Botafogo: como funciona o CT da base do Crystal Palace, modelo de John Textor e padrão elite na Inglaterra

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Por FogãoNET

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Botafogo: como funciona o CT da base do Crystal Palace, modelo de John Textor e padrão elite na Inglaterra
Reprodução/Twitter

Se há uma coisa da qual John Textor, investidor do londrino Crystal Palace desde agosto, se orgulha, é o centro de treinamento das categorias de base do clube. Inaugurado em outubro, o projeto ambicioso teve investimento de 20 milhões de libras (cerca de 155 milhões de reais) em uma estrutura de alto nível, que alcançou a “categoria 1”, padrão máximo de qualidade da Premier League. Em sua primeira entrevista após anunciar a assinatura de acordo vinculante para o investimento no Botafogo, o empresário não deixou de citar a obra como um exemplo do que quer instituir na nova empreitada no futebol brasileiro.

— A estrutura é boa e vai melhorar. Vejo a liderança dos meus parceiros no Crystal Palace, o que eles fizeram com o CT da base lá. Há ótimos vídeos no site do Crystal Palace da estrutura lá, se você quiser saber qual é o meu padrão — afirmou ao site ge, quando perguntado sobre o Espaço Lonier, futuro centro de treinamentos da base alvinegra.

De fato, o site do clube explica bem a ideia do Crystal Palace para o espaço e a cultura de futebol que será desenvolvida ali. Localizado na Copers Cope Road, na região Beckenham, na Grande Londres, o centro de treinamentos fica a poucos metros do espaço utilizado pelos profissionais. Por lá, há cinco campos de grama com medidas oficiais, um deles com iluminação para atividades noturnas. Entre campos anexos, a estrutura tem também um campo fechado para dias mais frios.

Entre os principais recursos estão um restaurante com espaço de descontração para os jogadores, escritórios, salas de aula, salas de análise de vídeos, 13 vestiários e uma academia completa. Além de estruturas como um centro de tratamento para lesões e piscina para hidroterapia.

Atração de talentos

A região do sul de Londres, onde fica o Palace, é considerada um berço de talentos: de lá saíram nomes como Jadon Sancho (Manchester United), Callum Hudson-Odoi (Chelsea), Tammy Abraham (Roma) e Emile Smith-Rowe, todos jovens com passagens pela seleção da Inglaterra. Duas das principais revelações mais recentes do Palace estão atuando em alto nível na Premier League: o meia-atacante Wilfried Zaha, um dos principais jogadores do elenco (que passou pelo Manchester United antes de retornar) e o lateral-direito Aaron Wan-Bissaka, titular dos Red Devils.

Em seu passado recente, o clube revelou outros atletas de destaque no futebol europeu, como o atacante Victor Moses e o lateral-direito Nathaniel Clyne, que atuou pelo Liverpool. Mas em outubro, quem inaugurou o espaço foi uma das crias mais ilustres do clube: Gareth Southgate, técnico da seleção da Inglaterra. Em seu discurso, ressaltou a importância de atrair os talentos da região com a nova estrutura. Uma filosofia que deve ser levada a sério no Botafogo de Textor, que enfrenta a concorrência de três grandes rivais pelos jovens do futebol do Rio de Janeiro.

— Espero que os rapazes da base, os pais e as pessoas que trabalham aqui possam acreditar que começando no Palace vocês podem ter uma carreira internacional na Inglaterra. Se eu terminei comandando a seleção, tudo é possível.

Metodologia bem definida

Aliada à nova estrutura, o Palace deixa bem claro os trabalhos que serão desenvolvidos no espaço daqui para frente. Com o lema de energizar, encorajar e educar, o clube busca integrar cada jovem de forma individual à ideia de jogo do time, padronizada do sub-9 ao sub-23 e que vem sendo adotada no profissional, sob a tutela do técnico Patrick Vieira: uma proposta de posse de de bola, troca de passes inteligente e pressão sem a bola.

Noções de posse, espaço, fluidez de movimento, força, velocidade e trabalho coletivo são inseridas pouco a pouco no dia a dia dos treinamentos, dos primeiros passos no jogo às categorias de formação para o profissional. Tudo com o auxílio da tecnologia, da educação, da ciência do esporte e até da gamificação, a abordagem inspirada na didática dos jogos. Em paralelo ao futebol, os jovens recebem conselhos sobre a possibilidade uma segunda carreira profissional, enquanto os mais novos têm a frequência escolar acompanhada de perto pelo clube.

Em seu site, o clube enumera seis situações cruciais para desenvolver em seu estilo de jogo nas categorias da base: entender quando e como sair jogando de trás, criar e controlar no terço final do campo, criar e finalizar no último terço, quando e como pressionar no campo do adversário, se reorganizar de forma compacta até conseguir voltar a pressionar e ser “compacto, controlado e calculista” na defesa. Um modelo de formação dos sonhos para muitos dos clubes do futebol brasileiro.

Fonte: O Globo Online

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