Os supersticiosos torcedores do Botafogo – portanto, quase todos – tiveram um bom pressentimento aos 43 minutos do segundo tempo da primeira partida contra o Barcelona, no Equador. Quando a bola estava na marca do pênalti, com Sassá preparado para cobrar, o algo faltava no goleiro – talvez o que mais chamava a atenção nele. Quando Banguera defendera o primeiro pênalti da partida, com apenas um minuto de jogo, ele usava um boné. Agora, estava sem.

E a bola de Sassá entrou. Foi o empate numa difícil partida, em que o goleiro equatoriano Máximo Banguera, do Barcelona, salvou a equipe diversas vezes, especialmente no pênalti cobrado por Camilo. Sua capacidade debaixo da trave pode ser ofuscada pelas características inusitadas que o transformam em, além de ótimo goleiro, uma figuraça.

Uma figuraça esperta, diga-se de passagem. Que aproveita o boné característico – ele usa desde o começo da carreira – para faturar. No acessório, ele exibe propaganda de uma marca de bebidas – o dinheiro do patrocínio é inteiramente dele, nada fica para o clube ou para a competição.

Foi esse o problema. Durante a partida contra o Botafogo, ele foi alertado que não era permitido ter um patrocinador próprio – sem ser do clube ou da Libertadores. Por isso, precisou tirar o boné. Também por isso, adiantou uma notícia que deve alegrar alvinegros em toda a parte:

– Terça-feira (hoje) eu também não devo usar – afirmou em entrevista ao EXTRA.

O boné é só uma faceta da esperteza de Banguera, que tem uma série de negócios fora do futebol, como uma clínica para recuperação de jogadores machucados (quando se lesiona, ele usa a própria clínica e não o departamento médico do clube), uma empresa de marketing e até uma produtora de filmes.

Um jogador de futebol fazer filmes pode parecer estranho, mas não surpreenderia os que viram sua atuação na Libertadores de 2015, contra o Atlético Nacional. Num contra-ataque mano-a-mano, ele fez uma falta e, ao saber que seria expulso, simulou – de forma nada convincente – um desmaio em campo. O árbitro, pacientemente, aguardou para expulsá-lo. Banguera explica:

– A ideia era trocar o gol deles por uma expulsão minha. Se eu não fizesse aquela falta, eles fariam o gol. Depois, simulei o desmaio por um motivo simples: queria dar tempo para o meu substituto se aquecer. Eu já seria expulso de qualquer forma mesmo.

Com a artimanha, ganhou uns bons dois minutos. A julgar pela malandragem, é até possível se equivocar e pensar que se trata de um brasileiro.

Mas esse lado não foi o que a torcida do Botafogo viu há duas semanas. Na primeira partida, no Equador, Banguera foi um dos melhores em campo e impediu diversas oportunidades do Alvinegro, que pressionou o adversário durante quase todo o jogo. O Botafogo também o surpreendeu:

– O que mostraram no Equador não foi o que nós esperávamos. Nós esperávamos uma equipe que não fosse ter tanto a bola, achamos que nós dominaríamos todo o jogo, mas não foi assim. Foi muito parelho, muito complicado, mas fiquei contente com o nosso rendimento.

E ele já deu uma dica do que espera nesta terça-feira: uma partida ainda mais complicada, em que o Botafogo, por jogar em casa, tomará mais a atitude. E mesmo estudando o adversário, em um fundamento Banguera prefere não se preparar: o pênalti.

– Não tenho visto as cobranças dos jogadores do Botafogo. Isso para mim é coisa de momento. Às vezes, assistir a vídeos demais até atrapalha.

Fonte: Extra Online