O Botafogo tomou uma medida desesperada neste fim de semana. Depois da derrota por 1 a 0 para o Fluminense neste domingo, o clube decidiu demitir o treinador Eduardo Barroca. O time é o 12º colocado, com 27 pontos, cinco pontos acima da zona do rebaixamento. O desespero bateu porque o time chegou a quatro derrotas consecutivas, sem conseguir jogar bem, e o clube já olha com temor para a parte de baixo da tabela. Ter preocupação é compreensível, ainda mais porque a manutenção na primeira divisão é condição primordial para o projeto de transformar o clube em empresa. O problema é: o que fazer? O Botafogo precisa saber o que quer. Demitiu o treinador sem saber por que, já que essa parece a única medida que os dirigentes sabem tomar em momentos ruins.

O Botafogo tem uma campanha ruim no Campeonato Brasileiro. O 12º lugar vem com uma campanha de oito vitórias, três empates e 12 derrotas. São 25 gols sofridos e 19 marcados – menos de um por jogo, portanto. Um número alto demais de derrotas, sem dúvida. Ainda assim, a campanha é, até aqui, de meio de tabela, o que é o esperado.

Há problemas e eles não são poucos. O time não consegue apresentar um bom futebol e é uma equipe que sofre para marcar gols, o que torna qualquer jogo difícil. Só que demitir o treinador que parece ter ideias, ainda que elas não estejam funcionando nestes últimos jogos, só faz sentido se você sabe para onde quer ir. E não parece ser o caso.

O discurso é sempre o mesmo. Ao anunciar a demissão, o vice-presidente de futebol do Botafogo, Gustavo Noronha, usou palavras vazias. “Tivemos uma reunião com a diretoria, optamos pela mudança no comando técnico da equipe. Confiamos muito no trabalho do profissional Eduardo Barroca, nos ajudou bastante. É um profissional que tem o nosso total respeito e do elenco”, disse ele. Parece que ele é o novo treinador, não o demitido, certo?

“Tivemos reunião com os atletas, que têm carinho e admiração grande pelo treinador. Não foi uma decisão fácil, foi muito complicada, porque o trabalho vinha sendo desenvolvido em bases sólidas. Foi necessária essa alteração, precisamos de reação imediata nesse momento”, continuou Gustavo Noronha.

O que impressiona não é a demissão, que é bastante comum, mas sim as palavras do dirigente ao anunciar a decisão, cheias de elogios ao técnico demitido. É uma loucura, porque se Barroco é “um profissional que tem o nosso total respeito e do elenco”, por que demiti-lo, afinal? A resposta é simples e, ao mesmo tempo faz pouco sentido: porque o time tem medo de ser rebaixado. Assim, precisa fazer alguma coisa. Sem saber o que fazer, faz isso: demite e torce para dar certo. Ou seja: basicamente, joga para o alto e reza.

Segundo o Globoesporte.com, o elenco do Botafogo fez tudo para impedir a demissão de Barroca. Antes do anúncio, o elenco intercedeu com a diretoria para pedir mais tempo para o treinador. O gerente de futebol Anderson Barros também era contra a demissão, que foi decidida pela diretoria e bancada pelo presidente.

É preciso ressaltar que o Botafogo vive em uma situação financeira difícil. Os jogadores estão com dois meses de salários atrasados, como todos os funcionários. O clube ainda perdeu Erik, que estava emprestado pelo Palmeiras e foi vendido ao Yokohama Marinos, do Japão. Ele ainda é o vice-artilheiro do time no ano, com nove gols.

O início de Barroca pelo clube, justamente quando começou o Campeonato Brasileiro, foram quatro jogos e três vitórias, perdendo a estreia e emendando três partidas. O problema de um técnico que começa bem é que as expectativas parece que sobem junto e aí, quando o time entra no que seria o seu ritmo normal – e parece o caso do Botafogo no atual Brasileirão -, a sensação é que o time piorou muito.

Em campo, Barroca vinha sofrendo para conseguir achar o time. Não só em nomes, mas principalmente no modo de jogar. Nos seus primeiros jogos, quando conseguiu resultados, o time tinha muita posse de bola, trocava muitos passes e tentava chegar ao ataque de modo paciente. Só que os resultados pioraram e Barroca começou a buscar outras formas de jogar, sem sucesso. E pareceu mudar tanto que o time foi ficando perdido em campo.

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Ainda assim, é um técnico que tem buscando encontrar o caminho e mostra ter boas ideias. O time já mostrou futebol melhor e ainda está longe de ser uma situação de desespero. Ao menos olhando a tabela e os jogos. A diretoria, porém, quis assim. E agora o Botafogo terá 15 jogos até o fim do ano para não perder o rumo de vez e evitar a queda para a Série B, que certamente complicaria demais os planos de transformar o clube em uma empresa.

Sobre o nome que irá substituir Barroca, as palavras da diretoria foram também bastante vazias: “Não vamos buscar o profissional A, B ou C porque o presidente ou o vice de futebol querem. As decisões são tomadas de acordo com os nossos atletas e com a montagem que foi feita do nosso elenco. Vamos buscar um profissional adequado com a nossa forma de jogar”, disse ainda o vice-presidente de futebol, Gustavo Noronha. Quais seriam essas características? Difícil saber.

Os nomes cotados mostram que, como é bastante comum, a diretoria não sabe para onde correr. Jair Ventura, ex-treinador do Glorioso, é um dos nomes cotados, assim como Enderson Moreira, recém-saído do Ceará, e Alberto Valentim, que dirigiu o time no começo da temporada passada, 2018, e conquistou o título carioca.

Quando não se sabe exatamente por que o time perde os jogos, é difícil encontrar o nome certo, porque você não sabe quais os problemas precisa resolver. Então, é basicamente um tiro no escuro, na base da tentativa e erro para não pecar pela omissão.

A tabela reserve ao Botafogo o Goiás na próxima quarta, o Palmeiras no sábado e o Vasco na quarta que vem. No fim de semana seguinte, no dia 21 de outubro, o Botafogo recebe o CSA. Sabe-se lá quem será o técnico.

Fonte: Trivela