Quando 2013 terminou, a torcida do Botafogo estava em estado de êxtase, pois o ano havia sido maravilhoso. O time tinha conquistado o título do Campeonato Carioca vencendo os dois turnos e atropelando os principais rivais. Além disso, depois de 17 anos voltaria a jogar uma Copa Libertadores. Porém, como diz o ditado, “Dia de muito, véspera de pouco”. Na virada do ano, 2014 trouxe praticamente apenas decepções e se tornou um dos piores anos da história.

O clube, sem dinheiro para investir, não manteve o técnico Oswaldo de Oliveira e começou a perder jogadores importantes, como o atacante Rafael Marques. A maior baixa, porém, foi quando o holandês Clarence Seedorf anunciou que deixaria General Severiano para encerrar carreira e virar treinador do Milan.

“Trata-se de uma perda que não temos condições de repor. Não há como ir ao mercado para contratar um atleta do porte de Seedorf”, disse o presidente Mauricio Assumpção.

O desconhecido Eduardo Húngaro foi efetivado como técnico, tendo como experiência principal o trabalho nas categorias de base do Glorioso. As contratações para a Libertadores, como o meia Jorge Wagner, o volante argentino Mario Bolatti e seu compatriota, o artilheiro Tanque Ferreyra, se tornaram decepções em pouco tempo.

Fora de campo a diretoria cometia erros atrás de erros, sem honrar com dívidas trabalhistas e fiscais, o Botafogo passou a conviver com cem por cento de suas receitas bloqueadas e o pagamento dos salários passou a ser algo impossível de ser honrado. O grupo chegou a se negar a jogar um amistoso na Paraíba por conta disso. O resultado das lambanças se refletiu em campo. O Alvinegro acabou eliminado na primeira fase da Libertadores, fez a pior campanha de sua história no Estadual e deixou a Copa do Brasil com uma goleada de 5 a 0 sofrida para o Santos. Porém, a facada fatal veio com o rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro.

O balanço do ano mostra como 2014 foi ruim. Fora 65 partidas, com impressionantes 35 derrotas e apenas 17 vitórias. Os empates foram 13. O Glorioso marcou apenas 63 gols, sofrendo 86 e acabando a temporada com um saldo de -23. O paraguaio Pablo Zeballos, mesmo hostilizado pelos torcedores, acabou sendo o artilheiro do time na temporada, com nove gols.

COPA LIBERTADORES

O Botafogo começou a Copa Libertadores com uma derrota de 1 a 0 para o Deportivo Quito, no Equador. Tratava-se da fase preliminar e uma eliminação neste momento tornaria as coisas ainda mais complicadas. Porém, na partida de volta, com o Maracanã completamente lotado, os jogadores entraram em campo com o mosaico da torcida que dizia: “O Gigante Voltou”. O apoio fez o time crescer e atropelar os equatorianos com uma goleada de 4 a 0. Wallyson, um dos reforços do ano, brilhou com três gols. Henrique completou o marcador.

Na fase de grupos, o Botafogo caiu em uma chave teoricamente tranquila. O grande rival, o San Lorenzo, campeão argentino, foi batido logo na primeira rodada, no Maracanã, por 2 a 0. Independiente del Valle, do Equador, e Unión Española, do Chile, pareciam não oferecer muita resistência.

Contra os chilenos, fora de casa, um empate por 1 a 1. Já no Equador, a falta de tranquilidade, uma marca do elenco com os nervos a flor da pele, comprometeu. Bolívar e Edilson foram expulsos e o Botafogo acabou derrotado pelo Independiente por 2 a 1. O troco veio na rodada seguinte, quando um gol isolado de Tanque Ferreyra assegurou o triunfo.

O Botafogo foi para o duelo contra o Unión Española, no Maracanã, dependendo da vitória para se classificar em primeiro lugar. Porém, uma atuação apática, aliada a uma arbitragem confusa, fez o time perder de 1 a 0, em gol que saiu em pênalti inexistente. Abalado, uma derrota de 3 a 0 na Argentina, para o San Lorenzo, impediu a classificação.

“Nós perdemos a vaga contra o Unión Española, no Maracanã”, disse Eduardo Húngaro, que seria demitido poucos dias depois.

CAMPEONATO CARIOCA

Antes de cair, porém, Eduardo Húngaro dirigiu o Botafogo no Campeonato Carioca. Com a Libertadores como prioridade e um elenco enxuto, o Glorioso fez figuração. Perdeu pontos importantes para rivais de menor expressão. Foram quatro derrotas para times considerados pequenos.

“Foi uma estratégia que tentamos colocar em prática, mas que infelizmente não deu certo”, lembrou Maurício Assumpção.

O único lampejo de bom futebol aconteceu em um clássico contra o Fluminense, quando o Botafogo ganhou por 3 a 0, mesmo jogando com os reservas. O saldo, porém, foi péssimo, com a nona colocação, a pior do clube em toda a história do Estadual.

CAMPEONATO BRASILEIRO

Para o Campeonato Brasileiro o Botafogo contratou o técnico Vagner Mancini. Porém, este foi mais psicólogo e teve que resolver tantos problemas, que sobrou pouco tempo para aspectos táticos e técnicos. Mesmo assim dirigiu a equipe da primeira até a última rodada.

Desde cedo o Botafogo dava sinais de que lutaria contra o rebaixamento. Antes da paralisação para a disputa da Copa do Mundo, o Glorioso viveu seu melhor momento na competição: uma goleada de 6 a 0 sobre o Criciúma, com um show individual do meia Daniel, autor de três belos gols.

O desempenho, porém, foi naturalmente ruim. Alguns jogadores se destacavam individualmente em um jogo ou outro, como Emerson Sheik, que foi contratado junto ao Corinthians.

A competição ia caminhando com o Botafogo deixando seus torcedores cada vez mais temerosos. Em campo, o elenco mostrava nervosismo e se abatia com os atrasos salariais. Na derrota de 3 a 2 para o Bahia, no Maracanã, o Alvinegro teve dois atletas expulsos e sofreu a virada mesmo após ganhar por 2 a 1 até parte do segundo tempo.

Aquele jogo contra o Bahia ficou marcado pelo episódio em que Emerson Sheik deixou o gramado, após ser expulso, dizendo que a CBF era uma vergonha. Julio Cesar foi expulso após o jogo acabar. Na visão da diretoria ambos forçaram o cartão vermelho para não viajarem de ônibus para Criciúma na rodada seguinte. Poucos dias depois os dois, assim como Edilson e Bolívar foram afastados do elenco.

Com um elenco ainda mais fragilizado tecnicamente, o Botafogo passou as rodadas finais viajando à jato rumo ao rebaixamento. Sinais de desespero, como a efetivação de Jobson, que viria a perder um pênalti decisivo na derrota de 1 a 0 para o Figueirense, mostraram o sinal dos tempos. A queda foi confirmada na penúltima rodada, na derrota de 2 a 0 para o Santos.

“O Botafogo não caiu neste jogo e sim desde o começo do Campeonato Brasileiro, com os inúmeros de problemas que apresentou extra campo”, argumentou Mancini.

COPA DO BRASIL

Por ter disputado a Copa Libertadores, o Botafogo entrou na Copa do Brasil apenas nas oitavas de final. Logo na estreia uma derrota de 2 a 1 para o Ceará parecia que traria uma eliminação. Porém, no seu melhor momento no ano, o Alvinegro carioca conseguiu uma classificação heróica no Estádio Castelão, em Fortaleza (CE). Os botafoguenses perdiam por 3 a 2 até os 45 minutos do segundo tempo, quando gols de Cachito Ramirez e André Bahia, aos cinquenta minutos, garantiram a vaga.

“Aquele jogo vai ficar marcado na minha memória e me ligou definitivamente ao Botafogo. Não sou um jogador de marcar muitos gols e brincam comigo por causa disso. Mas entrei para a história do clube”, disse André Bahia.

Nas quartas de final, porém, a carruagem voltou a ser uma abóbora muito feia. O time perdeu em casa para o Santos, na ida, por 3 a 2. Já na volta, foi humilhado com uma goleada de 5 a 0.

PERSPECTIVAS PARA 2015

No fim do ano Maurício Assumpção passou o cargo para Carlos Eduardo Pereira, que venceu uma eleição muito disputada. O novo presidente sabe que terá muitos problemas para resolver. Apesar disso, tenta manter a confiança em dia e sabe que a marca Botafogo pode acabar falando mais alto.

“Vamos precisar fazer um trabalho de recuperação do Botafogo. Primeiro da imagem junto a credores, à Justiça e ao público de uma maneira geral. Depois em termos esportivos, com a volta para a elite do futebol brasileiro. Apesar de muito complicada, acredito no sucesso de nossa tarefa”, disse Pereira, que na eleição superou os outros três candidatos: Marcelo Guimarães, Thiago Cesário Alvim e Vinicius Assumpção.

Ao fim da temporada foram dispensados os laterais Junior Cesar, Alex e Anderson; o zagueiro Mario Risso; os volantes Hygor, Mario Bolatti e Rodrigo Souto, os meias Cachito Ramírez, Carlos Alberto, Pablo Zeballos e Ronny; os atacantes Maikon, Rogério, Yguinho, Wallyson, Bruno Corrêa e Tanque Ferreyra. Em outubro, a diretoria antiga já havia dispensado os laterais Edilson e Julio Cesar, o zagueiro Bolívar e o atacante Emerson Sheik. Vagner Mancini também saiu do clube, dispensado, assim como o gerente de futebol Wilson Gottardo.

A ideia é montar um elenco barato, mas competitivo para 2015, com poucas estrelas. Porém, existem esperanças de dias melhores com a possibilidade do desbloqueio de receitas e a liberação do Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, interditado desde 2013 por problemas em sua estrutura, mas que deverá ser reaberto em março. Uma coisa é certa, pior do que 2014, o próximo ano dificilmente será para os botafoguenses.

BALANÇO EM NÚMEROS:

Jogos: 65
Vitórias: 17
Empates: 13
Derrotas: 35
Gols Pro: 63
Gols Contra: 86
Saldo: – 23

Artilheiros:
Zeballos: 9
Wallyson: 8
Emerson: 6
Daniel: 5
Ferreyra: 5
Henrique: 5
Bolatti: 4
Edilson: 4
André Bahia: 3
Jorge Wagner: 3
Cachito Ramírez: 2
Bolívar: 2
Rogério: 2
Gabriel: 1
Marcelo Matto s: 1
Renato: 1
Yuri Mamute: 1
Leo, contra: 1

CAMPEONATO CARIOCA

18/1 – Resende 1 x 1 Botafogo – Volta Redonda – Gols: Renato
21/1 – Botafogo 0 x 0 Bangu – São Januário
23/1 – Botafogo 2 x 1 Madureira – São Januário – Gols: Jorge Wagner e Henrique
26/1 – Cabofriense 2 x 1 Botafogo – Cabo-Frio – Gols: André Bahia
2/2 – Vasco 1 x 0 Botafogo – Maracanã
8/2 – Botafogo 0 x 1 Friburguense – Moça Bonita
13/2 – Botafogo 2 x 0 Bonsucesso – Moça Bonita – Gols: Henrique e Bolatti
16/2 – Duque de Caxias 1 x 2 Botafogo – Volta Redonda – Gols: Ferreyra e Jorge Wagner
20/2 – Botafogo 1 x 1 Volta Redonda – Maracanã – Gols: Jorge Wagner
23/2 – Fluminense 0 x 3 Botafogo – Maracanã – Gols: Henrique (2) e Bolatti
1/3 – Botafogo 0 x 2 Macaé – Moça Bonita
5/3 – Audax 2 x 2 Botafogo – Moça Bonita – Gols: Ferreyra e Marcelo Mattos
9/3 – Botafogo 0 x 2 Flamengo – Maracanã
15/3 – Boavista 2 x 1 Botafogo – Bacaxá – Gols: Zeballos
22/3 – Botafogo 1 x 1 Nova Iguaçu – Moça Bonita – Gols: Zeballos

COPA LIBERTADORES

29/1 – Deportivo Quito 1 x 0 Botafogo – Quito
5/2 – Botafogo 4 x 0 Deportivo Quito – Maracanã – Gols: Wallyson (3) e Henrique
11/2 – Botafogo 2 x 0 San Lorenzo – Maracanã – Gols: Ferreyra e Wallyson
26/2 – Unión Española 1 x 1 Botafogo – Santiago – Gols: Ferreyra
12/3 – Independiente del Valle 2 x 1 Botafogo – Sangolquí – Gols: Bolívar
18/3 – Botafogo 1 x 0 Independiente del Valle – Maracanã – Gols: Ferreyra
2/4 – Botafogo 0 x 1 Unión Española – Maracanã
9/4 – San Lorenzo 3 x 0 Botafogo – Buenos Aires

COPA DO BRASIL

27/8 – Botafogo 1 x 2 Ceará – Maracanã – Gols: Edilson
3/9 – Ceará 3 x 4 Botafogo – Castelão – Gols: Edilson, Yuri Mamute, Cachito Ramírez e André Bahia
1/10 – Botafogo 2 x 3 Santos – Maracanã – Gols: Gabriel e Pablo Zeballos
16/10 – Santos 5 x 0 Botafogo – Pacaembu

CAMPEONATO BRASILEIRO

20/4 – São Paulo 3 x 0 Botafogo – São Paulo
27/4 – Botafogo 2 x 2 Internacional – Maracanã – Gols: Emerson Sheik e Zeballos
4/5 – Bahia 1 x 0 Botafogo – Fonte Nova
10/5 – Botafogo 6 x 0 Criciúma – Maracanã – Gols: Daniel (3), Emerson Sheik (2) e Wallyson
14/5 – Goiás 2 x 0 Botafogo – Juiz de Fora
21/5 – Grêmio 2 x 1 Botafogo – Caxias do Sul – Gols: Zeballos
25/5 – Botafogo 1 x 1 Vitória – Macaé – Gols: Emerson Sheik
28/5 – Palmeiras 0 x 2 Botafogo – Presidente Prudente – Gols: Bolatti e Zeballos
1/6 – Corinthians 1 x 1 Botafogo – Arena Corinthians – Gols: Edilson
16/7 – Sport 1 x 0 Botafogo – Ilha do Retiro
19/7 – Botafogo 1 x 0 Coritiba – Volta Redonda – Gols: Bolatti
27/7 – Flamengo 1 x 0 Botafogo – Maracanã
2/8 – Botafogo 1 x 1 Cruzeiro – Maracanã – Gols: Edilson
10/8 – Atlético-PR 2 x 0 Botafogo – Arena da Baixada
17/8 – Botafogo 2 x 0 Fluminense – Mané Garrincha – Gols: Daniel e Zeballos
20/8 – Figueirense 1 x 0 Botafogo – Orlando Scarpelli
23/8 – Botafogo 1 x 0 Chapecoense – Maracanã – Gols: Cachito Ramírez
31/8 – Botafogo 1 x 0 Santos – Maracanã – Gols: Daniel
7/9 – Atlético-MG 1 x 0 Botafogo – Arena Independência
10/9 – Botafogo 2 x 4 São Paulo – Mané Garrincha – Gols: André Bahia e Zeballos
14/9 – Internacional 2 x 0 Botafogo – Beira-Rio
17/9 – Botafogo 2 x 3 Bahia – Maracanã – Gols: Emerson Sheik (2)
20/9 – Criciúma 1 x 1 Botafogo – Heriberto Hülse – Gols: Zeballos
25/9 – Botafogo 1 x 0 Goiás – Maracanã – Gols: Bolívar
28/9 – Botafogo 0 x 2 Grêmio – Maracanã
4/10 – Vitória 2 x 1 Botafogo – Barradão – Gols: Rogério
8/10 – Botafogo 0 x 1 Palmeiras – Maracanã
11/10 – Botafogo 1 x 0 Corinthians – Arena da Amazônia – Gols: Wallyson
19/10 – Botafogo 1 x 1 Sport – Volta Redonda – Gols: Wallyson
22/10 – Coritiba 2 x 0 Botafogo – Couto Pereira
25/10 – Botafogo 2 x 1 Flamengo – Arena da Amazônia – Gols: Rogério e Wallyson
2/11 – Cruzeiro 2 x 1 Botafogo – Mineirão – Gols: Leo (Contra)
8/11 – Botafogo 0 x 2 Atlético-PR – Volta Redonda
15/11 – Fluminense 1 x 0 Botafogo – Maracanã
19/11 – Botafogo 0 x 1 Figueirense – São Januário
23/11 – Chapecoense 2 x 0 Botafogo – Arena Condá
30/11 – Santos 2 x 0 Botafogo – Vila Belmiro
7/12 – Botafogo 0 x 0 Atlético-MG – Mané Garrincha

Fonte: Gazeta Esportiva