A contratação de Vanderlei Luxemburgo seria uma boa opção para o Botafogo-RJ no momento. A identificação dele com o clube vem desde os anos 60, quando iniciou sua carreira como jogador nas categorias de base.

Depois, Luxemburgo passou por Flamengo e Inter-RS, antes de retornar ao Botafogo para encerrar a carreira. Como técnico, porém, nunca teve a oportunidade de dirigir a equipe carioca.

Ele saberia como lidar com a panela de pressão que se tornou General Severiano nos últimos dias, após a eliminação na Libertadores. Os dirigentes parecem perdidos. Quais os objetivos do Botafogo? Lutar pelo título ou apenas fazer uma campanha digna na Série A?

Nem eles mesmos demonstram saber a resposta. Um técnico inexperiente, neste momento, não saberia como ajudar a cúpula botafoguense a planejar a montagem da equipe para os próximos meses. Seria uma aposta arriscada. Com uma eventual chegada de Luxemburgo, a responsabilidade maior recairia sobre  ele, mais calejado em articular times à sua maneira.

E a equipe do Botafogo, montada desde os tempos de Oswaldo de Oliveira, tem potencial e uma espinha dorsal já estruturada, o que facilita o trabalho de qualquer treinador. O elenco do Botafogo tem muito do que Luxemburgo precisa para render bem. Mescla jogadores novos e experientes, tem um estilo fluente, que se completa: até os jogadores de pegada têm qualidade na saída de bola.

Os últimos fracassos do treinador podem ter arranhado, mas não anulam o conhecimento que ele acumulou no mundo do futebol. E nem as suas conquistas anteriores. Como qualquer pessoa, ele tem condições de reencontrar seu caminho. Luxemburgo, porém, precisa voltar a se concentrar exclusivamente nos seus trabalhos. Não adianta, de forma quixotesca, buscar controlar a tudo e a todos no clube, chamando para si os holofotes.

Assumindo ou não o Botafogo, trata-se do clube que, em seu símbolo, carrega a mensagem mais sábia para conter a vaidade do treinador, que muito o prejudicou no passado.  O mais importante é o grupo. Para voltar a vencer, não adianta Luxemburgo querer ser a estrela solitária.

Fonte: Eugenio Goussinsky - R7