Substituir o maior ídolo de uma instituição não é tarefa para qualquer um. Em 1964, quando Nilton Santos anunciou que penduraria as chuteiras, muitos torcedores do Botafogo se questionaram sobre o futuro da defesa da equipe, visto que “a Enciclopédia” era um exemplo de qualidade técnica. Dois anos depois, a resposta chegou: Sebastião Leônidas.

O defensor dedicou boa parte de sua vida ao futebol – e, neste contexto, grande parcela ao Botafogo. Como jogador, ficou no Alvinegro até 1971. Depois de se aposentar, virou treinador e o Alvinegro foi justamente o primeiro clube que comandou, em 72 e 73 – posteriormente, retornaria ao Glorioso em mais três oportunidades: 77, 83 e 86. Desde 2011, trabalhava nas categorias de base, em Caio Martins.

Na última semana, o Botafogo anunciou, em detrimento das dificuldades financeiras geradas pela pandemia do coronavírus, a demissão de 45 funcionários. Entre eles, Sebastião Leônidas. O desligamento do ex-zagueiro causou comoção e certa revolta entre os torcedores nas redes sociais.

Dentro de campo, Sebastião formou, ao lado de nomes como Moreira e Waltencir, a defesa que seria campeã carioca e brasileira – a primeira Taça Brasil da história do Botafogo – em 1968. Leônidas foi fundamental em ambas as conquistas. Além disto, também venceu outro Estadual, em 1967, e esteve nos três torneios de Caracas, em 1967, 1969 e 1970, que o Alvinegro tenta pleitear como Mundiais atualmente.

Até hoje, é considerado um dos maiores zagueiros da história do Botafogo. Foi comumente colocado em tal posto nas seleções de todos os tempos do Alvinegro organizadas pela “Revista Placar” nos anos 80 e 90. Ao todo, foram 247 partidas disputadas.

As atuações de Leônidas eram tão impressionantes que ele teria jogado a Copa do Mundo de 1970, mas uma lesão de última hora tirou o zagueiro do elenco que conquistou o tri no México.

“MESTRE CONTRA APRENDIZ” E A GOLEADA NO CLÁSSICO

Logo depois de se aposentar, Sebastião Leônidas passou a ser treinador. Da casamata, assumiu o Botafogo, em outubro de 1972, justamente o clube que havia encerrado a carreira.

Assim como atleta, a missão de Leônidas não era nada fácil: substituir Zagallo, campeão nacional em 1968, que havia deixado o Botafogo – onde havia treinado o próprio Sebastião – para assumir a Seleção Brasileira de forma definitiva em 1970. Antes do ex-zagueiro, três nomes tentaram percorrer este caminho: Paulinho de Almeida, Paraguaio e Tim.

É verdade que Leônidas deixou o comando do Botafogo sem nenhum título, mas uma vitória sob o comando do ex-defensor ficou marcada na história do Alvinegro. Era 1972. Maracanã, 20ª rodada do Campeonato Brasileiro. Festa nas arquibancadas para comemorar o aniversário de 77 anos do Flamengo e… goleada de 6 a 0 do Glorioso, com três gols de Jairzinho, dois de Fischer e um de Ferreti.

O treinador do Flamengo era, coincidentemente, Zagallo – o primeiro técnico que teve no Botafogo. Por mais que Leônidas não tenha sido tão vitorioso na função de técnico como foi dentro de campo, a goleada é lembrada todos os anos pelos torcedores.

NA BASE: O QUERIDO “SEU LÉO”

Leônidas não abandonou o futebol quando deixou de ser treinador. Mais precisamente, não abandonou o Botafogo. Em 2011, foi convidado para trabalhar nas categorias de base do clube.

Inicialmente, trabalhou como coordenador dos times inferiores do Glorioso. Nos últimos anos, ficou mais focado na sede de Caio Martins, em Niterói, na função de observação de atletas nos diversos processos seletivos. Apelidado carinhosamente de “Seu Léo” pelos funcionários, o ex-atleta era querido e uma figura amistosa no dia a dia do Glorioso.

Das quatro linhas para a casamata e, então, para os olhos administrativos, Sebastião Leônidas passou mais de 50 anos no Botafogo. O ex-zagueiro completou as “bodas de ouro” com o Alvinegro, mas a relação chegou ao fim.

Fonte: Terra