Coordenador de scout do Botafogo por quatro anos, Raphael Rezende foi demitido em fevereiro de 2026. Em entrevista ao “Lance!” publicada nesta terça-feira (24/3), ele comentou sobre seu período no clube e tratou com naturalidade a saída.
– Eu entrei um mês antes do clube fechar a venda para o John (Textor). Então, é um trabalho incipiente ainda. Dá para dizer assim, por mais que esteja passando por dificuldades extracampo, enfim, quando você fala de três, quatro anos no futebol, como o futebol tem uma rotatividade muito grande, a tendência é você falar, “ah, isso aí é uma vida”. Mas, cara, é um aprendizado. Na verdade, era um clube novo sendo tocado. Tanto na parte administrativa, no corporativo, como dentro do departamento de futebol. Tem muito mérito no que se construiu, no salto que aconteceu, mas também sofreu com o que foram as dificuldades pós-2024, sabe? Não só o lado financeiro da coisa, mas essa de ajustar determinados movimentos.
– O ano de 2024, quando termina o ano, você tem um grande número de jogadores em fim de contrato. Então, naturalmente, teria uma reformulação grande no elenco. Não necessariamente dos titulares, mas do elenco. Foram peças importantes também de jogadores que tinham valor de mercado alto. Você fala do Almada, do Luiz Henrique, enfim, pela natureza do negócio, que é bem particular desse Botafogo. Então, sem entrar num ponto de foi bom ou ruim, ou se deu errado, os resultados não têm funcionado. E acho que é uma conjuntura além do que são os jogadores individualmente – ponderou Raphael Rezende.
– A gente viu 2023, por exemplo, que sai de um desempenho absurdo, né? Os resultados conquistados. E no momento de desacerto, as coisas mudam muito. Então, acho que aquilo serviu de aprendizado para 2024. Os defeitos de 2025 deveriam servir de aprendizado. Se tivesse vencido em 2023, talvez o acerto e a conjuntura que se criou para 2024 não fosse exatamente a mesma. De bater campeão brasileiro, bater campeão da Libertadores. Futebol depende de muita gente. É uma construção a trocentas mãos. E foi muito gratificante participar daquele 24 como foi. Como tinha sido da construção em si de 22 até ali. Como de vivenciar momentos não tão bons como foram os recentes agora até a minha saída. É óbvio, assim, você começa a ter alguma questão de não concordar exatamente com tudo que está sendo feito e aquilo gera alguma animosidade – explicou.
‘Acúmulo de desacertos’
Hoje cotado no Vasco, Raphael Rezende considera que teve aprendizados relevantes no Botafogo.
– Já era um momento realmente de corte, como foi falado lá dentro. O trabalho tinha um ambiente bom para se conviver. Era um trabalho horizontal, onde todo mundo tinha palavra, acima de mim, abaixo de mim. Funcionou muito bem o scout durante todo o período por causa disso. Mas o momento de crise gera, obviamente, alguns desacertos. E eu acho que até o acúmulo desses desacertos pode ter levado a escolha do meu nome para a saída porque já era um momento de saída, de reformulação do clube.
– É natural, eu não entrei dentro da SAF. Eu não fui contratado pela SAF. Eu fiquei no momento de venda do clube. E acho que são ciclos que se encerram naturalmente. Talvez fosse mais difícil eu tomar a decisão de sair. Então acho que é um ciclo natural que se encerrou muito bem, por mais que o momento recente não tenha sido tão bom. Mas só aprendizado, cara. Foram, sei lá, 40 anos em 4 – resumiu.