O presidente Carlos Eduardo Pereira vem tendo grandes dificuldades em formar o elenco do Botafogo para a próxima temporada. A intenção inicial era usar o goleiro Jefferson, o zagueiro André Bahia, o volante Gabriel e o meia Daniel como espinha dorsal da equipe e reforçar o time a partir deles. Mas André foi para o futebol japonês e os dois meio-campistas pediram desligamento na Justiça, deixando a situação ainda mais problemática.

Com isso, mais do que nunca o Alvinegro deve ter de recorrer às divisões de base para montar o grupo de 2015. Nomes como o goleiro Andrey, o lateral-direito Gilberto, os zagueiros Dória e Matheus Menezes, os volantes Gabriel, Andreazzi, Sidney, Fabiano e Dedé, os meias Daniel, Cidinho e Gegê e os atacantes Sassá e Vitinho já tiveram sucesso recente na equipe, mostrando que a base do clube está bem servida.

Agora, o ano que vem precisará revelar novos jogadores para o técnico René Simões. Com as dificuldades financeiras, o Glorioso vai recorrer com força aos pratas-da-casa, que vem fazendo bom trabalho no ano – os juniores levaram o título do Campeonato Carioca, ficaram com o vice no Torneio OPG e mostraram bom futebol no Brasileiro Sub-20, apesar da eliminação para o Cruzeiro nas quartas de fina. Confira os principais nomes que podem pintar entre os profissionais do Bota a partir de janeiro.

André Luís – meia – 1994

Começando com a boa geração dos nascidos em 1994 (que já revelou anteriormente Dória, Dedé, Andreazzi, Sidney, Gegê e Sassá), que estão estourando a idade para jogar nos juniores e tem de ser promovidos de qualquer forma. Contratado junto ao Grêmio no começo do ano, o meia-atacante André Luís já figurou no banco do time profissional no Campeonato Carioca – com os titulares se poupando para a Libertadores, ele ganhou chance entre os reservas na vitória sobre o Bonsucesso, mas não chegou a entrar em campo. Titular desde que chegou, ele é habilidoso e mostrou faro de artilheiro mesmo não jogando tão perto da meta adversária: anotou 12 gols na temporada. Pode ser o nome a substituir Daniel, mas precisa ainda acertar a renovação de contrato, que só vai até o próximo dia 31 de dezembro.

Jean – lateral-esquerdo – 1994

Outro que tem tudo para conseguir oportunidades no ano que vem entre os profissionais, Jean foi titular da esquerda durante todo 2014 nos juniores e mostrou muita personalidade. É o cobrador oficial de pênaltis do time sub-20 e já vem dominando a posição na categoria desde o segundo semestre do ano passado – ele foi contratado em 2012 após se destacar enfrentando o Bota pelo modesto Progresso, clube de Ouro Preto, na Taça Belo Horizonte. A posição é das mais carentes no elenco principal com as saídas de Júlio César e Júnior César, e Jean terá a concorrência apenas de outros dois pratas-da-casa, Guilherme e Renan Lemos, e do contestado Lima, que volta de empréstimo. Não se surpreenda se conquistar a posição ao longo de 2015 – ele tem contrato até dezembro do ano que vem e precisa mostrar serviço para continuar.

Andrade – meia/lateral – 1994

Contratado em março vindo do Flamengo, o versátil atleta chegou a ser relacionado pelo técnico rubro-negro Jayme de Almeida nos profissionais no ano passado, mas nunca entrou em campo. Andrade pode jogar como lateral-esquerdo ou meia e, embora tenha sido reserva nos juniores do Glorioso, costumava entrar bem e dar muitas assistências desde o momento em que estreou pelo clube, na Taça Rio Sub-20 deste ano. Tem contrato longo, até fevereiro de 2016, e pode fazer valer a versatilidade e eficiência para conquistar espaço com René Simões.

Dill – volante – 1994

Dill tem situação mais difícil. Titular na Taça Guanabara Sub-20 deste ano, o volante se machucou e só voltou a figurar entre os relacionados dos juniores agora no fim do ano. Ele chegou ao Bota em 2013 vindo do Cruzeiro, onde fez o resto da base, e como a posição da cabeça de área é bem servida de jovens no profissional, pode encontrar dificuldades para se firmar. Tem contrato até o fim de 2015.

Vinícius Tanque – atacante – 1995

Mudando para os nascidos em /95. Embora ainda tenham mais um ano de juniores para se desenvolver, é possível que alguns desta geração sejam promovidos logo para compor o elenco de René Simões a partir de janeiro por conta das dificuldades financeiras em reforçar o time. E Vinícius aparece como o principal nome. Artilheiro do time sub-20 na temporada com 17 gols, o centroavante é conhecido pela força física e chegou a ficar no banco de reservas com Vagner Mancini na derrota para o Goiás, ainda no primeiro turno. Apesar de tudo, chegou a ser barrado durante o ano para companheiros de equipe como Paulo, Jefferson e Luiz Henrique, este último grande promessa que está ainda no primeiro ano de juniores. Ainda tem contrato até maio de 2016.

Fernandes – meia – 1995

Considerado o craque do time, Fernandes é outro mais novo que pode conquistar espaço em breve. Durante todo o ano, o Bota sentiu falta de um organizador no meio campo, e o camisa 10 dos juniores poderia muito bem ocupar essa lacuna nos profissionais. Com muita técnica e bom passe, é considerado futuro craque desde a categoria sub-15 e tem contrato até o meio de 2016. Ainda é versátil, com bom chute, e pode atuar mais recuado como segundo volante.

Igor Rabello – zagueiro – 1995

A zaga parece ser uma grande fonte de dor de cabeça para os alvinegros no futuro. Com apenas o perseguido Dankler e o inexperiente Matheus Menezes como opções após as dispensas de Bolívar e Mario Risso e a saída de André Bahia, René Simões inevitavelmente vai promover jogadores da base para compor o grupo. Rabello é a principal possibilidade, com algumas convocações para a Seleção Brasileira Sub-20 (embora tenha ficado fora da lista para o Sul-Americano do ano que vem) e presença no banco de reservas na reta final do Brasileirão. Já havia treinado entre os profissionais no ano passado com Oswaldo de Oliveira ainda aos 18 anos. Tem contrato até junho de 2016.

Emerson – zagueiro – 1995

O outro zagueiro titular dos juniores em boa parte do ano também pode ser aproveitado. Emerson ficou no banco de reservas do time principal no Campeonato Carioca na derrota para o Boavista, e apesar da posição bate bem na bola, sendo cobrador de faltas e pênaltis – mas perdeu o decisivo na eliminação para o Cruzeiro no Brasileiro Sub-20 esta terça. Pode jogar também nas duas laterais e já tinha espaço na categoria desde a Copa São Paulo de 2013, mas ficou no departamento médico por alguns meses na atual temporada.

Saulo – goleiro – 1995

Saulo pode aparecer entre os profissionais com mais frequência caso o ídolo Jefferson deixe General Severiano. O goleiro já ficou no banco com Mancini nas partidas contra Palmeiras e Corinthians no segundo turno, quando o titular estava defendendo a Seleção Brasileira e o reserva Andrey estava com a Seleção Olímpica. Chegou no começo do ano vindo do Corinthians de Alagoas e conquistou a titularidade a partir da Taça Rio Sub-20, mostrando muita segurança e bons reflexos.

Leandro – meia – 1996

Único representante da geração /96 na lista, Leandro aparece aqui por já ter sido promovido este ano. O meia ficou no banco na derrota para o Figueirense no segundo turno. Ex-Flamengo, o jovem chegou ao Alvinegro no ano passado ainda para a categoria juvenil e foi alçado aos juniores em 2014, ganhando espaço a partir da Taça Rio Sub-20. É o meia de criação que falta no elenco profissional, mas pode ficar atrás de Fernandes na disputa. Além dele, outras boas promessas da geração 1996, mas que ainda devem ficar ao menos mais um ano na base, são o lateral-direito Diego, o lateral-esquerdo Yuri, os volantes Mauro e Johnson, o meia Gustavo e os atacantes Marcinho, Renan Gorne e Luiz Henrique.

Fonte: FutNet