Há duas semanas, Diego Souza acionou o Sport na Justiça do Trabalho, cobrando cerca de R$ 1 milhão por salários atrasados. Dois dias depois, em função da crise financeira leonina, ele teve a contratação descartada pela diretoria. Sem condições de colocá-lo no orçamento, no dia 20 de dezembro de 2019, o Leão deu o assunto por encerrado. Mas, justo quando se imaginava que os caminhos de ídolo e clube estavam cada vez mais distantes, eles voltaram a se encontrar. E a novela do camisa 87 ganhou mais um capítulo.

De olho em sanar as dívidas e ainda contar com o sonho da torcida rubro-negra, o clube conversou com o staff do jogador, apresentando o projeto de fazer uma composição entre o pagamento da dívida cobrada em processo e o salário do meia-atacante nesta temporada. Agora, o Sport aguarda esta sexta-feira para saber se terá chances. É quando a cúpula do Botafogo se reúne e, entre outros pontos, debaterá o tema.

Essa é uma história complexa, e para entendê-la é preciso voltar alguns capítulos. Fato é que o futuro de Diego Souza está indefinido desde novembro do ano passado, quando ficou fora dos planos de renovação com o São Paulo – que detinha seus direitos. Na Ilha do Retiro, o nome do jogador voltou a ganhar força na penúltima rodada da Série B de 2019, no dia 20 de novembro, quando o pai do camisa 87 revelou torcer pela volta do atleta ao clube. Seis dias depois, o presidente Milton Bivar, preocupado em reorganizar as finanças, apontou o retorno do jogador como difícil. Mas não demorou até as esperanças reacenderem novamente.

No dia 6 de dezembro, quando reapresentado, o técnico Guto Ferreira deixou as portas do clube abertas para o meia. Mas ressaltou que isso poderia acontecer desde que dentro da realidade do Sport. Diego Souza ainda chegou, inclusive, a ser um dos assuntos mais comentados nas redes sociais, com a campanha #VoltaDS. Lembra? Pois bem, uma semana depois, por fim, o jogador acionou o clube na Justiça e, distante financeiramente, teve a contratação descartada pelo Leão.

O que mudou?

É que, agora, o projeto do Rubro-negro une a contratação do jogador com a repactuação de dívidas. Desse modo, visa negociar o débito referente a um acordo firmado no distrato de Diego Souza com o Sport, ainda no início de 2018. Na ocasião, o jogador havia acertado um acordo de parcelamento de salários atrasados, com a gestão de Arnaldo Barros. Mas, desde então, apenas uma de dez parcelas foi quitada pelo clube. A ação tem audiência inicial marcada para o dia 5 de fevereiro, na 14ª Vara do Trabalho do Recife. Antes dela, o Sport precisará quitar o pagamento quando comparecer para a primeira audiência, sob pena de pagá-la posteriormente com acréscimo de 50% em cima do valor devido.

Por que o Sport aguarda esta sexta-feira para saber se terá chances pelo jogador?

Neste dia 3 de janeiro, o Botafogo, clube que Diego Souza defendeu na última temporada, planeja definir o futuro de Diego Souza. O que acontece é que, no acordo para empréstimo do atleta pelo São Paulo, em março do ano passado, ficou definido que caso não houvesse interesse do Tricolor em renovar, o clube carioca assinaria por dois anos. No Botafogo, porém, ele chegou a ser apontado como “peso” financeiro pelo ex-presidente, agora integrante do Comitê Executivo de Futebol do clube, Carlos Augusto Montenegro, e está fora dos planos para 2020. Afinal, o Alvinegro arcou com o salário integral do meia, que gira em torno de R$ 600 mil.

Reconhecendo a dificuldade do clube no início do ano, o atleta aceita uma redução salarial, mas o Botafogo dificilmente fará esforços para seguir com ele no elenco. Com isso, o clube carioca tenta firmar um acordo para negociar a multa que precisaria pagar em caso de não cumprimento do previsto no contrato.

Aos 34 anos e vindo de duas temporadas sem destaque, Diego Souza dificilmente conseguirá manter o patamar salarial do último ano. E essa possibilidade alimentou as esperanças do Sport. Isso porque, com R$ 125 milhões em dívidas e uma lista de mais de 30 credores – entre técnicos e jogadores, além de valores devidos a funcionários, que não foram divulgados pelo clube. O Leão terá uma receita menor que em outros anos na Série A do Brasileiro. E a diretoria afirmou que não consegue arcar com salários acima da casa dos R$ 150 mil, valor quatro vezes menor do que o meia-atacante recebia no ano passado. O clube, no entanto, trabalha nos bastidores para aumentar esse teto para R$ 200 mil.

Referência técnica no elenco em quatro das últimas cinco Séries A que o Sport disputou – ele estava no time nas edições de 2014 a 2017 -, Diego Souza fez 173 jogos e marcou 57 gols pelo Leão. Comprado pelo São Paulo justamente ao Rubro-negro por R$ 10 milhões, em 2018, o camisa 87 vem de duas temporadas com baixo aproveitamento se comparado aos últimos anos na Ilha do Retiro. Sem espaço no Tricolor, foi emprestado ao Botafogo, pelo qual disputou 41 partidas, marcou nove gols e chegou a ficar no banco de reservas em algumas partidas.

Fonte: WSCom e Globoesporte.com