Gatito repassa história no Botafogo e revela que fez ‘lobby’ por volta de Carli: ‘Ficou sabendo por mim’

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Por FogãoNET

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Gatito Fernández e Joel Carli em Botafogo x Brasil de Pelotas | Série B do Campeonato Brasileiro 2021
Reprodução/Instagram

Gatito Fernández foi o convidado do “Fora do Jogo Podcast” nesta quinta-feira (26/5). O goleiro repassou sua carreira e, principalmente, sua história no Botafogo, com bom humor e simplicidade.

Entre as lembranças, Gatito revelou que fez lobby pelo retorno de Joel Carli em 2021 e foi o primeiro a avisar o zagueiro argentino que a volta estava confirmada.

Leia abaixo os principais trechos:

Chegada ao Botafogo

– Em novembro de 2016, nem tinha acabado o campeonato, o (então gerente de futebol) Antônio Lopes me pergunta se gostaria de jogar no Botafogo, estava com meu pai, respondi que sim. Antônio Lopes já tinha trabalhado com meu pai, o que me ajudou a confiar e vir para o clube.

Convivência com Jefferson

– Estar com Jefferson foi bom para minha carreira, me ajudou a crescer em todos os aspectos, como líder, como companheiro e, principalmente, como goleiro. Foi uma briga sadia pela posição. Ele me ajudou bastante a me adaptar e a conhecer o clube. Até hoje nos falamos. Sempre que faço bom jogo ou ganhamos, ele me manda uma mensagem. Ficou o contato. Tínhamos uma relação boa, por causa do ambiente bom entre os goleiros. Foi um legado dele, estou tentando manter no clube. Com Cavalieri também foi assim. Essas coisas não se vê fora, mas sabemos que é importante no dia a dia.

Flavio Tenius

– Sempre falei que tive um preparador de goleiros que me formou, com 15 anos, foi do meu pai também. Eu saía chorando dos treinos, já falei várias vezes. Hoje posso falar do Flavio, me ajudou muito na carreira, não é só um bom preparador de goleiros, é um amigo e psicólogo, trabalha muito a parte mental. A preparação para o jogo, para sequências boas ou não boas. Fora o trabalho do dia a dia. Agradeço muito a ele. Ficou a amizade. Conversamos, sinto saudade porque ficou muito tempo no clube, sou muito grato a ele.

Jogos grandes

– Gosto de jogar clássicos, é uma sensação diferente. Você sabe que a pressão é maior, que a torcida quer que ganhe aquele jogo. É uma mistura de muitas coisas que nos faz ficar mais atentos, mais ligados e com mais vontade de ganhar.

Jogo épico contra o Olimpia em 2017, em que defendeu três pênaltis

– Já estava habituado a jogar contra o Olimpia, sempre gostei de jogar clássico, mais ainda contra o Olimpia. Jogava desde pequeno, na base, na escola. É bom demais ganhar do Olimpia. Já entrei motivado, as vaias eram todas em mim. Graças a Deus conseguimos nos classificar para a fase de grupos. Depois do jogo, voltamos para o Rio de voo fretado, não quis ficar no Paraguai porque sabia que teria muito repercussão, não conseguiria ficar com a família. Até hoje meus amigos falam desse jogo. Tomara que possamos repetir de novo.

Objetivo

– Estamos em um processo muito bom, time se montando, muito campeonato pela frente. Estamos no caminho certo. Com os pés no chão, conseguimos almejar coisas boas. Tomara que consigamos coroar esse campeonato, todo esse processo, estando em competição internacional novamente.

O que faltou na Libertadores de 2017

– O grupo acho que foi o melhor em que já estive. Éramos muito unidos, até fora dos treinos. Jair (Ventura) tinha o grupo na mão. Faltou no primeiro jogo (contra o Grêmio) atacar mais, ter chances, fazer uma diferença. Lá poderíamos levar para os pênaltis, que seria bom também.

Chute no VAR

– Já passou essa época. Já nos gostamos de novo (risos). Eu estava muito… naquele ano era muito nítido, muitos jogos contra a gente. Muita faltinha, não deixavam seguir o jogo para nós. Foi acumulando, em um momento de impulso, acabei descontando no VAR. Esbarrei nele (risos).

John Textor

– John é um cara muito sério, tem mentalidade muito diferente da nossa, muito a aportar no futebol brasileiro, com a experiência dele e novas ideias. Você vê um estrangeiro como dono do Botafogo, não tem raiz no clube, mas realmente tem um carinho grande. Você fica tranquilo porque ele realmente gosta, vai procurar fazer o melhor pelo Botafogo.

– Tivemos um contato com ele, após o jogo com o Fortaleza, foi a primeira vez que entrou no vestiário, cumprimentou todo mundo. Um senhor normal, sério. Uma vez ele chegou e cumprimentou o Carli, chamou de “legend“. Brinquei e perguntei se era porque ele era bom ou se ele era velho. John não entendeu muito (risos).

Parceria com Carli

– Ele ajuda o time. Temos relação de amizade, nossas famílias são amigas, são anos jogando juntos e concentrando juntos. É muito amigo. Fazemos tudo praticamente juntos, descer para o café, alarme. É igual casal realmente. Até a esposa dele fala “você tirou o travesseiro da cabeça dele para dormir?”. Imagina a confiança? (risos) Nos entendemos muito bem. Se você não se der bem com quem está no quarto não descansa bem.

– Ele é um cara muito importante, dentro e fora de campo. Sentimos a falta dele em 2020. É uma liderança, cobra, fica em cima dos meninos para fazerem tudo certo. Todo mundo já percebeu, quem é botafoguense já sabe.

– Nos falávamos sempre, mesmo quando ficou fora. Assistia aos nossos jogos. Ele sabia, porque o (Eduardo) Barroca me perguntou e eu falei que o Carli tinha voltar. Ele não acreditava. Falamos com (Eduardo) Freeland, internamente estávamos conversando. Ficou sabendo por mim que ele ia voltar. Falei “Carli, vão te chamar aí, você vai voltar, já está tudo certo.”

Carinho da torcida

– Onde vamos sentimos o calor da torcida, vão no hotel nos receber, o pessoal do marketing está fazendo um papel bom para recebê-los fora do Rio. Que continue assim, quem ganha é o Botafogo, deixar o patrão John feliz.

Chance de título na Copa do Brasil

– Não ficamos falando assim abertamente, mas sabemos das condições e possibilidades. São jogos mata-mata. As chances estão para os dois times. É encarar com mentalidade vencedora, acreditando que conseguimos, porque tem possibilidades reais.

Luís Castro

– O que estou notando de diferença é que trabalha muito na parte tática, não fica amarrado a uma forma de jogar. Vai trocando durante o jogo, prepara para isso, cada detalhe, intensidade. Estou feliz porque estou aprendendo muito com ele. É um cara que pode ajudar muito o Botafogo a vencer, pela mentalidade vencedora, impulsiona a jogar com personalidade, livre e ajudar os companheiros.

– Ele cobra muito nos treinamentos, primeiro que todo mundo esteja atento, se ajudando. Ainda estamos em crescimento, muita coisa a aprimorar, mas já avançamos bastante, pelo curto tempo.

Gatito é ídolo?

– Não me encaro como ídolo não. Sou muito querido e respeitado, isso é difícil ganhar no futebol. É pelo trabalho que faço, dia a dia, as vezes que representei o Botafogo dentro de campo. Ainda falta para virar ídolo, estou no caminho certo, com tranquilidade isso pode acontecer. Não fico pensando nisso, mas pode acontecer se mantiver a regularidade no meu trabalho.

Encerrar a carreira no Botafogo ou no Cerro Porteño?

– Tenho essa divisão no meu coração. Se finalizo a trajetória no clube ou se volto para o Paraguai e jogo no Cerro Porteño. É uma dúvida que tenho na minha cabeça. Difícil pensar em outro time do Brasil. Minha família está bem, minha filha nasceu no Rio, somos muito felizes aqui. Coloco na balanço, acho que está ganhando.

Libertadores

– Voltar a brigar em uma Libertadores seria uma coisa muito boa para mim. Representar internacionalmente, seria sensacional.

Copa do Mundo ou grande título no Botafogo?

– Ganhar um grande título pelo Botafogo. Não tenho dúvida.

Título carioca de 2018

– Foi uma noite perfeita, porque o Carli fez o gol no finalzinho e nos pênaltis eu tinha muita confiança que iríamos ganhar. Minha mãe estava no estádio. Foi muito marcante. Peguei dois pênaltis, o último acabou o jogo.

Fonte: Redação FogãoNET e Fora do Jogo Podcast

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