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Ídolo e pé-quente, Loco Abreu visita Botafogo e brinca: ‘Podia ter vitamina que desse força para jogar até os 80 anos’

Por: FogãoNET

- Atualizado em

Loco Abreu, ídolo do Botafogo, em Botafogo x Racing | Copa Sul-Americana 2026
X/Botafogo

Ídolo e maior artilheiro do Nilton Santos, Loco Abreu marcou presença no estádio nesta quarta-feira (6/5). Pé-quente, o atual técnico do Tihuana, do México, assistiu à vitória do Botafogo sobre o Racing, por 2 a 1, pela Copa Sul-Americana. Antes, deu entrevista à Botafogo TV no modo sincerão sobre o retorno ao local.

Na hora da gente estar aqui, todo mundo acha que, pô, mata a saudade, muita felicidade. Mas, na verdade, tem um buraco aqui dentro que você não enche, que é angústia, é tristeza, é melancolia. É aquilo que você experimenta quando entra no campo. Aquela sensação de decisão. Aquela sensação de jogo é, para mim, o que vai dar samba, e hoje já não tem. Então, é muito bom chegar aqui, muito bom olhar para o campo, muito bom olhar o mundo do Botafogo, mas, automaticamente, vem aquela facada, não? Que você começa a ficar com aquela tristeza e começa a pensar, pô, que bom seria ter aquela… Normalmente, quando a gente está tomando um chope, a gente começa a delirar… Aí, pô, pegar aquela vitamina, não é? Uma vitamina que dê a força para jogar até os 80.

Porque é engraçado, o jornalista, o cantor, o médico, os caras trabalham até os 70, 75. O médico pode falar “vou pegar cinco anos de folga. Eu quero curtir o mundo, eu quero viajar. Com 40, aos 45 eu vou e começo a trabalhar de novo”. A gente não. Eu fui privilegiado de jogar até os 45. Mas sabe o que é? Acabou o futebol? Acabou, acabou essa vida, acabou. Já não tem possibilidade de voltar. Vai jogar mais 40, mais 45, vai pegar aquelas peladinhas, e joga como se fosse uma final de Copa do Mundo. Mas essa sensação de estar nesse gramado, com essa torcida, naquele momento de sufoco, que todo mundo tá xingando, e a pressão, e você recebe cruzamento no segundo poste e faz o gol. E aí a galera muda, o astral muda, aquela energia. Pô, isso não vai ter mais. Não vou falar mais, senão vou começar a chorar, e aí fodeu – brincou Loco Abreu.

O ídolo deixou sua previsão sobre a partida antes de a bola rolar.

– Acho que nervoso não. Acho que você fica nervoso quando vê que o time não tem condições e que o outro time é melhor. Mas o Racing também não está na fase boa, vem com muitas complicações. Acho que o sintético vai atrapalhar também. Só que a gente vai ter que ter muita paciência, muita tranquilidade, quando ele fica em um bloco baixo para querer explorar o contra-ataque, porque tem um centroavante chato, que briga com o zagueiro, faz pivô, entra muito bem no segundo pau, os cruzamentos que normalmente o zagueiro sofre. Mas vai ter que ter paciência, vai ter que rolar a bola, vai ter que fazer muita circulação. E na hora de encontrar o lado oposto, já com a liberdade, aí tem que cruzar.

– Não dá para começar a passar a tabelinha, porque os caras têm uma marcação muito fechada e na hora de recuperar a bola, vão sair no contra-ataque. Conhecendo o treinador deles, ele sabe que tem a necessidade de ganhar, mas não vai ter aquele time que vai ser pressionar alto, que vai querer gerar aquele sufoco, não. Ele vai jogar com a necessidade do Botafogo. Sabendo que o Botafogo, independentemente da situação, vai para frente. E ele vai querer explorar o contra-ataque, fazer aquele primeiro gol para começar a ficar mais nervoso o Botafogo e aproveitar mais ainda os espaços – avisou.

Leia outras declarações de Loco Abreu:

Tempo como técnico e jogador

– Acho que foi a transição correta pra deixar o jogador e abrir a porta pro treinador. Mas eu tinha muito cuidado com, por exemplo, não me escalar. Eu ficava no banco. Aí o jogo acontecia e naturalmente o jogo pedia as características de um centroavante de área e eu me colocava no segundo tempo. Então, eu acho que isso ajudou para que o grupo não ficasse com ciúme. Não ficasse com aquele preconceito de, “ah, o cara se escalou, acabou com o treinador”. Não, eu sempre dava possibilidade pra outro centroavante. Até que chegou um momento, por conta de fazer gol, que o mesmo grupo começou a falar, pô, precisamos de você do início. Aí fiquei livre pra poder tomar a decisão. E a outra coisa muito legal que está acontecendo agora é você poder treinar o seu filho (Diego Abreu). Eu tenho meu filho lá, mas foi por conta do dono do time, que ele falou “e se a gente comprar o Diego, como você vê a possibilidade?”. Comigo não tem problema. E ele vai entender claramente que aqui sou eu treinador e fora do clube sou o pai. E, na verdade, deu muito certo. Foi uma felicidade, uma experiência maravilhosa poder comemorar. Quem, como pai, não gostaria de, na hora do filho fazer um gol, futebol profissional, poder abraçá-lo? Ou ter uma possibilidade de entrar no campo? Fico sem nenhum tipo de contexto se o árbitro vai tirar cartão amarelo, vermelho, eu entro correndo pro campo. Abraço meu filho, abraço o grupo, comemoro o gol. Mas está sendo uma experiência muito boa. E tomara que com os gêmeos, que a gente vai por esse caminho também, tomara que também tenha a possibilidade de poder ser treinador deles.

Loco Abreu técnico gostaria de ter o Loco Abreu jogador?

– Lógico. Todo treinador do mundo precisa de artilheiro. Agora, para pressão alta, correria, não. Se é só pra atacar, cruzamento, estar no campo rival, abafar o time, rival na área, aí quem não vai querer o Loco Abreu? O Loco Abreu queria ter o Loco Abreu.

Superstições continuam

– Mania tem que ter, né? Isso aí não muda. Tem algumas que, pô, a minha comissão técnica não acredita ainda. As coisas que eu faço, eu falo “deixa assim que dá certo”. E a gente continua ganhando e eles querem mexer alguma coisa na mesinha, né? A superstição continua. Isso, deixa quieto aí. Mas tá no lixo, não interessa. Deixa quieto.

– Tem um altar pequeno. Tem a superstição do tênis. Se eu vou e o time ganha, eu vou de roupa esportiva, não coloco ternos, roupa esportiva boa, marca boa, que tem o clube. Aí se eu ganho, nos tênis o roupeiro sabe que não tem que mexer. Se ficou com barro, deixa com barro. Não pode tocar? Não pode tocar. Ele coloca aí no lugar e mexe. Aí alguém fala para limpar os tênis do professor, “não, ele não quer, ninguém mexe aí, deixa assim”. Aí fica. E a roupa é a mesma coisa. Com a roupa que eu vou no campo, hoje está muito calor, olha, fica tudo transpirado. Se a gente ganha, eles colocam na rouparia, do mesmo jeito que ficou, aí colocam muito perfume para ganhar. E aí vou no jogo. Mas, pô, essa coisa acho que não faz diferença. Mas a cabeça fica mais tranquila que a minha parte eu fiz tudo. Agora é com vocês.

Experiência como técnico

– Faz cinco anos que eu estou treinando e, na verdade, está sendo uma experiência muito boa. É totalmente diferente. Não tem nada a ver com jogar. Jogar é único, é maravilhoso. Você se preparar pra decidir é fantástico. Agora, de treinador, essa fase de você ajudar o garoto a crescer, ajudar o garoto a ir pra seleção, ajudar um garoto a ser vendido num dinheiro muito importante e poder continuar a sua carreira cada vez mais pra cima. Acho que tem essa fase muito boa, além da estratégia, além do dia a dia, além da gestão que você tem que fazer com o grupo, de encontrar o momento certo pra fazer o churrasco, pra bater um papo descontraído com uma cerveja, pra poder conhecer mais a pessoa. Porque eu acho que tem muita tecnologia hoje no futebol, muita, muita, que a gente precisa. Totalmente. Mas acho que, em alguns momentos, está se perdendo a parte humana, né? De saber se o cara tem problema em casa, como ele mora, o bairro onde ele mora, qual a dificuldade que ele tem, como a gente pode ajudar ele. Porque quem está atrás no campo é um atleta, mas é um ser humano. E se ele tem problema, logicamente que não vai estar 100%. Ele vai jogar no 80%. Se jogar no 80%, está dando vantagem. Então, você pode ajudar ele a tirar essa empatia, pra ele ter a confiança de poder te falar, ou a comissão técnica. Normalmente, as pessoas se dividem, né? Por conta das personalidades. Então, o preparador físico tem uma turma de 7 e 8. O auxiliar técnico tem outra turma de 7 e 8. Eu tenho uma turma de 7 e 8, por conta da personalidade. E a gente vai mexendo nessa situação. Pra quê? Pra ter um grupo forte, um grupo unido. Depois, se você conseguir ter essa gestão, tudo que você coloca na tecnologia vai dar muito certo. Mas eu vejo muitas vezes a tecnologia por cima do grupo. Não, primeiro tem que ser o grupo. Uma hora você ter o grupo fechado, tudo que você tem na tecnologia, GPS, o drone, o vídeo análise, vai dar certo. Mas se o grupo não tá fechado, você pode trazer a Steven Spielberg pra fazer o melhor firme, com toda a tecnologia do mundo. Mas se o grupo, os seres humanos que entram no campo, não tá fechado, normalmente não dá certo. Então, eu faço questão constantemente de poder estar trabalhando nessa situação. Enquanto você conseguir um grupo forte, é só olhar pra eles. E os caras já sabem que é sangue no olho e vamos pra frente.

Veja a participação de Loco Abreu na Botafogo TV:

Fonte: Redação FogãoNET e Botafogo TV

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