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Willian Bacana abre coração sobre Botafogo, explica mágoas e não se considera herói: ‘Tive privilégio’

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William Bacana foi campeão da Conmebol em 1993 com o Botafogo
Reprodução

Willian Bacana, goleiro histórico do Botafogo, bicampeão carioca e sempre lembrado pelo título da Conmebol em 1993, pouco fala do clube. O motivo é pessoal: mágoas do decorrer da vida. Porém, ele abriu exceção em uma longa e interessante live no canal “Nosso Botafogo”, nesta terça-feira.

O ex-goleiro contou suas mágoas, falou dos títulos e revelou não se considerar um herói. Após 28 anos, foi uma das raras vezes em que o hoje preparador de goleiros comentou sobre o clube.

Leia os principais trechos:

Herói no Botafogo

– É sempre um prazer falar do Botafogo, clube que a gente ama, de muita tradição. Nunca me considerei herói, a gente dá muito estrelismo aos jogadores, mas fazemos contrato para isso, nossos sonhos pessoais são as conquistas desses títulos. Eu fico devendo. Com a camisa do Botafogo eu queria ganhar o mundo, muito mais que eu ganhei. Mas Papai do Céu me deu esse privilégio de entrar na história desse clube fabuloso. Não fiz nada além do que eu deveria fazer, era o que os torcedores e os companheiros quiseram que eu fizesse. Foi só um tijolinho nessa obra bonita que ficou para a história.

Período em silêncio

– Fiquei sem falar porque algumas coisas me magoaram muito desde a carreira do jogador e depois outras coisas me entristeceram. Muito jornalista me chamava e eu ficava preocupado em negar e me chamarem de mascarado. Esse assunto me dói muito, o Botafogo me dói muito. Se não tivesse todo envolvimento emocional, o prazer, a dificuldade de estar ali, a responsabilidade de chegar em um grupo só de feras e ter que matar um leão por dia, é disso que tenho muita honra. É meu grande galardão. A defesa que fiz e os pênaltis foi Papai do Céu que falou que ia colocar na minha vida porque mereci.

Relação com a torcida

– Essa tristeza que eu tinha nunca foi com a torcida. Sou uma pessoa realmente simples, não gosto de falar de futebol, quando jogava não gostava de ser apresentado como jogador de futebol. Tentei fazer o meu melhor e, por ter feito bastante esforço, tive recompensa. Nunca me neguei a falar por causa de torcida, as pessoas se colocam contra o sistema, é muito fácil remar a favor da maré para estar na mídia, às vezes você tem filosofia diferente e não se posiciona. Vivi algumas decepções no Botafogo, resolvi dizer que não dependo deles para sobreviver e me dei o direito de não sofrer falando pelo Botafogo. Mas durante todos esses anos isso ficou mal resolvido na minha vida. Hoje me sinto à vontade para falar.

Homenagens no Botafogo

– Quando você está no clube e tem momentos de sucesso, o clube te usa de alguma forma. Nunca quis participar disso, não aceitei homenagens, tenho dificuldades com companheiros do títulos porque não compreendem meu distanciamento. É minha personalidade forte. É muita dedicação para pouco retorno. Talvez seja esse um dos detalhes que faz o Botafogo ser diferente dos demais e passar anos em dificuldade.

Conmebol 93

– Não aceito ser chamado de ídolo nem de herói naquele título, porque cheguei já na semifinal. Quem merece todo crédito é o Carlão e os garotos. Tivemos que vencer o Atlético-MG de 3 a 0, eu tinha mentalidade vencedora, fomos para o pau. Vê se aquilo era um time ruim. Vencemos porque sentimos a magia, o Botafogo só é grande porque tem uma magia por trás dessa estrela. Sentimos essa magia. Sabíamos das nossas deficiências. Peço desculpas por não ter dado uma Libertadores ou Mundial, sei que não fui tão bom quanto um Wagner ou um Jefferson, só fiz minha parte. Mas fiz e gostaria de ter o respeito por ter feito, não o descrédito. Dei a minha vida, vivi emoções. O que vivi ali vocês não têm ideia. Se perguntarem qual meu maior título vão falar que é o de 93, com duas defesas no Maracanã, mas eu digo que o maior título que ganhei na minha vida foi o de 89. O Botafogo só vai passar aquela emoção se ganhar a Libertadores.

Botafogo atual

– O Botafogo está hoje no lugar que deveria estar. Dói falar isso, mas é a verdade. É como um filho, você precisa dizer a verdade. O Botafogo não honra o passado. Fui barrado uma vez na sala de troféus, descobri que isso aconteceu com Donizete e Jamir também. Se não respeita o passado vai ganhar o quê?

Não renovação em 1993

– A minha mágoa é que o Botafogo podia ter renovado comigo. Me deixou sete meses sem contrato. Fomos campeões em outubro, em dezembro venceu o contrato e não renovaram. Em qualquer clube decente, até por gratidão, fariam um contrato comigo. Aí o Wagner jogou, e humildemente deveria jogar porque era mais goleiro que eu, mas foi errado me tirarem do clube. Depois de sete meses, quiseram renovar, depois de uma derrota, mas comprei meu passe e saí do Botafogo. Foi a pior coisa que fiz na minha. Fui bem no Fortaleza, depois no Ceará, mas minha família não via e deixei de estar no grupo do Botafogo campeão de 95.

Aborrecimentos

– Tenho duas coisas que tenho muita preocupação de as pessoas entenderem errado. Não me considero um dos jogadores mais importantes da história do Botafogo. Dói, machuca, sou um homem, pai de família, tem que ter coragem de falar. Não quero passar por coitado. Meu caráter me faz sentir dor, porque sei o quanto me dediquei e fui sacaneado. Mas ter jogado no clube não me dá direito a mais nada. Tenho a maior preocupação de estar em live aqui e dizerem que quero aparecer ou ser preparador de goleiros do Botafogo. Já tentei e desisti. Hoje falo por que isso me faz mal. Joguei sete anos no Botafogo, com muito sacrifício, quando tive uma vitória foi para lavar a alma. Queria ser como meus companheiros (de 89) e Deus me permitiu. Só não consigo entender porque só o Botafogo é assim. Não quero pedir emprego, tenho meus sonhos pessoais e até um sonho grande em relação ao Botafogo, mas é uma história de vida que eu precisava de resolver. Jogador também se envolve com o clube, hoje é mais difícil porque não cria essa identidade, mas naquela época não. Não quero parecer oportunista. Eu tentava falar antes, mas não conseguia, tinha medo de repórteres.

Não tenho mágoa com o Botafogo, nem sei qual a pessoa que me barrou (na porta da sede), não posso atribuir ao clube ou à torcida. As tristezas que tenho é porque vim de um grupo extremamente vencedor, porque era difícil vestir a camisa do Botafogo, dei muito do meu sangue no campo de Marechal (Hermes). Queria ser vencedor igual aqueles caras, sabia que tinha que dar tudo, porque não era um extraordinário goleiro, tinha limitações e sabia delas. Permaneci sete anos sendo transparente, xingando diretor, nego me odiava. O título foi um presente de Deus por todo o meu esforço. Minha mágoa é que quando fui campeão me deixaram sem contrato de propósito, para que o Wagner fosse titular. Não é que eu queria ser o titular, mas poderia estar no grupo. Depois um cara falou que eu não pisava mais no clube e eu fui para outro lugar. Não me mandaram embora, eu que fui lá e paguei meu passe.

– Cheguei à sede, disse “vim com meu filho aqui, queria saber se era possível ir na sala de troféus, queria que ele fosse botafoguense”. O porteiro pegou o telefone, mas alguém falou que não foi permitido. Avisei que era o Willian Bacana, fui campeão no clube, o porteiro me abraçou. Ligou de novo. Mas disseram que eu não podia entrar mesmo sendo jogador. Aí não teve jeito, não entrei. Se eu não gostasse tanto, isso não doeria tanto. Fiquei 28 anos sem me manifestar por tristeza. Podia até não entrar, mas podiam me explicar, oferecer uma água gelada. Em um clube dessa dignidade não pode acontecer.

Veja o vídeo com a live de Willian Bacana no canal “Nosso Botafogo”:

Fonte: Redação FogãoNET e canal Nosso Botafogo

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