Capelo analisa finanças do Botafogo em 2021 e aponta reorganização das contas antes da era Textor

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Por FogãoNET

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Capelo analisa finanças do Botafogo em 2021 e aponta reorganização das contas antes da era Textor
Vitor Silva/Botafogo

Jornalista especializado em negócios, Rodrigo Capelo analisou em seu blog (“Negócios no Esporte”) no “GE” as finanças do Botafogo em 2021 – assim como faz com todos os clubes das Séries A e B. Ele destacou o ano como de reorganização, além do título da Série B, antes da chegada de John Textor.

Durcesio Mello e Jorge Braga, respectivamente presidente e CEO dessa fase, tiveram o mérito de reorganizar as contas, adequá-las para o futuro proprietário, na medida do possível, e voltar à primeira divisão nacional. O refinanciamento fiscal e o mecanismo para o pagamento de dívidas trabalhistas e cíveis, juntos, formam esse paredão, que tornou possível a venda da SAF para o americano. Se o novo dono não visse solução para o endividamento quase bilionário, não teria entrado no negócio – avaliou Capelo.

O jornalista lembrou que o acesso valorizou o Botafogo, que pode voltar a receber mais em receitas como direitos de transmissão, patrocínios, bilheteria, estádio e sócio-torcedor. Porém, citou que o desafio atual passa a ser maior.

Em 2021, o Botafogo teve sua arrecadação mais baixa nos últimos anos (natural por estar na Série B), mas diminuiu a dívida em R$ 70 milhões. Houve superávit no período, contudo, ele tem que ser bem analisado, lembrando que houve refinanciamento de dívidas.

– O resultado apresentado é muito discrepante do planejado, pois, em 2021, a diretoria alvinegra registrou R$ 282 milhões em descontos sobre dívidas. Este dinheiro não entrou no caixa imediatamente; ele “só” deixará de sair ao longo de muitos anos. Não deixa de ser boa notícia, mas é bom ter em mente o impacto disso no balanço e na interpretação das finanças. Se o Botafogo terminou 2021 com um superavit (lucro) de R$ 78 milhões, isto nada tem a ver com sobra de dinheiro nas contas operacionais. Foi o registro dos descontos obtidos que permitiu ao clube ter um resultado final absolutamente positivo, em vez de um prejuízo retumbante – explicou Capelo.

Um dos desafios da SAF, com John Textor, está exatamente nas dívidas. Um percentual de 20% das receitas têm que ser repassado para pagamento, assim como outro valor vai para obrigações com o governo. Ao mesmo tempo que organiza o presente e o futuro, o Botafogo não pode deixar de olhar para o passado.

– Não quer dizer que as dívidas da associação tenham sumido da noite para o dia, nem que o novo proprietário da empresa tenha pagado todas elas de uma vez. E é por isso que, mesmo inserido em um novo contexto, o torcedor não deve esquecer que ainda existe um passado a resolver. O futebol foi tirado da associação civil, Botafogo de Futebol e Regatas, e entregue à empresa, Botafogo SAF. A maioria de suas ações foi vendida para Textor. As dívidas continuam com a associação, e a expectativa é que o empresário destine parte das receitas da companhia para pagá-las – escreveu Capelo, que finalizou com ponderações.

– Textor faz investimentos no futebol, refez todo o departamento, rompeu com antigos patrocinadores, enfim, o novo dono tem tomado as atitudes que julga necessárias. Conseguirá elevar a arrecadação do clube-empresa até que patamar? Conseguirá cobrir custos e dívidas, sem transtornos? A barragem da Lei da SAF se provará resistente às cobranças judiciais? E o mais importante: os resultados esportivos finalmente aparecerão? Perguntas que só começarão a ser respondidas em abril de 2023, quando o primeiro balanço da SAF deverá ser publicado. Certo é que essa é uma realidade inédita, não só ao Botafogo, para todo o futebol brasileiro – completou.

Leia o texto completo no blog “Negócios do Esporte”, do “GE”.

Fonte: Redação FogãoNET e Blog Negócios do Esporte (GE)

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