Começou a temporada 2017 para o Botafogo. Nesta quarta-feira, o elenco se reapresentou em General Severiano sob calorosa recepção da torcida – devido, principalmente, à chegada oficial do argentino Montillo. Apesar da euforia, ainda há algumas coisas que vêm tirando o sono do botafoguense.

A diretoria do clube admitiu um pequeno atraso no planejamento, tendo em vista que ainda buscam jogadores de velocidade para o setor ofensivo. Como a pré-temporada já começou e terá duração de apenas 15 dias, o prejuízo técnico e físico já existe. Mas o problema maior nem é esse.

O Botafogo iniciou suas investidas no mercado de transferências assim que se encerrou o Campeonato Brasileiro. Com a vaga assegurada na Libertadores, o clube começou dando indícios de que se reforçaria bem, confirmando o atacante Roger, o goleiro Gatito e o meia João Paulo. Logo depois, iniciou a novela por Montillo, que teve seu final feliz às vésperas do Natal.

No entanto, as boas notícias pararam por aí. Com a perda do bom Danilo Barcelos para o Galo, o clube anunciou dois laterais meia-boca do lanterninha América-MG. Enquanto isso, perdeu Diogo Barbosa para o Cruzeiro e Neílton e Sidão para o São Paulo.

Diante dos fatos, podemos afirmar que o Botafogo fortaleceu o seu meio-campo, mas acabou enfraquecendo a defesa e o ataque. E o mais preocupante: o time está consideravelmente mais lento, sem jogadores de velocidade. Para quem viveu sua grande fase jogando sem a bola e matando jogos no contra-ataque, isso é uma constatação grave.

O que mais chamou atenção foi o fato de ignorarem a necessidade dos extremos – que sequer foram citados por técnico ou dirigentes. Vale frisar que o extremo não se equivale ao “atacante de lado”, embora também exerça essa função.

O Botafogo baseou o seu jogo em duas formações base em 2016: o 4-4-1-1 e o 4-3-2-1 – que nada mais são do que duas variações de um mesmo plano de jogo. Ainda assim, passou toda a temporada improvisando peças pelos lados do campo. Vamos analisar no papel para facilitar:

LineUp Builder

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Os dois esquemas de jogo mais utilizados pelo Bota em 2016

Na primeira parte do ano, o fraco Gegê ganhou espaço devido à sua participação tática: era o único jogador do elenco, até então, capaz de fazer a função de extremo pela esquerda. Enquanto isso, Bruno Silva era improvisado na função pelo lado direito, onde se saiu muito bem. Leandrinho também foi utilizado por ali em algumas oportunidades, mas não rendeu.

Em um segundo momento, já com o time em reformulação em meio ao Brasileirão, Jair assumiu e manteve boa parte da estrutura, mudando apenas o estilo de jogo. Enquanto Ricardo Gomes valorizava a posse sem obter resultados, Ventura foi inteligente e deu a posse ao adversário, jogando fechado com uma trinca de volantes. Sem a bola, Neílton fechava o lado esquerdo – embora com muita dificuldade. Pimpão também foi testado por ali, tendo desempenho razoavelmente melhor, até por ser um jogador mais inteligente.

O fato é que a temporada acabou e ninguém deu importância a isso. Das duas, uma: ou continuaremos improvisando jogadores na função, o que é péssimo; ou Jair iniciará, do zero, uma nova maneira de jogar com as peças que tem – o que também não é nada bom, visto que temos uma decisão daqui a 20 dias.

Com as peças contratadas, o time ganhou em qualidade técnica mas perdeu demais em velocidade. Um time com Airton, Bruno Silva, João Paulo, Montillo, Camilo e Roger fica quase que estático, o que é preocupante.

Foram contratados 6 jogadores (Gatito, Roger, Montillo, João Paulo, Gilson e Jonas), enquanto 11 saíram (Damián Lizio, Gervásio Nuñez, Salgueiro, Geovane Maranhão, Anderson Aquino, Alemão, Lucas Zen, Sidão, Neílton, Diogo Barbosa e Luis Henrique). É claro que praticamente ninguém fará falta, mas é necessário repôr as perdas diante de um ano com tantos jogos e competições diferentes.

Diferente do ano passado, o clube, acertadamente, não fez muitas apostas desconhecidas. Podemos discordar de um nome ou outro, mas sabemos basicamente o que esperar de cada um deles. Vamos aguardar quais são os planos de Jair Ventura para concluir se o planejamento foi acertado ou teve falhas.

Assim que o clube anunciar que o elenco está fechado, analisaremos aqui, nome por nome, as contratações para um desafiador 2017. Vamos juntos nessa nova jornada!

Fonte: Blog Preto no Branco - Pedro Chilingue - ESPN FC