Diversos setoristas que fazem a cobertura do Botafogo utilizaram o Twitter para criticar a decisão do departamento de futebol de proibir entrevistas. Nesta sexta, o técnico Eduardo Barroca falaria com a imprensa como é de praxe, abordando o clássico contra o Fluminense no domingo pelo Campeonato Brasileiro, mas não haverá janelas para os jornalistas e o treino será totalmente fechado.

É comum nos clubes a imprensa acompanhar poucas partes do treinamento e, até mesmo, fechar totalmente o treino, com apenas os jogadores e o treinador concedendo entrevistas antes ou após as atividades. O Botafogo, entretanto, fechou tudo após a invasão de torcedores ao treino de quarta-feira, no campo anexo do Estádio Nilton Santos.

“Deixar de conceder uma entrevista é muito mais que abafar o trabalho da imprensa. No caso do Botafogo é mostrar falta de competência, evitar a exposição do conteúdo ao torcedor, ter cada vez menos espaço na mídia e mostrar que o curso do trabalho não está correto. Se esconder é mostrar medo de enfrentar os problemas. A decisão do Departamento de futebol é lamentável ao evitar a entrevista coletiva do técnico Eduardo Barroca nesta sexta-feira. O torcedor tem direito de ouvir o pensamento do seu treinador.”, escreveu Thiago Veras, da Rádio Tupi.

“Existe no clube quem tenta combater esse tipo de atitude. Falta visão e pulso firme para certas decisões. Estamos em 2019, mas o Botafogo se comunica como se fosse década de 50. Fechar um treino é absolutamente comum e o clube tem total direito de fazer. Com a velocidade da informação é natural esconder certas coisas do adversário. Detalhes podem fazer a diferença. “preservar” a fala do treinador é se apequenar. Futebol é feito de elogios e críticas.”, completou o repórter, que recebeu o apoio de outros jornalistas, como o repórter Edgard Maciel de Sá, do Globoesporte.com.

“Mais uma vez, o departamento de futebol do clube expõe elenco (com salários atrasados) ao julgamento do resultado. Tira do treinador o direito de se defender das críticas que vem sofrendo, de justificar escolhas, para ser avaliado apenas pelos jogos. Temos que nos posicionar contra esta covardia. Não teremos a palavra do Barroca sobre as escolhas para o clássico de domingo, nem veremos o que o elenco tem se dedicado nos treinos esta semana. Mas ao final da partida, ninguém vai lembrar de quem não pagou salários ou fez contratações ruins. A cara que apanha sabemos sempre qual é”, desabafou a repórter Camila Carelli, da Rádio Globo.

Em virtude dos salários atrasados, jogadores – em comum acordo com o departamento de futebol – adotaram a estratégia de falar com a imprensa sem exibir a logomarca dos patrocinadores. Antes, atletas chegaram a ficar sem falar com os jornalistas, como protesto. O Botafogo enfrenta o Fluminense, domingo, às 16h, no Estádio Nilton Santos, pelo Campeonato Brasileiro.

Fonte: Redação FogãoNET