O tempo passou e, 18 anos depois, Botafogo e Vasco se encontram novamente em uma final de Campeonato Carioca. Mas de 1997 para 2015 pouca coisa mudou. Brigas de clubes entre si e com Ferj, influência de Eurico na política com apoio da Federação. Todos os ingredientes fizeram parte das duas competições.

Neste ano o cartola vascaíno, de volta ao poder no clube, foi um dos protagonistas do racha entre a dupla Fla-Flu e a Federação, apoiada por Vasco e Botafogo. A briga começou com a imposição, em arbitral, da redução de preços de ingressos. Rubro-negros e tricolores se posicionaram contra. Vasco e Botafogo, com apoio da Ferj e de seu presidente, Rubens Lopes, a favor. Os clubes pequenos, alinhados coma Federação, salvo o Volta Redonda, foram atrás. E o campeonato rachou. Como em 1997.

A competição disputada naquele ano teve consequências até mais graves. Foram três turnos em disputa. O Botafogo, comandado por Joel Santana, venceu os dois primeiros, Taça Guanabara e Taça Rio. Caso vencesse o terceiro seria campeão de forma direta. O Vasco, então líder da terceira fase do Carioca, agitou os bastidores da competição. Então vice de futebol, Eurico Miranda acionou o presidente da Ferj, Eduardo Vianna, o Caixa D´água, para parasalisar a competição baseado em um argumento: tinha quatro jogadores convocados pelas seleções principal e sub-20.

Carlos Germano e Edmundo estavam com Zagallo para a disputa da Copa América na Bolívia; Pedrinho e Helton teriam de se apresentar à seleção sub-20 para o Mundial da Malásia. Em 26 de maio, a Ferj deu o aval e paralisou o Carioca até o fim da Copa América, em 29 de junho. A medida revoltou o Flamengo, que ainda tinha chances de conquistar o terceiro turno. O clube rubro-negro, revoltado, abandonou o Carioca e perdeu por W.O. as partidas contra Americano e o próprio Vasco, que acabou campeão do terceiro turno.

“O Flamengo lamenta profundamente que essa artimanha venha bagunçar anda mais este campeonato. Essas coisas afastam cada vez mais o torcedor do estádio. A atitude do Caixa D´Água em adiar o jogo mostra claramente que o presidente de fato da Federação é o Eurico Miranda”, disse, à época, o então presidente rubro-negro, Kleber Leite.

A CBF, tentando contornar a situação, adiou a data de apresentação da seleção sub-20, deixando o Vasco com apenas dois jogadores convocados, limite máximo segundo o artigo 100 do regulamento geral no qual o clube cruzmaltino se baseava. Além disso ameaçou o Vasco de punição, que Eurico ignorava.

“Enfrento qualquer punição”, disse o cartola na época.

Por ter vencido dois turnos, o Botafogo entrou na decisão com cinco pontos de vantagem e uma disputa de melhor de sete pontos. Precisava, portanto, de dois empates ou uma vitória para ser campeão. No primeiro jogo, após a Copa América, em 5 de julho, o time vascaíno venceu por 1 a 0. A partida ficou marcado pelo lance em que Edmundo, com a bola nos pés, parou e rebolou na frente de Gonçalves, zagueiro e capitão do Botafogo.

Na finalíssima, o Botafogo venceu por 1 a 0, gol de Dimba, que literalmente comeu grama na comemoração. Ao celebrar o título, os jogadores alvinegros comemoram aos passos da “Dança da Bundinha”, capitaneados por Gonçalves, rebolando para ironizar Edmundo. Diante de tanta confusão, o público no Maracanã foi esvaziado: apenas 16.854 torcedores pagaram para assistir ao jogo.

Em 90, confusão com a “volta olímpica da caravela”

Sete anos, Vasco e Botafogo se enfrentaram em outra decisão que ficou marcada na história do Campeonato Carioca justamente pelos desentendimentos. Tudo por conta do regulamento.

Vencedores da Taça Guanabara e da Taça Rio, respectivamente, Vasco e Fluminense disputariam a final. Mas caso houvesse um time que somasse mais pontos ao longo da competição, ele aguardaria na final a disputa entre os dois. Com isso, o Botafogo apenas esperou pelo adversário, Fluminense ou Vasco.

Com a vitória do time cruzmaltino, o Campeonato Carioca acabou paralisado para a disputa da Copa do Mundo da Itália. Neste tempo, um arbitral foi convocado na Ferj para modificar o regulamento, tentando evitar que o Botafogo precisasse de uma simples vitória para conquistar o título. O clube alvinegro não aceitou e a proposta acabou rejeitada.

No dia 29 de julho de 1990, o Botafogo venceu o Vasco por 1 a 0 gol de Carlos Alberto Dias no Maracanã. O time se considerava campeão e deu a volta olímpica com uma taça. Contrariado, o Vasco acreditava ser necessária ainda uma prorrogação para decidir o título. Com isso, os jogadores deram uma vola olímpica com uma caravela de papelão, cedida por um torcedor da geral do estádio. Mas não houve jeito. Por decisão judicial, o título de 90 acabou referendado pela Ferj ao Botafogo.

Fonte: ESPN.com.br