O pouco público no Estádio Nilton Santos (cerca de 2 mil pessoas) ainda reflete um resquício de desconfiança por parte da torcida. Mas, com Alberto Valentim, o Botafogo chegou à segunda vitória em dois jogos na Taça Rio – a última diante da Cabofriense, domingo, por 1 a 0. Além do 100% de aproveitamento, os discursos de jogadores e treinador convergem: há evolução e boa perspectiva.

Mesmo com dez dias de trabalho, em sucessão ao de Felipe Conceição, o Botafogo apresenta o dedo de Valentim, que cobra, o tempo todo à beira de campo, posse de bola e alternância entre os dois lados. Além de amplitude, é visível que Igor Rabello e Marcelo atuam mais à frente – outra característica marcante do trabalho do novo comandante.

Contra a Cabofriense, a fragilidade do adversário fez com que o triunfo fosse garantido apenas pelos primeiros minutos frenéticos da equipe alvinegra. Depois, com a vantagem no placar, passou a atuar só pelo lado esquerdo – de onde saiu o gol – e pouco explorou o direito, ponto forte contra o Nova Iguaçu (adversário da estreia de Valentim, na última quinta).

– A ideia nossa é de aproveitarmos ao máximo os dois lados. Alternamos ao máximo os dois lados. Vamos trabalhar, rodar bem a bola para criar. Hoje se jogou mais pelo lado esquerdo, onde achamos mais oportunidades. Se não dá de um lado, vamos pelo outro. O legal é isso – disse Valentim, em coletiva.

O fato é que Alberto Valentim terá semana cheia para esquentar os motores, instruir com calma e pavimentar o entrosamento no time titular, repetido na nova era. E o próximo adversário será o Flamengo, ou seja, o primeiro teste de ferro do técnico de 42 anos no Botafogo.

Equilíbrio nos dois setores, maior participação dos articuladores Leo Valencia e João Paulo e eficiência nos arremates, o que se não viu contra a Cabofriense, serão pontos a serem explorados nesta semana, visando o clássico.

Sobre o clássico, aliás, ainda não se sabe se o Rubro-Negro, a estrear na Libertadores nesta quarta, virá com o time titular ou misto (ou até mesmo reserva). Não importa.

Sobretudo pelo peso do jogo, sublinhado pelo rival ter sido o algoz na semifinal da Taça Guanabara, a expectativa é de uma apresentação digna de trazer ao torcedor ainda mais esperança, que foi-se embora justamente na dura derrota para o Fla, há cerca de duas semanas.

Fonte: Terra