Patinho feio do futebol carioca, no início deste ano, o Botafogo surpreende e, mesmo enfrentando enormes dificuldades financeiras, se mantém na ponta do Carioquinha, com méritos. É um time limitado (como todos os outros do Rio), mas extremamente aplicado. E já me parece mais pronto para o seu desafio na Série B, do que os coirmãos, em relação à Série A.Técnico normalmente subestimado, Renê Simões tem em seu currículo algumas façanhas extraordinárias e que nem sempre são lembradas como deveriam. Antes do milagre de Cuca, com o Fluminense, em 2009, ele operou metamorfose semelhante, salvando o mesmo tricolor das Laranjeiras de outro rebaixamento que parecia certo, em 2008. Isso sem falar na já histórica classificação da Jamaica para uma Copa do Mundo e do sucesso à frente da seleção feminina de futebol.

Talvez por não ter se fixado exclusivamente na carreira de treinador (já foi supervisor, diretor executivo, gerente de futebol, responsável pelas categorias de base, comentarista de TV etc), Renê não tenha o reconhecimento que merece: o de um treinador competente e com rara habilidade para administrar situações críticas e complicadas como a que vive, agora, o Glorioso.

É claro que ganhar a Taça Guanabara ou o próprio Estadual será ótimo, para resgatar a autoestima de sua torcida tão sofrida. Mas o que deve deixar os alvinegros mais tranquilos é a certeza de que, mesmo com todas as conhecidas dificuldades, o trabalho começou a ser bem feito no clube de General Severiano. Sinal de que a volta à Série A, em 2016, pode ser muito menos problemática do que se antecipava, no caótico final de 2014.

Fonte: Blog do Renato Maurício Prado - O Globo Online