Rafael Marques: ‘Muitos torcedores me pediram desculpa’

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No dia 21 de abril, duas semanas antes de enfrentar o Fluminense na decisão da Taça Rio (segundo turno do campeonato carioca), que valeu o título estadual ao Botafogo, o atacante Rafael Marques concedeu uma entrevista exclusiva ao CRAQUE. Na ocasião, ele revelou o alívio de ter conseguido pôr um fim ao jejum de gols com a camisa alvinegra. Disse também que nunca perdeu a confiança de reverter a incômoda situação – encerrada na goleada sobre o Quissamã, exaltou a confiança que o técnico Oswaldo de Oliveira depositou nele nos períodos difíceis, prometeu muita vontade na final da competição e confidenciou que seria um sonho marcar um gol na decisão. Agora, duas semanas após eternizar seu nome na história do clube, ao marcar o gol que valeu o 20ª título carioca do Botafogo, Rafael Marques voltou a falar com o CRAQUE.

Embora o status do jogador com o Fogão e a torcida seja outro, o atacante permanece o mesmo. Sincero, simples, de bem com a vida e confiante no desempenho do time para o resto da temporada, Rafael Marques contou que brincou com os companheiros quando o ídolo Seedorf desperdiçou a cobrança de pênalti na decisão. Falou sobre as declarações que o presidente Maurício Assumpção deu a respeito dele. Humildemente se desculpou com um torcedor que o fez perder a cabeça na época em que era contestado, e admitiu que a ficha de ter sido o herói do título alvinegro ainda não caiu. Com certeza a tarde de autógrafo concedida ontem em General Severiano foi mais um passo para Rafael Marques compreender a dimensão do feito. A torcida botafoguense espera que o gol que levou a Taça Rio e de Campeão Carioca de 2013 para a sede do clube seja apenas o primeiro de muitos outros decisivos que virão.

Na edição do dia 21 de abril do CRAQUE você disse que o importante era ser campeão, mas que seria um sonho marcar um gol. E agora, depois de ter escrito pra sempre seu nome na história do Botafogo, como se sente? Já caiu a ficha?

Caiu a ficha de que eu consegui dar a volta por cima, mas que eu fui herói, que marquei meu nome na história do clube ainda não. Acho que o tempo vai se encarregar disso. O que posso garantir é que estou muito feliz. Foi a maior alegria da minha carreira.

O incrível é que você precisou marcar dois gols pra valer um. No primeiro, que foi legítimo, você nem reclamou, por quê? Achava que estava de fato impedido ou não quis levar o cartão amarelo já que o jogo estava tenso?

Eu não sou de ficar lamentando não. Não deu certo em uma jogada, vamos para outra. Depois que fiquei sabendo que não estava impedido, mas que bom que a justiça acabou sendo feita e que fomos campeões. O Botafogo merecia esse título.

Se o Seedorf tivesse marcado o segundo gol dividiria o protagonismo com ele, agradeceu a ele a perda do pênalti?

Rapaz, eu acho que ele pensou nisso na hora de bater (Risos). Falei até no banco na hora “Acho que o negão fez de propósito” (Risos). Seedorf e todo grupo sempre me deram muito apoio. Sei que a minha felicidade é a felicidade deles também.

O Oswaldo de Oliveira disse que o fato de você ter sido o herói do título foi como um “final de novela” perfeito, onde o mocinho casa com a mocinha, essa declaração te emocionou?

Como falei,  o Oswaldo, todo grupo sempre me passou muito apoio. Acho que o que me doía mais era ver que essas pessoas estavam sentidas por mim e eu não estava conseguindo mudar isso. Graças a Deus dei a volta por cima e pude retribuir essa confiança. Agradeço muito a todos no Botafogo, sem tirar ninguém, do pessoal da portaria, ao pessoa da cozinha, enfim, a todos, por esse título.

Mudou muita coisa no seu dia a dia em relação à torcida após o título?

Tem sido muito legal. Na verdade eu nunca tive nenhum problema direto com a torcida. Só um torcedor uma vez que falou alguma coisa direta para mim na rua e eu respondi e até me arrependo. Não os culpo de nada. Realmente eu não estava fazendo o que eles esperavam e eles têm todo direito. Muitos me mandaram mensagens, pediram desculpas, mas não precisa. Meu gol não foi uma resposta para ninguém. Estou feliz porque é muito mais fácil trabalhar sendo apoiado. Lutei muito para ter esse carinho deles e graças a Deus consegui.

Acha que caiu nas graças da torcida de vez?

Eles já vinham me apoiando desde o jogo do Boavista quando voltei ao time. Depois do primeiro gol esse apoio aumentou ainda mais e culminou com o título. Tenho um carinho enorme por essa torcida e fico feliz por estar recebendo o carinho deles também. É algo que me deixa muito feliz.

O próximo compromisso do Botafogo é contra o CRB pela Copa do Brasil, na próxima quarta-feira, e com mais pressão, pois agora a torcida quer voos maiores. O adiamento deste jogo foi bom para o elenco esquecer o título Carioca e focar em um título nacional?

Estamos todos com os pés no chão, sabendo que conquistamos apenas um dos vários objetivos que temos. Então vamos trabalhar ainda mais para manter o bom futebol que temos apresentado. Descansamos e viramos a chave para a Copa do Brasil. Sabemos que não será fácil, mas queremos muito esse título, assim como nosso torcedor.

Graças ao gol do título você entrou na seleção do carioca, esperava uma reviravolta tão grande assim na sua história dentro do Botafogo?

Nunca deixei de confiar no meu trabalho. Quando mais as coisas davam errado em campo, mais eu enfiava a cara nos treinamentos. Era a única maneira que eu tinha para melhorar. Graças a Deus fui recompensado com esse momento.

Além da Copa do Brasil, vem aí o Brasileirão, o torcedor pode esperar um Botafogo brigando pelo título?

Se Deus quiser. Estamos jogando muito bem e se mantermos isso, eu acredito que conseguiremos entrar na briga. É a competição mais difícil do mundo. Mas defendemos o Botafogo e temos a obrigação de pensar no melhor possível.

Já parou pra pensar que daqui a 20 anos você poderá contar a história da final do Carioca de 2013 para seu filho ou neto e dizer: – Tá vendo quem fez o gol? Esse cara sou eu!

(Risos) Como falei, eu ainda não tenho essa dimensão. Mas é algo muito gratificante. Acho que todo grupo deve ser lembrado. Todos os jogadores, o Oswaldo e toda comissão técnica estão de parabéns.

Fonte: A Crítica

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