Na última terça-feira (7 de fevereiro) o Atlético Tucumán-ARG ganhou as manchetes de todo mundo ao entrar em campo com chuteiras e uniformes emprestados diante do El Nacional-EQU pela partida decisiva da segunda fase da Conmebol Libertadores Bridgestone. Vestindo a camisa da Seleção Argentina, a equipe que disputa pela primeira vez o torneio continental, conseguiu a inédita classificação após vitória por 1 a 0. O fato, porém, não é novidade no mundo da bola. Em agosto de 1996, há mais de 20 anos atrás, o Botafogo entrava em campo com a camisa do Deportivo La Coruña-ESP na decisão do Troféu Teresa Herrera, contra a na época tricampeã italiana e também da UEFA Champions League, Juventus, que acabou derrotada.

Disputado no Estádio Riazor, a casa do Deportivo La Coruña, o torneio amistoso também reuniu o Ajax, que no ano anterior havia sido o campeão da UEFA Champions League (1995), com uma equipe que ainda contava com os astros Van der Sar e os irmãos Frank e Ronald De Boer. Para o Botafogo, a participação serviria para coroar o título do Brasileiro de 1995. No elenco, ainda restavam o artilheiro da competição com 23 gols, Túlio Maravilha, o zagueiro Wilson Gottardo e o goleiro Wagner.

Com a vitória por 2 a 1 sobre os donos da casa na estreia, o Alvinegro Carioca se credenciou à disputa da final, diante da Juventus que havia aplicado uma senhora goleada por 6 a 0 sobre os holandeses do Ajax, com direito a gols de Del Piero, Amoruso e Di Livio. Foi nesse momento que toda a ‘confusão’ teve início. Com uniformes bastante parecidos, uma das equipes teria que abrir mão da tradição, o que ficou a cargo do Botafogo, já que os italianos simplesmente se recusaram a usar o seu uniforme alternativo.

Em entrevista exclusiva ao FOXSports.com.br, o defensor e capitão da equipe na época, Wilson Gottardo, contou que a decisão passou pela organização do torneio, com os dirigentes da Juventus exigindo que a equipe entrasse em campo com o seu tradicional uniforme. Fato que deixou em evidência toda a ‘soberba’ dos italianos.

“Naquela época não se viajava com a quantidade de material de jogo que hoje se utiliza nas viagens. O segundo uniforme do Botafogo ainda não estava pronto, e por acaso a comissão levou apenas a camisa alvinegra. Apesar de toda a negociação da nossa diretoria com a Juve, não teve jeito, e por gentileza do La Coruña, entramos em campo com a camisa azul e branca deles emprestada”.

Para Gottardo, porém, a mudança extravazou o campo das quatro linhas, já apontando para uma desvalorização do futebol brasileiro sob o ponto de vista dos clubes europeus, que antes mesmo do apito inicial, já queriam fazer valer a sua ‘superioridade’.

“Naquela época, o futebol italiano estava em alta, assim como a escola holandesa. Mas foi algo incompreensível, não entendíamos o porquê de toda aquela prepotência em relação aos clubes brasileiros, porque felizmente a nossa Seleção ainda era respeitada”, afirmou.

O fato, porém, trouxe mais forças para o Botafogo, que acabou conquistando a torcida do La Coruña. Na decisão, após um 4 a 4 no tempo regulamentar, com Túlio Maravilha e Di Livio marcando três gols cada, a disputa por pênaltis acabou coroando a equipe carioca, que com grande atuação do goleiro Wagner, que agarrou três penalidades, se sagrou campeã do Troféu.

“Foi o troféu mais bonito que eu já conquistei, belíssimo, nunca vi nada igual! Até hoje guardo a camisa do La Coruña”, completou o ex-capitão Alvinegro.

Fonte: Fox Sports