O texto final da ata de reunião entre Botafogo e Flamengo no último dia 15, antes da primeira partida da semifinal, na sede da Federação de Futebol do Rio, que estabeleceu acordo para a venda de ingressos para as duas partidas, deixa a entender que o rubro-negro está descumprindo o acordo entre os clubes. O documento diz, no plural, que o rubro-negro, assim como o Botafogo ofereceu disponibilizar na partida de ida, disponibilizaria as entradas para visitantes em “pontos de venda”. Os ingressos, no entanto, estão sendo vendidos em um único local, a sede do Botafogo, em General Severiano, na Zona Sul do Rio. O rubro-negro entende que funciona mais de um ponto de venda no local.

— O Flamengo entende que cumpriu o que estava na ata, disponibilizando dois pontos de venda para torcedores do Botafogo. Ambos estão na sede de General Severiano: um para sócio-torcedores do clube, outro para o público em geral. Houve solicitação de ponto de venda no Engenhão, porém o Flamengo informou que teria dificuldades operacionais para realizar e venda lá — afirmou o vice-presidente de administração do Flamengo, Rafael Strauch.

Na segunda-feira, o Botafogo reclamou da falta de vendas no Nilton Santos, na Zona Norte do Rio. Alertado pela reportagem sobre o teor da ata, o Botafogo não se manifestou sobre a questão. Na véspera, o alvinegro reclamou da falta de um ponto de venda no Nilton Santos.

Melhoras na venda nesta terça-feira

A venda de cerca de cinco mil ingressos para a torcida do Botafogo começou com problemas na segunda-feira. Apesar das longas filas formadas e relatos de torcedores que esperaram mais de três horas para efetuar a compra, apenas 852 ingressos foram vendidos. A comercialização das entradas foi feita por funcionários do rubro-negro, mandante na partida.

Nas redes sociais, torcedores do Botafogo reclamaram que havia apenas um guichê aberto para venda, mas o Flamengo afirmou que eram duas bilheterias. Alvinegros reclamaram também de lentidão no atendimento e falta de troco para as entradas, que custavam R$ 150 a inteira e R$ 75 a meia-entrada. Nesta quarta-feira, com a abertura de mais uma guichê para a venda, torcedores relatam que o processo está mais rápido.

— Entendemos que existe sim capacidade de atendimento para a demanda da torcida visitante. E as vendas continuam hoje e ocorrem sem filas — disse Strauch.

Como documentado também na ata, a venda não será feita para visitantes no local do jogo, portanto, não haverá venda no Maracanã na quarta-feira. Assim como aconteceu na segunda-feira, os ingressos serão vendidos nesta terça-feira, das 10h às 17h, em General Severiano. Na quarta-feira, as vendas voltarão a ser feitas na sede do Botafogo, das 10h às 19h.

Botafogo não exerceu direito de compra

Outro detalhe revelado pela ata é que “o Botafogo declarou a impossibilidade de realizar o mesmo procedimento de compra na partida de volta”, como havia feito o Flamengo, que adquiriu todos os ingressos de visitantes do Nilton Santos e revendeu para sua torcida. Com ingressos a R$ 40, o clube rubro-negro pagou R$ 152 mil pelas 3.800 entradas. No caso do alvinegro, com tíquetes a R$ 150 no Maracanã, o valor seria de R$ 750 mil por cinco mil bilhetes.

— Infelizmente, ao contrário do Flamengo, o Botafogo não optou por comprar a totalidade da carga de ingressos para sua torcida. Neste caso, o Botafogo poderia administrar a venda de maneira independente e disponibilizar quantos pontos de venda achasse conveniente — completou Strauch, que reclamou também da venda de ingressos para visitantes no Nilton Santos, no jogo de ida. — Diferentemente do Botafogo, o Flamengo cumpriu o prazo regulamentar de 72h para disponibilizar ingressos para a torcida visitante. Na semana passada, o torcedor rubro-negro só conseguiu comprar ingressos na véspera da partida no Engenhão. Mesmo assim, a carga que nos era destinada esgotou-se em um dia.

Fonte: O Globo Online (texto) e Redação FogãoNET (título)