Controle de dívidas e captação de talentos: as ideias de John Textor, novo investidor do Botafogo

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Por FogãoNET

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John Textor, sócio do Crystal Palace, é o provável comprador do Botafogo
Divulgação

Faltam apenas trâmites burocráticos, mas John Textor será investidor do Botafogo, controlando 90% da SAF através de sua empresa, a Eagle Holdings. O americano, pouco conhecido por aqui, concedeu entrevista em novembro ao podcast “The Athletic Football”, do jornalista britânico Matt Slater. E o “GE” traduziu os principais pontos.

Textor é coproprietário do Crystal Palace, da Inglaterra, e tentou comprar 50% da gestão do futebol do Benfica, sem sucesso. Um dos pontos destacados pelo norte-americano foi o controle das dívidas – tema bastante caro à torcida botafoguense.

— Dívida é a primeira lição. Se você não quer perder um grande negócio, seja uma empresa ou um grande clube de futebol, não pegue dinheiro emprestado. Se você tem dívidas, tenha uma estratégia para pagá-las. O modelo de negócios no futebol atualmente é bastante tradicional e bastante restrito: direitos de televisão, bilheteria e merchandising. Se você tem limitação na sua capacidade de competir, contratar jogadores e vencer jogos, faça alguma coisa sobre as suas receitas, mas não pegue dinheiro emprestado — explicou Textor.

O empresário contou que sentiu na pele os efeitos do endividamento.

— Pegar dinheiro emprestado é a única maneira de perder um negócio de qualidade e vê-lo destruído bem na sua frente, como aconteceu comigo na Digital Domain, com 344 funcionários. Torcedores são fabulosos, mas, em alguns lugares, a cobrança é construída de uma forma que significa vencer a qualquer custo, mesmo se você pegar empréstimos até não poder mais — afirmou Textor, completando:

Encontrar o equilíbrio é um dos maiores desafios no futebol. O que o torcedor quer, o que os acionistas querem, o que a comunidade quer, o que a história quer, sustentabilidade… Frequentemente esses objetivos competem um com o outro.

Em outro ponto da entrevista, John Textor frisou a necessidade de revelar talentos para angariar receitas, ao falar sobre possíveis soluções para o Benfica.

— Infelizmente, o Benfica tem uma economia muito limitada, não é aberta a muitos lugares do mundo. Embora tenha uma marca muito forte, como o Porto e o Sporting, eles têm contratos de TV irrisórios, se comparados aos valores da Premier League. Consequentemente, anualmente têm que vender muitos jogadores para manter as contas em dia. Com isso, fica muito difícil alinhar a realidade do clube com a expectativa dos torcedores. As categorias de base do Benfica são uma das mais confiáveis no mundo, têm uma capacidade muito grande de garimpar jogadores. Muitos vão do Brasil e de outros lugares do mundo para lá e depois partem para o restante da Europa — analisou.

Por fim, Textor falou um pouco também que, muitas vezes, o impacto gerado pelo clube por meio de outras açõe pode ser mais importante do que o time formado dentro de campo.

— O valor do time é condicionado por contrato de televisão, patrocínios, verbas de marketing, venda de ingressos… Há muita coisa que o clube pode fazer para chegar ainda mais perto do torcedor do que só o time — explicou.

Fonte: Redação FogãoNET e GE

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