É quase unanimidade que Enderson Moreira foi o principal vetor de mudança no Botafogo de 2021, em arrancada incrível que terminou em acesso e o título da Série B na tarde deste domingo (21/11), em Pelotas. O treinador divide os méritos com diversas áreas do clube e destaca que a transformação interna tem sido fundamental.
– Quando um gigante do futebol brasileiro cai de divisão precisa tirar lições disso, entender o que não está dando resultado e buscar outro caminho. O Botafogo está buscando, em todas as áreas, dentro e fora de campo, como clube e instituição que precisa sempre estar bem preparada para participar dos grandes desafios. É importante, mas não é um final. Precisamos saber que estamos apenas dando um passo importante nessa caminhada longa para o clube poder colher os frutos e voltar à disputa das principais competições nacionais e internacionais. É o que projetamos para um clube como o Botafogo – declarou Enderson, em entrevista coletiva.
Enderson Moreira lembrou a dificuldade da Série B e a pressão que havia no clube.
– Nos últimos anos, talvez a gente tenha notado uma grande diferença nos clubes gigantes que estão caindo. Financeiramente é uma queda absurda. Há uma igualdade de valores. Esses recursos que são destinados aos clubes da Série B são muito próximos. Então é cada vez mais um desafio para um gigante que cai. Primeiro é o tombo, começar a se levantar desse momento, que é crítico. É muito decepcionante para todos, cria-se um ambiente muito ruim, muito hostil às vezes. A gente tem que começar a pensar na reconstrução de tudo isso. É sempre um desafio, para todos os clubes que, por ventura, possam cair de divisão. Ele precisa repensar muito e ter tranquilidade porque é uma competição muito difícil e a cada vez fica mais difícil e mais competitiva. A logística é sempre muito complicada. Hoje, nós temos aqui o Brasil-RS caindo e imagino as viagens que eles fazem. Nós fizemos uma, mas eles fazem 18 viagens dessa. É muito difícil para eles. A gente sabe da dificuldade da competição e espero que a gente acima de tudo possa tirar as lições necessárias e possa buscar – e o clube está fazendo isso – um novo caminho. Tem pessoas muito competentes no clube e a gente precisa enaltecer todo o trabalho. Não começou com o Enderson. Nós temos o (Marcelo) Chamusca, o (Eduardo) Freeland, que é nosso diretor e pensou muito na ideia de equipe e dos jogadores. A gente só veio a colaborar com o clube naquele momento e não canso de enaltecer o ambiente sempre muito saudável e leve que a gente encontrou aqui, mesmo nos piores momentos e de maior desconfiança. Sentimos que era um grupo que tinha condição de poder resgatar o clube nessa temporada – acrescentou.
O treinador ressaltou que ainda tocou pouco no assunto planejamento 2022. Ele preferiu manter a concentração nos objetivos de subir e ser campeão da Série B.
– A gente estava muito focado nessa reta final, de não desmobilizar e perder o foco. Conquistamos o acesso no último fim de semana, então ainda estava tudo sem muita certeza do que poderia acontecer. Nosso foco sempre foi buscar o acesso. E a partir do momento que conseguimos o acesso, projetamos o título. Falamos que tínhamos essa oportunidade e que não poderíamos abrir mão. A partir de agora a gente pode começar a projetar 2022. Não que o clube de alguma forma não pudesse fazer alguns planos, mas sabemos que era fundamental a questão do acesso. Temos um investimento muito diferente e precisamos ter tranquilidade para tomar as melhores decisões. Vamos aguardar e acho que essa semana é uma semana boa para que a gente possa conversar um pouco sobre 2022 – disse Enderson, que reafirmou o desejo de permanecer.
– Não tivemos tempo de conversar nada sobre 2022. O que posso falar é que tenho muita vontade de continuar um projeto aqui. Sei que foi muito bacana a conquista, mas que os desafios são muito maiores para o ano que vem. O trabalho também. Sabemos que não vai ser fácil. Nem conversamos, porque estava muito focado nessa reta final, no acesso, que era muito importante para nós – finalizou.
