A frase “tem coisas que só acontecem com o Botafogo” nunca esteve tão presente como em 2016. O Alvinegro começou a temporada de maneira desacreditada, porém, foi mostrando muito trabalho ao longo do ano e os resultados começaram a aparecer. Alguns deles com um certo golpe de sorte, com o universo conspirando favoravelmente ao pessoal de General Severiano.

Apontado como um dos mais fracos elencos dentre os principais clubes do país, o Botafogo era cotado até mesmo para ser rebaixado no Campeonato Brasileiro. Não só não caiu, como deu uma arrancada histórica no segundo turno e carimbou o passaporte para a próxima Copa Libertadores, o que lhe garante um 2017 melhor financeiramente.

“Muitos não acreditavam no trabalho do Botafogo, mas a gente nunca deixou de se empenhar. Suor é algo que nunca deixou de existir aqui no clube. O departamento de futebol se empenhou muito para a formação de um elenco que, dentro da realidade do mercado, poderia representar bem o Botafogo. Encontramos peças de qualidade, mostramos poder de observação, resistimos a algumas situações e fomos premiados com uma linda campanha. No início do Brasileiro falavam que o Botafogo seria rebaixado. Terminou em quinto lugar e com a Libertadores”, comemorou o presidente Carlos Eduardo Pereira.

O ano realmente não foi ruim para o time, que conseguiu chegar à final do Campeonato Carioca mais uma vez, sendo derrotado pelo Vasco.

Ao longo de todo o ano de 2016, o Botafogo fez 64 partidas oficiais, desprezando amistosos. Foram 32 vitórias, 14 empates e 17 derrotas. O time anotou 75 gols e sofreu 58, com saldo positivo de 17. A artilharia em 2016 ficou por conta do centroavante Sassá, autor de 14 gols, dois a mais do que Neilton, seu perseguidor mais direto.

CAMPEONATO CARIOCA

Com um elenco muito reformulado em relação ao que conquistou a Série B do Campeonato Brasileiro, em 2015, o Botafogo começou o Campeonato Carioca apostando em algumas observações de mercado. O zagueiro Joel Carli e o meia Gervásio Núñez chegaram da Argentina, enquanto que Damián Lizio, argentino naturalizado boliviano, e o uruguaio Juan Salgueiro eram os mais badalados. Depois, para o segundo semestre, veio o chileno Gustavo Canales. De todos eles, o único que vingou foi Carli, hoje considerado titular absoluto.

A diretoria apostou ainda na base e deu chance a vários atletas, como o lateral-direito Diego, o zagueiro Emerson Santos, os volantes Diérson e Fernandes, os meias Gegê e Leandrinho, além dos atacantes Sassá e Vinícius Tanque.

O Botafogo teve um Campeonato Carioca sem sustos, venceu os times de menor expressão, não fez feio nos clássicos e com justiça decidiu o caneco com o Vasco, perdendo o primeiro jogo por 1 a 0 e não conseguindo inverter a situação no segundo, quando empatou por 1 a 1.

“Nós chegamos a uma final que poucos acreditavam e perdemos para o Vasco que teve seus méritos e que foi o time mais regular da competição. O grupo está de parabéns”, disse o então técnico Ricardo Gomes.

COPA DO BRASIL

A Copa do Brasil mais uma vez não foi motivo de alegria para o Botafogo, que nunca sentiu o gostinho de vencer a competição. Após passar pelas primeiras fases sem maiores sustos, eliminando Coruripe-AL, Juazeirense-BA e Bragantino-SP, o Alvinegro cruzou o caminho do Cruzeiro nas oitavas de final.

Logo no jogo de ida o Botafogo viu sua eliminação ser decretada, dentro da Arena Botafogo. Em um dia que nada deu certo para o Glorioso, alguns jogadores tiveram atuações patéticas, como o zagueiro Renan Fonseca, que depois disso nunca mais brigou por posição. A Raposa, por outro lado, viu tudo funcionar e goleou por 5 a 2.

Virtualmente eliminado, o Botafogo mandou um time reserva para o jogo da volta, no Mineirão, sendo derrotado por 1 a 0.

CAMPEONATO BRASILEIRO

Foi no Campeonato Brasileiro que o Botafogo viveu o seu melhor momento na temporada. O começo, porém, foi nada animador, com o Glorioso vivendo de lampejos, como nos 3 a 2 aplicados no Internacional no Rio Grande do Sul e nos 3 a 1 diante do Palmeiras, em casa. O primeiro turno, porém, foi praticamente todo vivido ou na zona de rebaixamento ou flertando com ela. Na virada do turno, seduzido por uma proposta do São Paulo, o técnico Ricardo Gomes se desligou do clube.

Para muitos ali o Botafogo estava decretando seu rebaixamento, mas foi aí que o “tem coisas que só acontecem com o Botafogo” entrou em campo. Efetivado no cargo, o auxiliar Jair Ventura mostrou que tinha o elenco nas mãos e logo em sua estreia o time venceu o próprio São Paulo no Morumbi. Começou uma arrancada. Dos 20 jogos sob o comando do filho de Jairzinho no Brasileirão, o Alvinegro ganhou 12.

A zona de rebaixamento foi ficado cada vez mais para trás e o risco de queda acabou afastado em outubro, quando o time já se aproximava da zona de classificação para a Copa Libertadores. Uma série de cinco vitórias seguidas praticamente decretou a conquista da vaga, que foi confirmada apenas na última rodada, com um triunfo por 1 a 0 sobre o Grêmio em Porto Alegre.

“Acreditamos no trabalho e sempre mantivemos os pés no chão. Mesmo com a série de vitórias eu continuava dosando a euforia, falando que o primeiro objetivo era escapar do rebaixamento. Fui chamado de sem ambição, mas sou muito ambicioso. O grupo só tenho o que de bom falar, pois comprou a ideia. A diretoria me deu a oportunidade e fico muito feliz”, disse Jair Ventura.

PERSPECTIVAS PARA 2017

Com a vaga na Copa Libertadores assegurada o Botafogo tem uma boa perspectiva para 2017. “Vamos trabalhar ainda mais, porém, agora com coisas boas no horizonte”, disse o diretor de futebol Antônio Lopes.

Apesar de já ter perdido algumas peças importantes após o Brasileirão, como o goleiro Sidão, que se transferiu para o São Paulo, e o lateral-esquerdo Diogo Barbosa, anunciado pelo Cruzeiro, o Botafogo também se reforçou. O goleiro paraguaio Gatito Fernández, que se destacou pelo Figueirense no Campeonato Brasileiro, o meia João Paulo, que estava no Santa Cruz, e o atacante Roger, que defendeu a Ponte Preta esse ano, já foram contratados.

Jair Ventura vai permanecer, assim como uma base sólida, com nomes como o goleiro Jéfferson (que só volta a jogar em junho de 2017), o lateral-direito Luis Ricardo, os zagueiros Joel Carli e Emerson Silva, os volantes Aírton e Bruno Silva e o meia Camilo. Outros atletas de peso estão sendo sondados, como o apoiador argentino Walter Montillo, hoje no futebol chinês.

Aos poucos o Botafogo vai se organizando e sonhando que 2017 possa ser de títulos, que foi o que faltou na atual temporada.

Abaixo um balanço de como foi o Glorioso em 2016 e a relação de jogos disputados pelo clube no ano:

Jogos: 64

Vitórias: 33

Empates: 14

Derrotas: 17

Gols Pro: 75

Gols Contra: 58

Saldo de gols: + 17

Artilharia: 

Sassá – 14

Neilton – 12

Camilo – 6

Bruno Silva – 5

Gervásio Núñez – 4

Ribamar – 4

Fernandes – 3

Leandrinho – 3

Luís Henrique – 3

Rodrigo Lindoso – 3

Rodrigo Pimpão – 3

Diogo Barbosa – 2

Gegê – 2

Joel Carli – 2

Damián Lizio – 1

Diérson – 1

Dudu Cearense – 1

Emerson Santos – 1

Emerson Silva – 1

Gustavo Canales – 1

Juan Salgueiro – 1

Renan Fonseca – 1

Vinícius Tanque – 1

CAMPEONATO CARIOCA

30/1 – Bangu 0 x 2 Botafogo – São Januário – Gervásio Núñez e Renan Fonseca

2/2 – Botafogo 2 x 1 Portuguesa – São Januário – Gegê e Damián Lizio

10/2 – Botafogo 1 x 0 Macaé – Los Larios – Gervásio Núñez

13/2 – Resende 0 x 1 Botafogo – Raulino de Oliveira – Luís Henrique

21/2 – Botafogo 2 x 1 Cabofriense – São Januário – Luís Henrique e Neilton

24/2 – Botafogo 2 x 0 Fluminense – Kleber Andrade – Gegê e Ribamar

28/2 – Vasco 1 x 1 Botafogo – São Januário – Emerson Santos

6/3 – Boavista 0 x 1 Botafogo – São Januário – Fernandes

13/3 – Fluminense 1 x 1 Botafogo – Raulino de Oliveira – Ribamar

20/3 – Botafogo 1 x 0 Madureira – Los Larios – Bruno Silva

27/3 – Vasco 1 x 0 Botafogo – São Januário

30/3 – Botafogo 2 x 0 Volta Redonda – Los Lários – Rodrigo Lindoso e Joel Carli

2/4 – Botafogo 2 x 2 Flamengo – Estádio Municial Jornalista Mário Helênio – Joel Carli e Rodrigo Lindoso

10/4 – Botafogo 1 x 0 Bangu – São Januário – Rodrigo Lindoso

17/4 – Boavista 0 x 1 Botafogo – Estádio Eucyr Rezende – Leandrinho

24/4 – Fluminense 0 x 1 Botafogo – Raulino de Oliveira – Ribamar

1/5 – Botafogo 0 x 1 Vasco – Maracanã

8/5 – Vasco 1 x 1 Botafogo – Maracanã – Leandrinho

COPA DO BRASIL

5/4 – Coruripe-AL 0 x 1 Botafogo – Estádio Gerson Amaral – Luís Henrique

28/4 – Botafogo 1 x 1 Coruripe – Los Larios – Sassá

12/5 – Juazeirense 1 x 2 Botafogo – Estádio Adauto Moraes – Neilton e Emerson Silva

19/5 – Botafogo 1 x 0 Juazeirense – Los Lários – Neilton

13/7 – Bragantino 2 x 2 Botafogo – Estádio Nabi Abi Chedid – Diérson e Gervásio Núñez

27/7 – Botafogo 1 x 0 Bragantino – Arena Botafogo – Vinícius Tanque

1/9 – Botafogo 2 x 5 Cruzeiro – Arena Botafogo – Sassá e Neilton

21/9 – Cruzeiro 1 x 0 Botafogo – Mineirão

CAMPEONATO BRASILEIRO

15/5 – Botafogo 0 x 1 São Paulo – Raulino de Oliveira

22/5 – Sport 1 x 1 Botafogo – Ilha dio Retiro – Fernandes

25/5 – Botafogo 2 x 1 Atlético-PR – Mário Helênio – Ribamar e Neilton

29/5 – Fluminense 1 x 0 Botafogo – Raulino de Oliveira

1/6 – Botafogo 0 x 1 Cruzeiro – Mané Garrincha

5/6 – Santos 3 x 0 Botafogo – Pacaembu

12/6 – Botafogo 1 x 1 Vitória – Raulino de Oliveira – Sassá

15/6 – Botafogo 3 x 1 América-MG – Raulino de Oliveira – Sassá – 3

19/6 – Corinthians 3 x 1 Botafogo – Pacaembu – Leandrinho

22/6 – Botafogo 0 x 0 Figueirense – Mário Helênio

26/6 – Internacional 2 x 3 Botafogo – Beira-Rio – Fernandes, Neilton e Camilo

30/6 – Atlético-MG 5 x 3 Botafogo – Mineirão – Sassá, Gervásio Núñez e Bruno Silva

3/7 – Botafogo 2 x 1 Santa Cruz – Mário Helênio – Sassá e Neilton

9/7 – Coritiba 0 x 0 Botafogo – Couto Pereira

16/7 – Botafogo 3 x 3 Flamengo – Arena Botafogo – Diogo Barbosa, Neilton e Juan Salgueiro

24/7 – Chapecoense 2 x 1 Botafogo – Arena Condá – Camilo

31/7 – Botafogo 3 x 1 Palmeiras – Arena Botafogo – Neilton – 2 e Camilo

4/8 – Ponte Preta 2 x 0 Botafogo – Moisés Lucarelli

14/8 – São Paulo 0 x 1 Botafogo – Morumbi – Sassá

20/8 – Botafogo 3 x 0 Sport – Mário Helênio – Sassá – 2 e Camilo

29/8 – Atlético-PR 1 x 0 Botafogo – Arena da Baixada

4/9 – Botafogo 2 x 1 Grêmio – Arena Botafogo – Camilo e Sassá

7/9 – Botafogo 1 x 0 Fluminense – Arena Botafogo – Neilton

11/9 – Cruzeiro 0 x 2 Botafogo – Mineirão – Gustavo Canales e Camilo

14/9 – Botafogo 0 x 1 Santos – Arena Botafogo

18/9 – Vitória 0 x 1 Botafogo – Barradão – Rodrigo Pimpão

24/9 – América-MG 1 x 0 Botafogo – Independência

1/10 – Botafogo 2 x 0 Corinthians – Arena Botafogo – Neilton e Diogo Barbosa

9/10 – Figueirense 0 x 1 Botafogo – Orlando Scarpelli – Bruno Silva

12/10 – Botafogo 1 x 0 Internacional – Arena Botafogo – Sassá

16/10 – Botafogo 3 x 2 Atlético-MG – Arena Botafogo – Bruno Silva, Rodrigo Pimpão e Dudu Cearense

19/10 – Santa Cruz 0 x 1 Botafogo – Arruda – Rodrigo Pimpão

29/10 – Botafogo 0 x 0 Coritiba – Arena Botafogo

5/11 – Flamengo 0 x 0 Botafogo – Maracanã

16/11 – Botafogo 0 x 2 Chapecoense – Arena Botafogo

20/11 – Palmeiras 1 x 0 Botafogo – Allianz Arena

26/11 – Botafogo 1 x 1 Ponte Preta – Arena Botafogo – Sassá

11/12 – Grêmio 0 x 1 Botafogo – Arena do Grêmio – Bruno Silva

Fonte: Gazeta Esportiva