Um dos destaques do Botafogo entre as temporadas 2012 e 2013, o atacante Rafael Marques, hoje no Ventforet Kofu, do Japão, tem acompanhado com dificuldade o dia a dia do time carioca, que passa por mais uma crise financeira e técnica.
Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o atacante de 37 anos falou sobre a situação de momento do Glorioso e sonha com dias melhores para a equipe de General Severiano.
Com apenas três vitórias em 22 partidas, o Botafogo é o vice-lanterna do Campeonato Brasileiro e luta contra o terceiro rebaixamento em sua história.
“O que o Botafogo tem passado hoje é o que muitos clubes do Brasil tem vivido. Tenho um carinho grande pelo Botafogo, uma torcida maravilhosa, que sente muito a falta de grandes jogadores, de ídolos, de nomes que honrem a camisa. A gente vê hoje, esse elenco é um time que, mesmo nas dificuldades, tem honrado a camisa, mas o extracampo atrapalha demais”, disse o atacante, que conviveu com atrasos salariais na época em que esteve no Botafogo.
“Muitas pessoas veem somente o campo e não enxergam o lado de fora. O momento do Botafogo é muito triste, espero que reverta logo. É uma camisa pesada do futebol mundial. Quem ama mesmo o Botafogo, que tente ajudar. Teve um grupo de torcedores em 2012/2013, que nos ajudou por ver o quanto a gente se esforçava. Graças a Deus aquela época foi positiva, houve uma união de atletas e torcedores”.
Durante o ano de 2013, mesmo com o título do Campeonato Carioca e com a quarta colocação no Campeonato Brasileiro, o Botafogo atrasou boa parte dos salários ao longo de todos os meses do ano, algo lembrado por Rafael Marques, artilheiro da equipe naquele ano com 19 gols.
Para o atleta, a culpa pelo estado financeiro atual de muitos clubes é exclusiva dos dirigentes.
“Não somos máquinas. É muito difícil passar por isso, ainda mais para os mais experientes, que precisam ajudar no extracampo e ajudar nomes que ainda não despontaram no futebol. O problema são os cânceres do futebol, que estão no meio, alguns dirigentes, diretores, presidentes, que são nomes que entram para sugar o clube, que saem sem punição. E quem sobra? A torcida e os funcionários do clube”.
“O que o Botafogo passa agora chegou a passar naquele ano também. Tinha algumas atitudes que tomamos para tentar confrontar um pouco aquela situação. Então é triste porque nos últimos anos eu passei por algumas situações difíceis e por isso optei por retornar ao Japão. É um país de uma cultura incrível, são muito profissionais, nós não temos isso no Brasil. Ainda mais que eu estou no final de carreira, com todo esse desgaste dos últimos anos, me fez pensar se valia a pena passar por isso no Brasil“, disse o atacante, que ainda relembrou como foi atuar ao lado de Clarence Seedorf, estrela do futebol mundial que vestiu a camisa do Botafogo.
“Se eu não tivesse vindo ao Japão, talvez teria me aposentado. E, como experiência, ter jogado ao lado do Seedorf, me acrescentou muitas coisas. Tem muito a ver com o que é o Rafael Marques hoje e foi algo que eu levei mais tarde para o Palmeiras. Ele sempre quer vencer, sempre motiva todo mundo. É algo que eu vou levar para a minha vida toda”.