a Taça Guanabara. Perdeu apenas dois jogos até agora, ambos para o Fluminense, eliminado pelo patinho feio nas semifinais. Agora pode ser campeão com dois empates diante do Vasco.

Lopes destaca que a decisão de Jefferson em permanecer no clube foi outro ponto que contou muito para que o projeto desse certo:

— Além da parte técnica, o Jefferson tem o respeito e a admiração de todo o grupo. O mérito por termos mantido o goleiro titular da seleção brasileira é todo do presidente.

Fonte: Extra Online