O Botafogo tentou a renovação de Alexander Barboza, não conseguiu, e agora o zagueiro está perto de ser vendido. No canal “Arena Alvinegra“, o jornalista Thiago Veras contou nesta segunda-feira (27/4) os bastidores das negociações, ouvindo diversos envolvidos, como o próprio clube.
– A gente já tinha um lado aqui, que é o lado do Botafogo. Quando eu falo Botafogo, quem está ali no departamento de futebol, no dia a dia, quem está de fato pra tocar essa questão hoje. A informação já de algum tempo: o Botafogo fez uma proposta de renovação de contrato. Já tinha também há algum tempo apresentado ao atleta, e aí ficava nas mãos dele para resolver o futuro, aguardando o Botafogo a renovação, por ser um jogador identificado, importante tecnicamente, titular da equipe, e todo esse contato com a torcida.
– O Botafogo esticou ao máximo a corda no momento de turbulência que atravessa a SAF, questão financeira, para apresentar uma oferta a um jogador importante, e esse problema financeiro até nem seria a questão por ora. As partes mais ou menos se entendem em relação a essa parte financeira. Pois bem, o Botafogo agora espera a renovação, e diz que o jogador não quis renovar. Diante desse cenário, sem um atleta querer a renovação, o Botafogo tem que analisar o seguinte, tem contrato até o fim do ano, certo? Metade da temporada ele já pode fazer um pré-contrato, e depois sair de graça – iniciou Veras.
– Uma opção: ficar com o atleta, pode ser qualquer um, mas o cenário é o Barboza. Durante esse período, relacionado, jogando, mas não tendo a confiança de que ele vai vender, porque já estaria com a cabeça em outro lugar, saindo da temporada de 2025 para 2026, o Botafogo não ganha absolutamente nada. Ou então o cenário dois: já que é para ser negociado, negocie agora, no meio do ano, ele vai por uma quantia financeira, e eu não perco o jogador de graça.
– E para um zagueiro, de 29, 30, 31, um zagueiro, mesmo sendo muito bom, como ele hoje é avaliado no cenário do futebol brasileiro, zagueiro com essa idade e a posição tem outro valor de mercado. US$ 4 milhões, R$ 20 milhões, em fim de contrato, é uma boa negociação. Então o clube pensa, eu perco o cara, mas se ele vai sair, pelo menos que eu lucre e eu estou precisando de dinheiro para pagar salário, a SAF está numa crise, precisa de capital e tudo mais. Então pelo menos eu tenho ali uma condição financeira. Ponto, esse é o lado entendimento do Botafogo – frisou.
A novidade é o lado de Alexander Barboza. Segundo Thiago Veras, o jogador se sentiu desprestigiado pelo clube.
– A parte que cabe ao atleta, que eu tomei conhecimento apurando, o Barboza não queria sair do Rio de Janeiro, não queria sair do Botafogo. A questão de não sair do Rio é familiar, esposa, filhos adaptados, enfim, ele se sente muito bem à vontade aqui. Mas, pô, eu estou vendo que a coisa vai caminhar sentido Savarino, sentido Marlon. Isso são informações, não são comentários e avaliações não. Então, está caminhando para esse cenário. Eu também vou ser um jogador que vou acabar saindo do Botafogo dessa natureza. E aí no contato, no dia a dia, a informação desse lado do atleta é que o Barboza sentiu internamente que essa renovação que o Botafogo queria fazer, tinha proposto, era para ter uma garantia de contrato da parte financeira, mas depois iria negociar, porque precisa negociar nesse momento, atletas e a questão financeira, pagar salário e tal.
– Então, o Barboza queria renovar para jogar no Botafogo. Ele não queria renovar contrato para imediatamente ser negociado. Isso deixou o atleta insatisfeito. Ele se sentiu um pouco desprestigiado, numa condição igual à condição de outros, do Savarino, por exemplo, do Marlon, em que não foi feito um esforço para que ele pudesse ficar. E aí ele se sentiu assim, dessa maneira. Eu quero renovar, mas quero renovar para jogar. Não quero renovar para posteriormente sair – explicou o repórter
– O Barboza teve contato sim, até mesmo com Textor, e foi falado a questão de proposta e a intenção de vendê-lo ao Palmeiras. Então, diante desse cenário, o jogador acabou se retraindo. Porque para ele sair nessa condição seria até mais favorável ficar na situação de poder escolher com mais facilidade o pré-contrato, e uma saída onde ele ganha do Palmeiras uma boa remuneração. Toda a negociação tem questão de luva. Não tem dependência de você negociar com o clube. Você está livre, a negociação é mais fácil para o atleta e também para o estafe. Então, diante de um cenário lá, o jogador queria ficar, mas se sentiu um pouco desprestigiado, porque a renovação seria para uma venda, ele não queria sair, a situação acabou se arrastando – ponderou.
E a ida de Barboza já está certo? Para o jornalista, restam detalhes.
– O que é falado também: Botafogo e Palmeiras, OK, negociação foi conversada, foi acordada, as partes falam a mesma língua. Ainda uma ponta solta, que seria Palmeiras e Barboza, conversando ainda para ter um acerto final. Então o Botafogo com Palmeiras, beleza. O Palmeiras com Barboza, quase chegando no estágio de beleza. Uma pontinha ali, uma coisa ou outra, para ser também finalizada. Tem uma palavra que pesa para o Barboza e chateia o jogador, que é a questão de idolatria no Botafogo. Ele tem receio de estragar uma idolatria que ele conquistou vestindo a camisa do Botafogo.
– Bom, tem um terceiro lado, que aí é o Botafogo gestão. A gente falou Botafogo, que é mais o dia a dia, função, futebol e tal, gestão. O Textor foi retirado, por ora ele não é o cara que comanda. Ele disse que não tinha propostas de outros clubes, mas teve contato dele com o jogador. A informação que eu tenho é ligada a essa gestão atual, que está sendo sob o comando do Durcesio, é de que esse acerto não veio de agora, não foi firmado agora. Já era anterior. Então, é uma coisa que ele já pegou nesse cenário. Pronto. E aí tem outro detalhe. O Cruzeiro procurou antes, o Botafogo recusou. O Palmeiras veio, agradou mais e as partes chegaram ao consenso entre eles – finalizou.