Por ‘discordâncias internas’, Botafogo perdeu André e Anselmo Ramon e quase ficou sem Diego Gonçalves, conta ex-diretor

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Por FogãoNET

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Por ‘discordâncias internas’, Botafogo perdeu André e Anselmo Ramon e quase ficou sem Diego Gonçalves, conta ex-diretor
Vitor Silva/Botafogo

Uma indefinição interna causada por discordâncias fez o Botafogo perder reforços no início da Série B de 2021. Foi o que contou o ex-diretor de futebol Eduardo Freeland, em entrevista ao canal “Glorioso Connection”, nesta semana.

A razão é que o ex-CEO Jorge Braga travou a chegada de reforços até ter uma análise da Footure, empresa especializada em scout. Mas a demora significou a perda de potenciais contratações.

– Quando chegamos nos nomes e começamos a ir no mercado, não acho o Braga errado, mas a forma que fez sim sim. O maior problema foi no como, não no quê. Demoramos 60 dias para contratar. Perdemos dois, quase perdemos outros, o empresário segurou ou o outro clube. Foi um desafio. O incômodo foi o tempo que demorou. Perdemos dois jogadores, um foi o André, volante do Fluminense, que já estava fechado. Mas não era o André ainda, virou isso tudo, viraria no Botafogo? Eu acho que sim, pelo que acompanhei desde a base. Estava fechado, falaram “não pode fazer”. O outro que eu achava que faria sentido era o Anselmo Ramon, tínhamos atacantes de lado, precisávamos de um centroavante para fazer renderem mais. Geraria polêmica, mas tinha feito boa Série B no ano anterior. Chegamos a perder o Diego Gonçalves também, por um desencontro de informações, mas conseguimos recuperar – explicou Freeland.

Leia outras respostas:

Footure

– Respeito a Footure, um dos sócios eu conheci em uma viagem para a França em 2019, tivemos um primeiro almoço, conversamos, vi com bons olhos. Eu sou uma pessoa que penso assim “vai ajudar, vambora, vamos juntos”. Tínhamos uma equipe restrita. Não ouso a dizer que tínhamos uma análise de mercado, tínhamos um analista de desempenho que fazia esse papel. Tínhamos três analistas de desempenho, extremamente competentes, Alfie, Vinicius e Mira, dedicados e muito competentes. Faziam tudo.

Lista de reforços

– O que que aconteceu? Quando a Footure chega, tudo é como você comunica. Eu nunca fui um cara de ficar me comunicando, rede social não uso, faço meu trabalho. Acho que peco por isso, porque as pessoas usam as ferramentas de divulgação para se promover. Respeito os canais do clube, tanto que usamos muito o “Boletim Alvinegro” para ter canal com a torcida. Dependendo de como comunica a Footure, vai dar essa conotação, e não é verdadeira. Vou explicar o processo desses jogadores. Desde que cheguei, fomos discutindo listas e mais listas, do Túlio Lustosa, do Eduardo Barroca, do Marcelo Chamusca, que trouxe o nome do Marco Antônio por exemplo. Todo mundo contribuiu. Tentamos aproveitar ao máximo o que cada um trouxe, porque não temos um departamento específico para analisar. Mercado não pode ser analisado quando precisa, é constantemente, para ver os perfis, o que faz sentido e o que cabe no bolso. E o bolso era curto.

Coincidência

– Entrou a Footure, o hiato de contratação tem a ver com desconfiança do Braga com as primeiras contratações. Ele trava. No primeiro momento entendi, mas depois e aí? O nome (pichado) no muro era o meu e não conseguia fazer o meu trabalho. Quando sentamos na mesa para discutir os nomes, Braga pede que tragamos a Footure. Foi uma conversa muito boa, oito ou nove meninos que fazem esse trabalho de buscar, muito dedicados. Qual exercício fazemos? As posições, as características e pedimos para trazerem nomes. O que acontece coincidentemente? “Braga, os nomes que a empresa chegou são os mesmos selecionados pelos meninos”. Eram Luís Oyama, Barreto, Diego Gonçalves, Chay, Daniel Borges. O Chay tinha o custo-benefício também. Víamos potencial, mas não achamos que teria a importância que teve. Bola parada, drible, dinâmico, pode ajudar, vai elevar o nível técnico da equipe. Diego Gonçalves e Oyama pensamos em protagonismo, Barreto achamos que poderia ter. O ideal é ter três ou quatro por posição. O impacto foi que os nomes da Footure eram o caminho. Para nós, muito legal que a lista bateu, em sinergia.

Questionamentos de Jorge Braga

– Acho que o Braga, pela desconfiança, entendia que o trabalho estava sendo malfeito. Mas quando começamos as contratações não tínhamos dinheiro. Precisávamos ser criativos para contratar possíveis protagonistas, Pedro Castro foi importante, mas não necessariamente trazer só os protagonistas. “Não temos dinheiro, vamos diminuir a folha de R$ 5 milhões, precisamos esvaziar o elenco e trazer outros para compor elenco”. Jonathan, lateral-direito, eu tinha expectativa maior. Mas a maioria veio como aposta. Protagonistas eu falei para o presidente em abril trazer uns seis. Ali travou e a performance estava ruim. O que está ligado. Ele (Jorge Braga) quis validar, pela desconfiança inicial de algumas contratações.

Fonte: Redação FogãoNET e Glorioso Connection

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