O Botafogo vive delicada situação financeira e disputa interna pelo poder. Na visão do economista Cesar Grafietti, os problemas nasceram da forma como a SAF do clube foi construída.
– A estruturação do Botafogo SAF está toda equivocada desde o princípio. O modelo foi baseado em contratações de revelações para negociações rápidas, e gastos elevados em formação de elenco para disputar títulos e valorizar os jogadores – disse Grafietti, ao “Estadão“, que criticou o modelo da rede multiclubes da Eagle, de John Textor.
– O problema é que o que deveria ter sido feito com capital foi feito com dívidas, diretamente na SAF ou nas holdings. Montaram a estrutura da Eagle sob um conceito completamente equivocado de ‘caixa único’, quando os ativos são analisados dentro de cada país, com realidades esportivas e de controles diferentes. Coisas de quem não é do ramo e resolveu se aventurar – apontou.
Para o economista, o Botafogo ficou com o problema quando o modelo foi desfeito.
– Quando a roda parou de girar, sobrou um clube com receitas medianas, custos elevados e dívidas insustentáveis, mesmo após transferir muitos jogadores. Temos um ativo com receitas limitadas, custos exagerados e dívidas elevadas. Esta é a inviabilidade do clube. O potencial de crescimento é limitado, o que reduz o apelo do ativo – opina.
Para Cesar Grafietti, se houvesse fair play financeiro no Brasil, o Botafogo poderia ter sido preservado.
– Logo no primeiro ano de operação da SAF o clube já teria sido pego em violação por conta das dívidas e da operação deficitária. Teria evitado as contratações que geraram dívidas – completou.