Consultor de John Textor dá detalhes sobre SAF do Botafogo: dívida integralmente paga por investidor e busca por reforços ‘interessantes’

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Por FogãoNET

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John Textor, investidor da SAF do Botafogo, no Estádio Nilton Santos em janeiro de 2022
Vítor Silva/Botafogo

Thairo Arruda, diretor da Matix Capital, é um dos consultores de John Textor na compra da SAF do Botafogo, ao lado de seu sócio Danilo Caixeiro. Em entrevista ao programa “Domingo Esporte Show”, da Rádio Gaúcha, ele abriu o jogo e deu diversos detalhes sobre o projeto.

Com a ambição de se tornar líder desse mercado de aquisição de clubes, a Matix Capital representa investidores estrangeiros e acredita que nos próximos anos pelo menos 50% dos clubes brasileiros vão aderir ao modelo de SAF.

Em relação ao Botafogo, Thairo Arruda revelou que a dívida toda do Botafogo ficará sob responsabilidade de John Textor e indicou que já estão atrás de reforços “interessantes”, mesmo no período de transição antes da assinatura final do contrato.

Leia abaixo os principais pontos da entrevista:

Unir Botafogo e John Textor

– A euforia do torcedor é muito justificável. O Botafogo, como todos sabem, estava praticamente na UTI e a lei da SAF foi uma grande precursora da mudança no futebol brasileiro, permitiu ao Botafogo sonhar com grandes conquistas. Abrimos a Matix Capital há três anos, desde então falamos com grandes investidores mundo afora. Começamos nosso trabalho na Europa, buscando investidores para o futebol português e espanhol. Depois que o mercado brasileiro se abriu, iniciamos esse processo de educar alguns investidores sobre esse mercado. John Textor foi um dos primeiros a gostar dessa oportunidade de investir no Brasil. Passamos a educá-lo sobre o mercado, quais seriam as expectativas, tentamos entender o projeto dele para depois sugerir o clube que melhor se encaixasse. Foi assim que chegamos ao Botafogo.

Reação de Textor

– John só se surpreendeu. A cada dia que passa fica mais apaixonado. Ele falou para mim e para o Danilo (Caixeiro) que não preparamos ele bem para isso, não esperava o carinho todo desde o aeroporto, de verdade.

Formalização

– O processo de aquisição ainda não terminou. Existem os contratos definitivos que vão ser construídos e o processo de auditoria que vai ser finalizado nos próximos 60 dias. Todos os clubes que seguirem esse caminho farão assim. É um CNPJ novo, tem que transferir os ativos, como contratos de atletas, licenças e patrocínios. É burocrático, envolve CBF e Junta Comercial, todo um processo até tudo poder ser assinado.

Valor inicial

– Esse investimento de R$ 350 milhões é integralmente à SAF do Botafogo. Em relação à dívida, começamos avaliação da melhor forma de tratamento desse passivo. Obviamente a lei da SAF já tem previsões, como 20% das receitas serem repassadas ao pagamento das dívidas cíveis e trabalhistas. E a dívida tributária, que já está negociada em 12 anos, também vai ser paga pela SAF. No final, o John, ou a SAF, é responsável integralmente por todo o passivo do Botafogo. Parte desse passivo será paga com 20% das receitas que o Botafogo gerar e a outra parte será paga com adicional de pagamento que a SAF deve fazer ao Botafogo para cumprir com passivo tributário.

Estrutura

– Existem duas fases. A primeira é essa de transição, onde John não tem poderes para tomar decisões. Vai ter esse poder a partir do momento que assinar contrato definitivo. O clube estruturou um Conselho de Transição, composto por três membros do clube e dois membros do investidor. Essas cinco pessoas vão tomar a decisão até a assinatura do contrato definitivo. Após, o conselho muda, cria-se Conselho da SAF, com cinco membros, sendo quatro do investidor. A partir daí o John pode realmente implementar a visão e o projeto que tem para o Botafogo.

Reforços

Estamos buscando nomes interessantes para o elenco atual, a janela não espera muito tempo. Estamos trabalhando junto ao clube por contratações relevantes, mas que não impactem o orçamento nesse período de transição. A maior parte do aporte virá após a assinatura dos contratos definitivos. Ainda temos que ter muita prudência nas contratações e não trazer ninguém que possa prejudicar o orçamento do clube.

Volta à Série A

– Sempre é muito difícil a transição. Mesmo o elenco sendo campeão ano passado, não sabemos como performará na Primeira Divisão. Essa realmente não é uma área que eu entendo muito, deixo muito essa avaliação e esse diagnóstico para as pessoas do futebol do clube.

Fonte: Redação FogãoNET e Domingo Esporte Show (Rádio Gaúcha)

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