Às vezes amado, às vezes xingado. Rodrigo Pimpão atrai sentimentos distintos, mas inegavelmente é muito identificado com o Botafogo. A temporada 2019 será a sua quinta pelo clube, cujo vínculo expira em dezembro. Vai sair antes? Vai ratificar a sua estrela em jogos internacionais e ir em busca da Copa Sul-Americana?

Essas, e outras respostas sobre metas, Pimpão respondeu em entrevista exclusiva concedida ao LANCE!. Aos 31 anos, o atacante não escondeu uma proposta recebida e o carinho pelo Botafogo, além do ressaltar o quanto almeja “marcar mais e mais o nome na história do Glorioso”.

– Espero conquistar mais títulos com a camisa do Botafogo. Tenho objetivos pessoais também, que sempre guardo a sete chaves. Com relação a propostas, elas acontecem, ontem (domingo) mesmo recebi uma ligação para jogar fora do país… dos Emirados (Árabes), mais uma vez. Mas, a princípio, a minha vontade é ficar e marcar mais e mais o meu nome na história do Botafogo, um clube que tenho carinho e admiração e que merece um título que não comemora há muito tempo, que é o Brasileiro – disse.

Para isso, terá que vencer a concorrência com Erik, sobretudo, e assumir o status de líder diante de um jovem e enxuto elenco, no qual Pimpão é o mais longevo, com 163 jogos. Ele falou sobre isso e mais.

BATE-BOLA COM RODRIGO PIMPÃO

Passa pela sua cabeça um aumento de responsabilidade, até pela saída de outras referências do grupo?
​Isso aumenta um pouco a responsabilidade, para também dizer a eles que podem chegar a uma marca dessa, pode vestir a camisa de um grande clube por vários jogos. Mas isso depende muito deles, da vontade e da consciência fora dos campos, com alimentação adequada, descanso. Fico feliz de ser, hoje, o jogador que mais vezes vestiu a camisa do Botafogo no elenco. E espero vesti-la muito mais.

Seu contrato vai só até dezembro deste ano. Já houve conversas para renovar?
​Hoje, o Botafogo tem algumas outras prioridades, jogadores mais novos… A minha vontade é ficar, prorrogar o contrato. Espero que isso aconteça. Ainda estamos aguardando alguns detalhes para ocorrer a primeira conversa, mas quero ficar e, no momento, estou focado no Carioca para que tudo ocorra naturalmente.

Por que ficar?
​O ano de 2018 foi de muito aprendizado para mim, fomos campeões cariocas, mas, ao mesmo tempo, fomos eliminados de forma precoce da Copa do Brasil. Também tivemos outras frustrações, como a queda na Sul-Americana em casa e o risco que sofremos no fim do Brasileiro. Nada melhor que, em 2019, corrigir esses erros, que não só eu tive, como todos do elenco, para jogar mais uma Sul-Americana, que é uma competição diferente, embora não chegue ao nível da Libertadores, mas é um torneio internacional, e eu gosto muito desses jogos. Importante para a carreira e para o clube. Me identifico muito com o Botafogo, desde a primeira passagem (2015). O clube me acolheu e me abraçou. Agradeço aos diretores e à torcida.

E como está a preparação nesta pré-temporada?
​A comissão técnica tem tomado muito cuidado com todos os jogadores, a parte física, puxando os treinamentos em dois períodos. O trabalho com bola também é importante, até para que a gente conheça melhor os novos companheiros e saber o estilo deles. Tem sido bom para que a gente assimile logo o que o Zé Ricardo quer esse ano, um time compacto, com uma boa saída de bola e que faça mais gols e leve menos em relação a 2018. Quanto antes assimilarmos, melhor.

Você já provou ter estrela em jogos internacionais. Acredita que o Botafogo possa chegar mais longe na Sul-Americana neste ano?
Vimos que o ano já começa com decisões. Pode ser resumir no mês de fevereiro, no primeiro fim de semana tem a definição dos finalistas do
Carioca (Taça Guanabara), já na primeira quarta de fevereiro, o primeiro jogo da Sul-Americana aqui e, no fim de semana seguinte, a semifinal da Taça Guanabara. Na outra semana, já tem a Copa do Brasil, que é uma decisão, apenas um jogo. Logo depois, a final do turno. Tudo se resume no início de fevereiro, temos que ter muito cuidado, ver o planejamento… A sequência pode pesar, mas estamos preparados. Sobre o Defensa y Justicia, nosso primeiro adversário da Sul-Americana, conversamos com o Carli, que está por dentro da equipe deles e passou informações para a gente. Estamos de olho.

E a importância de Zé Ricardo seguir após o Carioca?
Tem a base do trabalho, que já vem do meio de 2018 para cá. Sabemos da importância dele, até em relação ao tratamento com os atletas. Sempre joga aberto, chama os jogadores para um conversa em individual, até quem vai sair, sempre alertando o que precisa melhorar. O grupo já entende o que ele que. Se o Zé não ficar, isso muda muito. Vem um novo treinador, novas ideias… Ano passado vimos que muitos problemas surgiram por causa disso. Foram muitos treinadores. Por mais que a base permaneça, vêm diversas mudanças, cada um tem um estilo diferente. Torcemos muito para que ele fique, renove o seu contrato (a expirar em abril), pois tem uma equipe muito boa que quer ajudar

Fonte: Terra