Ex-controlador da SAF do Botafogo, John Textor tinha uma ligação forte com a maioria dos treinadores, escolhida por ele próprio. No entanto, o fato não impedia irritação e rompantes do empresário norte-americano. Thiago Grachet, do canal “Glorioso Play”, contou esta história no “Glorioso Connection”.
– Eu tenho muita implicância com o Textor, esse pensamento que o Textor tinha de três jogos, manda embora. O Textor fazia muito isso de tipo cinco, dez jogos, aí começava a mandar mensagem para a galera assim de: “esse treinador é uma merda, não sei o quê, não sei o que lá”. Lembro de um jogo do Artur Jorge, Botafogo x Criciúma, no turno. Ele perdeu com gol do Barreto. O Artur Jorge botou o Luiz Henrique na ponta-esquerda. Aí o Texor mandou mensagem para umas três, quatro pessoas assim, tipo: “Ah, eu vou mandar embora. Luiz Henrique é um ativo valioso para ficar jogando fora de posição”. Com todos os treinadores ele fez isso. De Luís Castro até Anselmi, que foi o último que ele escolheu. O Franclim Carvalho foi ele também, mas não deu tempo de fazer isso, porque o Textor que foi mandado embora – disse Thiago Grachet.
Ele ainda deu outros detalhes de bastidores da visão de futebol de John Textor.
– O Textor tinha uma ideia de futebol xadrez. Ele tinha uma boa teoria. Você vê assim as mensagens que eu lia, que ele mandava para a galera, a galera me mostrava, assim, ele tinha uma boa teoria de futebol, mas ele ignorava completamente a coisa de instinto e do da imprevisibilidade que o esporte pode, ele ignorava isso, sabe? Então, por exemplo, quando ele liberou o Tiquinho: “não, eu vou liberar o Tiquinho, porque ele já está em decadência física. Eu quero um time um pouco mais rápido, estilo futsal, toques rápidos e tal para envolver o adversário e humilhar o adversário”. Quando o Artur Jorge saiu, ele mandou uma mensagem para uma pessoa, falou: “Se ele quiser ficar, ele precisa me convencer que quer ficar e se ele quiser ir, está tudo bem. Porque o elenco que eu entreguei para ele, ele precisava ser campeão com 20 pontos e não só com nove na frente”. Ele tinha essa ideia de superioridade, essa viagem assim de superioridade, de que dá para ganhar um Campeonato Brasileiro com 20 pontos na frente – concluiu Grachet.