Situação financeira crítica, poucos recursos em caixa e separação do futebol como único caminho possível. Estes foram alguns dos pontos apresentados aos conselheiros e dirigentes que aprovaram, por unanimidade, a transição do da gestão futebolística do Botafogo para o modelo empresarial. A reunião com quase três horas de duração, na última quinta-feira, em General Severiano, já é apontada por muitos como um dos dias mais importantes da história do Glorioso.

O líder do processo Laércio Paiva, foi o responsável por grande parte da exposição, junto com os advogados André Chame, Marcelo Trindade e Marcelo Saad. Segundo o demonstrado por eles, o projeto iniciado no início de 2018 demandou mais de 200 reuniões de trabalho, 25 com investidores e dez com fundos especializados. Foi também necessária a contratação de sete empresas e de profissionais especializados de dentro e de fora do clube até que se concluísse o plano de negócios a ser demonstrado aos investidores.

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Na sequência, foi exibido o aspecto, que talvez tenha sido o mais convincente para a aprovação unânime da migração para a S/A. Segundo os expositores, o Botafogo vive um cenário de crise financeira “dramática e terminal”. O clube estaria devendo a atletas e funcionários os direitos de imagem desde Setembro, os salários de Novembro e estaria sem recursos para pagar os salários de Dezembro, parte do 13º salário e os salários de Janeiro de 2020. Além disso, as receitas de receitas de transmissão de 2020 e parte de 2021 estariam penhoradas e, com isso, não haveria recursos suficientes para continuar arcar com as despesas correntes. Tudo isso teria deixado o Glorioso sem crédito na praça, com um passivo que se aproxima de R$1 bilhão.

A solução apontada foi a separação dos ativos do futebol (contratos, dívidas, Estádio Nilton Santos, futebol de base e CT), principais fonte de receita. Somente com a atração de investidores seria possível formar um time de competitivo e rentável. Para isso, os interessados devem aportar recursos no futebol, no total de R$ 200 milhões, e adquirir as dívidas privadas do clube, estando dispostos a receber no tempo mais adequado à reestruturação.

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Feito isso, a SPE (Botafogo S/A), então, vai conseguir ter dinheiro em caixa e pagar royalties pelo uso da marca Botafogo e pelos ativos do futebol ao Botafogo Futebol e Regatas (clube-social). Os funcionários ligados diretamente a atividade fim do Departamento de Futebol serão transferidos para a SPE. Os demais, junto com os prestadores de serviços terão a situação analisada caso-a-caso junto com o BFR. A ideia é quitar, dessa forma, todas as pendências trabalhistas.

Além de receber royalties pagos pela S/A, o clube-social vai se manter com a cobranças de taxas de manutenção, aluguéis e cessão de espaços, excedentes dos royalties, projetos incentivados e receitas de propaganda e publicidade. O dinheiro recebido pelo BFR, obrigatoriamente deverá ser destinado ao pagamento do Profut, dívidas renegociadas e créditos residuais.

Para que a transição seja inciada, ainda é necessário que os sócios referendem a o projeto aprovado pelos Conselheiros. Uma Assembleia Geral Extraordinária com este fim foi agendada para o próximo dia 27. Carlos Augusto Montenegro, presidente do Botafogo na campanha do título brasileiro de 1995, e Laércio Paiva afirmaram que, se tudo for aprovado na Assembleia Geral, o tempo estimado para que a mudança de gestão ocorra é de três a cinco meses.

Fonte: Lance!