O Botafogo recebeu um aporte de cerca de US$ 20 milhões (R$ 103,9 milhões) que deve chegar a US$ 50 milhões (R$ 259,8 milhões) em breve. O dinheiro solucionou o transfer ban, mas gerou discordâncias internas, por conta dos juros altíssimos. No “UOL”, o colunista Pedro Lopes destrinchou os planos de John Textor. A informação havia sido adiantada por Wellington Arruda, em live no FogãoNET, na noite de terça.
– As taxas são altíssimas, quase impagáveis, porque o plano hoje é não pagá-las: a estratégia de Textor no Botafogo não passa pelo pagamento desses empréstimos com juros. Isso não tem, entretanto, nada a ver com calote – explica Pedro Lopes.
A ideia é que os investidores passem a ser acionistas ou donos da SAF, o que resolveria a dívida. Neste caso, o pagamento seria com ações, não com dinheiro.
– Os aportes foram realizados por Hutton Capital e GDA Luma, que têm interesse na Eagle. Esses empréstimos feitos por Hutton e GDA são o primeiro passo em uma operação para isso que aconteça – por isso, são conversíveis em “equity“, participação acionária. Os investidores por trás do aporte, apurou a coluna, têm interesse em se tornar acionistas e controladores da Eagle, trazendo de volta para o ecossistema o Lyon. Com o avanço de operação, eles ficariam em posição de negociar a saída da Ares e da Iconic, acionistas da Eagle que brigam com Textor pelo controle da empresa e cobram, juntos, do americano, cerca de US$ 550 milhões (R$ 2,85 bilhões) – diz o colunista.
Assim, John Textor se protege com o aporte/empréstimo e se fortalece no Botafogo.
– Dentro desse contexto, os aportes a juros altos oferecem a Textor mais uma camada de proteção. A partir de agora, caso alguém consiga afastá-lo da SAF e do Botafogo, herdará junto com os ativos essa dívida, que, diante dos juros altos, tende a crescer de forma galopante. Como ponto de diálogo e com os novos investidores que ele próprio trouxe, ele acaba se tornando parte quase que inegociável da solução – conclui Pedro Lopes.