Alex Alves foi um atacante bem conhecido no futebol brasileiro na primeira década do século. Homônimo e contemporâneo daquele ex-Palmeiras e Cruzeiro que morreu em 2012, este despontou na Portuguesa, foi comprado pelo Cruzeiro em 2003 e viveu os melhores anos da carreira no Botafogo, entre 2004 e 2005, antes de ser vendido ao futebol turco. Parou cedo, aos 33 anos. Hoje aos 43 é técnico do Juventus, tradicional clube paulistano onde começou a terminou a carreira de jogador.

“Essa ligação é coisa de Deus, porque eu moro na Mooca. Quando não era no Brás, meus pais no Belenzinho, em cinco minutos de carro estou em casa. Cheguei no clube aos 12 anos de idade e até hoje encontro o pessoal daquela época, que me viu com cabelo estilo Chitãozinho e Xororó. Essa identificação é muito legal”, conta, ao UOL Esporte, o treinador com três anos de carreira e passagens por Portuguesa sub-17, Nacional e Juventus, onde trabalha há mais de um ano.

Já como atleta foram 14 temporadas. As melhores pelo Botafogo. E por isso ele se arrepende de ter topado a proposta do Denizlispor, da Turquia, em janeiro de 2006, e encerrado a passagem pelo clube em que se considera ídolo até hoje. Foram 34 gols em duas temporadas em que ele foi o principal artilheiro botafoguense e goleador da Copa do Brasil (2004). Saiu sem títulos, mas com lembranças inesquecíveis.

“Títulos como eu tive no Cruzeiro sempre coroam, são o ápice, a cereja do bolo. No Juventus sou o único da história do clube artilheiro do Paulistão, na Portuguesa foi muito marcante. Mas os dois anos que fiquei no Botafogo são especiais, dois anos de lua de mel com a torcida, fiz bastante gol. Futebol carioca há 15 anos era muito forte, alavancou muito a minha carreira. Eu ia cruzar e a bola entrava, aquela fase em que tudo dava certo. Se eu tivesse ficado teria sido melhor, porque no ano seguinte o time foi campeão carioca, teve ótima campanha no Brasileiro. Mas até hoje a torcida me tem como ídolo mesmo sem título”, comemora o autor do último gol oficial do Bota no estádio Caio Martins, em Niterói.

Primeiro drama: calote na Turquia

Alex Alves saiu do Botafogo para realizar o sonho de jogar na Europa, mas viveu um pesadelo. Ele assinou contrato de meia temporada e não recebeu nenhum salário neste período: “Aqui no Brasil fica dois ou três meses com salário atrasado, mas sempre paga. Lá eu fiquei todos os meses sem receber e achavam ruim que eu cobrava. Na época eu estava construindo um imóvel em São Paulo e o valor era alto, precisava mandar dinheiro. Eu peguei uma luva boa e dei, mas minha família (pais e três irmãos) precisou vender os carros para continuar pagando. Só quando eu voltei dei um carro para cada de novo e tudo se acertou.”

O atacante recorreu à Fifa e recebeu todo o valor devido pelo Denizlispor após um ano e meio. Antes disso, assinou com a Portuguesa para terminar a temporada 2006 e salvou o time do rebaixamento à Série C com um gol na última rodada. Recolocou o nome no mercado e assinou com o Juventude para o ano seguinte.

Segundo drama: injustiça em doping

Em abril de 2007, a Justiça Desportiva do Rio Grande do Sul flagrou Alex Alves no exame antidoping por uso do estimulante sibutramina. Ele foi imediatamente barrado do time pelo qual já tinha feito quatro gols no Campeonato Gaúcho e acabou suspenso por cinco meses. Ele cumpriu a punição, mas se considerou injustiçado. Mais tarde, foi indenizado pela empresa fabricante de um suplemento alimentar que havia sido recomendado por profissionais do Juventude. O lote estava contaminado com a substância dopante.

“Foi uma das minhas maiores decepções com o futebol. Porque foi provado que eu era inocente e mesmo assim tive que cumprir pena. Na época a empresa mandou uma carta falando que eles estavam errados mesmo, mas como a substância estava na minha urina não teve saída. Recebi uma indenização muito boa, mas foram seis meses sem jogar bola. E eu cheguei com a certeza que íamos fazer um belo Brasileiro, mas o time acabou caindo. E depois, mesmo com tudo provado, quem ia pegar um cara que não jogava há seis meses”, questiona o atacante.

Alex Alves disputou um Campeonato Paulista pelo Mirassol em 2008 e depois atuou em clubes como Brasiliense, Madureira e Juventus, onde parou em 2010, aos 33 anos.

“Eu tive uma cirurgia de ligamento cruzado e depois estourei o púbis. São coisas que te limitam muito. Graças a Deus financeiramente eu podia viver dos meus aluguéis, tranquilo. Não quis teimar no futebol. Minha família não quis que eu parasse, mas tomei a decisão. Fui até onde pude, lembram de mim até hoje como um bom jogador.”

Da loja de tecido às aulas de Carille

Alex Alves ficou quatro anos parado depois de pendurar as chuteiras. Além de curtir a família, ele passou a administrar uma loja de tecidos que a família tinha no Brás. “Eu gostava de trabalhar, mas não tinha aquela paixão para estar ali. Até que um dia meu irmão perguntou porque eu não fazia um curso nessa área. Eu fiz e gostei. Aí conheci umas pessoas que me arrumaram um estágio na Portuguesa, onde eu conheci o Anderson, ex-zagueiro do Corinthians”, conta.

“O Anderson me perguntou a ideia que eu tinha sobre sistema tático. Eu disse brincando que minha ideia era a bola sobrar para mim e eu tentar fazer o gol. Ele falou: ‘coisa de atacante, né?’. E me ensinou, começou a falar. Ele passou coisas ricas, que eu não tinha noção. Ao mesmo tempo procurei o Fábio Carille, que jogou comigo no Juventus em 2000 e 2001. Fiquei uma semana lá e ele me passou planos de jogo, trabalhos que eram feitos. Casou com o do Anderson e eu fui adaptando à minha realidade. Assim começou minha carreira”, diz o jovem técnico.

Fonte: UOL