Acostumado a valorizar os ídolos de sua história, o Botafogo vive uma situação ingrata nos últimos anos: as dívidas com atletas e rixas pessoais deixaram um clima pesado entre os principais personagens recentes da história alvinegra, como Loco Abreu, e o clube. Na última semana, foi a vez de Túlio Guerreiro se indispor com dirigentes da equipe por causa de R$ 1,5 milhão não pagos pelo time no passado.

Túlio chegou a ser chamado de ‘chorão’ pelo presidente Carlos Eduardo Pereira após tentar receber o dinheiro fora do Ato Trabalhista, acordo entre o clube e a Justiça Trabalhista para o pagamento de forma organizada de dívidas dessa natureza. Loco Abreu, por sua vez, provocou desconforto ao cobrar atrasados na esfera jurídica após não conseguir voltar ao clube, no começo do ano.

“Esse Tulio, que não é o centroavante, artilheiro, mas aquele chorão que protagonizou uma das páginas mais vergonhosas da nossa história, quer furar a fila. Quer privilégios, e para isso contratou um advogado que persegue o Botafogo de forma implacável. Mas isso só nos dá força”, disse Carlos Eduardo, irritado com a postura do jogador.

Os dois casos são apenas os mais recentes em que o Botafogo ficou em situações desconfortáveis com ídolos por questões financeiras. Com Seedorf, por exemplo, não houve desentendimento, mas a contratação do jogador foi contestada pela nova diretoria, comandada por Carlos Eduardo Pereira. O mandatário disse que não contrataria o camisa 10, referência da equipe que conquistou o Carioca de 2013 e uma vaga na Libertadores após 17 anos de ausência, na mesma temporada.

“Foi uma contratação caríssima, que foi muito importante, como imagem, como formador de torcedores, mas um atleta que não criou vínculos com o Botafogo. Se fizer uma comparação entre o Loco Abreu e o Seedorf, diria que o Loco Abreu é um ídolo da torcida do Botafogo e o Seedorf foi um grande jogador que passou pelo Botafogo. Acho que foi dispensável a contratação do Seedorf até porque o clube não tinha condição de arcar com aqueles custos naquele momento sem um suporte”, criticou o presidente alvinegro.

Outro jogador que se tornou ídolo no Botafogo, mas acabou se distanciando do clube foi Dodô. O atacante caiu nas graças da torcida em duas passagens por General Severiano na última década, mas o imbróglio com o doping em 2007 e a forma como o caso foi conduzido pela gestão do presidente Bebeto de Freitas nunca foram esquecidos pelo atleta, que perdeu até mesmo a unanimidade entre os torcedores após defender Vasco e Fluminense.

O maior ídolo contemporâneo do Botafogo também teve seus problemas com o clube recentemente. Túlio Maravilha se desentendeu com a diretoria comandada por Maurício Assumpção após o projeto do milésimo gol não decolar e só se reaproximou de General Severiano com a chegada de Carlos Eduardo Pereira à presidência. O entendimento com o artilheiro talvez seja um exemplo de como o Alvinegro ainda pode trazer outros ídolos a rotina da equipe no futuro.

Fonte: BOL