Ex-diretor revela que Botafogo pensou em Vojvoda antes de acerto com Chamusca para a Série B: ‘Mas era importante ter alguém que entendia a competição’

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Por FogãoNET

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Juan Pablo Vojvoda em Fortaleza x Botafogo | Campeonato Brasileiro 2022
Reprodução/Premiere

Ex-diretor de futebol do Botafogo e atualmente no Bahia, Eduardo Freeland deu entrevista nesta terça-feira ao podcast “Glorioso Connection”. Ele contou bastidores de sua passagem e revelou que o nome de Juan Pablo Vojvoda, técnico que hoje faz sucesso no Fortaleza, esteve em pauta no clube alvinegro.

– Antes do Marcelo Chamusca, sim. Curiosamente, Vojvoda foi um nome que discutimos, mas não fomos no mercado. Tínhamos muito receio de trazer um gringo para uma competição que tinha particularidade e pouca visibilidade. Vojvoda não a conhecia. Não foi só ele, foram alguns nomes, como Becacecce, que era difícil e estava em alta. Mas era importante ter alguém que entendia a competição. O Vojvoda poderia certo, pelo que ouço falar hoje, do trabalho no Brasil, no Fortaleza, na primeira divisão, são relatos positivos. Mas não tinha essas informações tão precisas na época. Era uma margem de erro muito alta, preferi uma menor. Mas sempre há margem. Acabamos optando por alguém mais caseiro. O mundo vê a Série A, mas a Série B não. Fazia mais sentido ser caseiro – explicou Freeland.

Chamusca, no entanto, não teve tanto sucesso no Botafogo. Ele foi eliminado precocemente no Campeonato Carioca e na Copa do Brasil de 2021, além de deixar o time mal na Série B, o que gerou protestos da torcida.

– Foi o momento mais tenso. Quando você recebe a torcida, perde controle do que vai acontecer. É óbvio que ela está pleiteando melhora, estávamos mais perto do Z-4 do que do G-4. Mas a chegada da torcida não acelerou ou foi determinante para a demissão. Estávamos pensando na forma. Com Chamusca, tivemos um Estadual irregular e caímos na Copa do Brasil para o ABC. Ele tinha aprovação alta antes, mas não nos classificamos entre os quatro no Carioca. Ali começamos a discutir permanência ou não. Mas tínhamos um hiato de quase 60 dias sem contratação, foi uma das discordâncias minha com o Jorge Braga, porque aquilo causava impacto na performance da equipe. O que foi discutido antes de começar a Série B era que não era justo transferir tudo para o treinador, nós tínhamos responsabilidade. O que sugeri foi primeiro entregar os jogadores para avaliarmos o trabalho e depois tomarmos a melhor decisão. Tivemos reforços, como Chay, Oyama, Daniel Borges, Barreto, Diego Gonçalves. Naquele momento, começamos a Série B bem, depois temos a primeira derrota, entramos em oscilação acentuada, perdemos dois jogos, vamos para décimo colocado. Antes de jogar com o Cruzeiro, fazemos uma reunião, uma coisa era performance, outra era o resultado. As duas não estavam boas. Se vencêssemos o Cruzeiro jogando bem, daríamos uma sobrevida. Se não vencêssemos, iríamos reavaliar. Não podia ser no achismo, tinha nome no mercado? Não acho certo demitir antes de ter alguém em mente. Tomamos a decisão na terça, fizemos a decisão do profissional e definimos o Ricardo Resende para dirigir. Foi esse o timing. Sou muito contrário a tomar decisão no calor do momento, na emoção. Temos que ser o mais frio, às vezes perder um dia você ganha a temporada – ponderou Freeland, que na sequência contratou Enderson Moreira, campeão da Série B no Botafogo.

Outro nome comentado na entrevista foi o de Eduardo Barroca, que comandou o time na reta final do rebaixamento na temporada de 2020.

– Quando chego ao clube, o próprio presidente (Durcesio Mello) pergunta qual a minha percepção do Barroca, um treinador que gosto, sei que a torcida tem suas questões. Mas acho que ele também foi vítima daquela temporada do Botafogo, tantas trocas e desencontros. Teve pouca participação no que aconteceu. É um cara extremamente dedicado, tem conteúdo muito bem. Até falei na época que, se não fosse o Barroca o treinador, ele talvez fosse um nome muito adequado. Se não estivesse com todo aquele desgaste por conta dos maus resultados. Considerei mantê-lo, mas quando analiso o todo, o desgaste, a pressão que ele vinha sofrendo, entendi que o nível de paz que precisávamos para oxigenar o trabalho, se mantivéssemos o Barroca e empatássemos um jogo no Estadual, tudo ia por terra. O lado humano também me fez preservá-lo, não merecia passar por aquilo. É um cuidado também de preservar o profissional. Não à toa foi para o Bahia e nos ajudou no acesso. Quem conhecer o nível de entrega, capacidades e competência que esse cara tem vai mudar a concepção. Ainda acredito que vai entregar coisas consideráveis no futebol brasileiro – completou.

Fonte: Redação FogãoNET e Glorioso Connection

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