A carreira do atacante William Xavier foi marcada por muitas dores e dificuldades. Jogador com passagens por clubes como Vasco, Botafogo, Atlético-PR e Lille-FRA nos anos 2000, ele decidiu penduras as chuteiras aos 31 anos, depois de ter sido diagnosticado no final de 2014 com um problema cardíaco enquanto realizava exames para acertar com o Rio Branco, de Americana-SP, para o Paulista A-2.

“As paredes do meu coração engrossaram. Quando fiz o teste da esteira, minha pressão bateu em 19 por 13! E isso que eu nunca tive problema de hipertensão na família”, contou o centroavante, em entrevista à Rádio ESPN.

“Consultei um cardiologista e disse a ele que precisaria de um laudo para voltar a jogar. A resposta foi dura: ‘Eu não vou assinar, porque pode ser seu atestado de óbito’. Até poderia fazer um tratamento de seis meses, mas conversei com minha esposa e minhas filhas e resolvi trocar de profissão, mesmo”, completou.

NOTA DA REDAÇÃO FN: No Botafogo, Willian ficou marcado pelo que ficou conhecido como “pior pênalti da história”. Na Copa Sul-Americana de 2006, ele foi um dos vilões da eliminação do time para o Fluminense.

Mas essa nem foi a pior situação pela qual o jogador já passou. Em 2010, William havia acabado de ser contratado pelo Santo André, que tinha sido vice-campeão estadual contra o Santos de Neymar, Ganso e cia. Após uma entrada duríssima em um jogo contra o Guaratinguetá, pela Série B, sua perna direita foi triturada em três partes.

O atacante foi imediatamente levado para o hospital e teve que ser operado com urgência. Segundo os médicos, houve até a possibilidade de amputação da perna, mas o meião e a caneleira impediram que a lesão fosse ainda pior.

Após passar por três intervenções cirúrgicas e um período de praticamente dois anos sem jogar, William decidiu que não queria mais saber da bola. Abriu um açougue em Santo André e tentou viver do comércio. No entanto, suspeita que a casa de carnes tenha sido a origem de seu problema no coração.

“O cardiologista acredita que tenho hipertensão por estresse. Ele me perguntou se eu tinha passado por algum problema grave nos últimos anos. Eu dei risada e respondi: ‘Algum problema? Doutor, minha vida nos últimos anos é um problema atrás do outro (risos)!”, recordou.

“O açougue é um dos grandes culpados pelo meu estresse. Eu chegava às 7h da manhã e saía às 21h, de segunda a segunda! Só no domingo saia mais cedo, às 15h. Era uma correria maluca, não quero nunca mais saber de açougue (risos)!”, brincou.

Funcionário da esposa

Após os dois anos sem jogar e os problemas com a casa de carnes, William mostrou que ainda tinha lenha para queimar no futebol. Teve boas passagens pela Portuguesa, disputando o Brasileirão de 2012, e pelo Botafogo-SP, no Campeonato Paulista de 2014.

Para este ano, estava acertado com o Rio Branco, mas encerrou a carreira em função do problema cardíaco. Desta vez, sem estresse, segundo relata o atacante.

“Sempre vi o futebol como uma profissão como qualquer outra. Por isso, sempre fui resolvido quanto à hora de parar de jogar. Eu sempre soube que uma hora ia ter que parar. Apesar da notícia chata do coração, parar foi uma decisão fácil, e a mudança está sendo tranquila até agora”, afirmou.

Morando no ABC paulista, ele agora trabalha no escritório de arquitetura de sua mulher enquanto busca uma maneira de realizar seu projeto dos sonhos: abrir uma academia de futebol em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, onde nasceu.

“Agora, trabalho para a minha esposa e ela me dá as ordens, é minha nova técnica (risos). A concentração é dentro de casa, com ela e minhas filhas. Bem melhor que com um monte de marmanjo, né?”, divertiu-se.

Além disso, a boa e velha pelada ainda pode ser jogada normalmente por William.

“Perguntei para o médico se podia bater uma bolinha de vez em quando. Fiquei morrendo de medo da resposta, mas ele liberou. Disse só que eu não posso mais estar no esporte de alto rendimento. Hoje, minha preocupação é com a minha saúde e em estar inteiro para trabalhar e ficar com a família”, encerrou.

Fonte: ESPN.com.br