Em belo texto, Jefferson revela gratidão ao Botafogo: ‘Valeu a pena. Faria tudo de novo’

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Por FogãoNET

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Em belo texto, Jefferson revela gratidão ao Botafogo: ‘Valeu a pena. Faria tudo de novo’

Ídolo do Botafogo e terceiro jogador com mais partidas na história do clube (atrás apenas de Nilton Santos e Garrincha), Jefferson se declarou mais uma vez ao clube. Em belo texto divulgado pelo site “The Players Tribune“, o ex-goleiro contou sua trajetória, relembrou a carreira e destacou a identificação com o Alvinegro.

Jefferson revelou por que permaneceu no Botafogo no fim de 2014, mesmo com o rebaixamento para a Série B, o que pode ter tirado espaço na Seleção Brasileira.

– “Tem coisas que só acontecem com o Botafogo.” Tenho certeza que o torcedor botafoguense já ouviu esse comentário por aí. Para muita gente, a frase significa que nós, apaixonados pelo Fogão, somos azarados. Em 2014, nós vínhamos de temporadas bem-sucedidas e aparecíamos entre os primeiros colocados nas edições anteriores do Campeonato Brasileiro. Mas esse ano não foi como a gente imaginava. Infelizmente, o Botafogo acabou rebaixado. E, naquele mesmo momento, quando o clube precisava de mim, eu recebi sondagens de outras equipes. Havia times da Série A que me ofereciam a chance de disputar a primeira divisão. Eu não precisaria passar pela Série B. A depender da minha escolha, eu poderia permanecer no radar das convocações da Seleção Brasileira. O que você faria se estivesse em meu lugar? Eu decidi ficar. Meu objetivo era ajudar o Botafogo a subir para a Série A – declarou Jefferson.

O ex-goleiro relembrou histórias, como o empate em 1 a 1 com o Athletico-PR em 2004 que manteve o Botafogo na Série A, a experiência frustrante no exterior, pegar pênalti de Messi, o pênalti defendido em cobrança de Adriano e o título carioca de 2010.

Só quem conhece o dia a dia da torcida botafoguense sabe o que é ser assombrado por um tabu contra o rival. No caso, eu vivi isso intensamente. Quando voltei, em 2009, pude ajudar o Botafogo e nós ficamos na elite do Brasileiro. No ano seguinte, era a vez de alcançar outros objetivos. Então, chegamos à final do Campeonato Carioca de 2010. E, mais uma vez, o Botafogo enfrentaria o Flamengo, que, nos anos anteriores, havia derrotado o nosso time. No comando do ataque do nosso rival, ninguém menos que Adriano.

– Com todo esse clima, a minha primeira decisão de campeonato jogando pelo Botafogo não poderia ser mais dramática. Nossos torcedores também sentiam isso. Muitos chegavam até nós e diziam que não poderíamos perder aquela final. Não para o Flamengo. “Se for para ser derrotado de novo, era melhor nem ter chegado à final”, eles falavam. Quatro vices seguidos diante do mesmo adversário seria impossível de engolir. Nós, jogadores, também tínhamos consciência de que isso era inaceitável.

– E lá fomos nós para a decisão. Acho que todo mundo se recorda dessa história, mas vou contar aqui duas passagens importantes para quem viveu aquele dia. O jogo tava empatado no segundo tempo. Aos 27 minutos, pênalti para o Botafogo. Loco Abreu vai para a cobrança. Cavadinha no meio do gol. 2 a 1 pra nós.

– Aos 32 minutos, o juiz marca pênalti para o Flamengo. Era a chance do empate. O Maracanã estava lotado e, se eu fechar os olhos agora, consigo reviver a atmosfera daquele momento. Todas as atenções estão voltadas para o Adriano, que pega a bola pra fazer a cobrança. Eu olho para o alto e respiro fundo. Ele parte para bater o pênalti. Eu ainda não me mexi. Ele bate rasteiro, seco, de canhota para o lado esquerdo. Eu acerto o canto e espalmo a bola pra escanteio. Me levanto com os braços erguidos para o céu. Os meus companheiros correm para me abraçar e eu sinto o calor da torcida.

– Esse momento ficará para sempre marcado na minha memória. Assim como o carinho do torcedor botafoguense, que até hoje me para na rua, no aeroporto, em qualquer lugar, para me agradecer. Eu ainda consigo ouvir os gritos da arquibancada. “Jefferson, Jefferson, Jefferson.” O que o torcedor do Botafogo faz pelos jogadores não tem comparação.

Em 2015, veio o desafio com o Botafogo. Ficar para disputar a Série B ou aceitar outras propostas?

– Posso ouvir a pergunta: “Por que você decidiu ficar para disputar a Série B, Jefferson?” Confesso que não foi fácil tomar essa decisão, mas eu não me arrependo. Eu pensei de forma muito prática: “Se eu ficar no Botafogo, vou pegar a Série B em 2015 e não sei se vou continuar sendo convocado para a Seleção”. Só que, mesmo levando isso em consideração, eu escolhi ficar. E digo que faria tudo de novo!

A recompensa viria algum tempo depois. Foram quase dez anos de clube, 459 partidas, 19 pênaltis defendidos. Até o momento, sou o terceiro jogador que mais teve a honra de vestir a camisa do Botafogo. Tem noção disso, cara? Eu estou na mesma galeria de Nilton Santos e Garrincha. A prateleira mais seleta de um gigante do futebol brasileiro… Esse é um orgulho que não tem explicação. Cada jogo, cada gota de suor que eu derramava pelo clube tinha muito valor, mas, a certa altura, me toquei que era hora de parar. A partida de despedida foi emocionante. Minha mãe estava lá, sentada na arquibancada, e eu pude perceber a gratidão que o torcedor do Botafogo sente por mim. Isso não tem preço.

– Ainda hoje, apesar de não ser mais atleta profissional, sinto o mesmo carinho da torcida, resumido exatamente nessa palavra: “gratidão”. Gratidão pelas defesas que fiz pelo Botafogo. Gratidão por não ter abandonado o clube em 2014, na hora mais difícil. Sim, eu reconheço que tudo isso é muito importante, mas, na verdade, sou eu que tenho de agradecer. Fui abençoado por ter vestido a camisa do Botafogo. Fui abençoado porque, graças a Deus e ao Glorioso, cheguei à Seleção Brasileira. Fui abençoado porque este clube me proporcionou meios para que eu ajudasse a minha família. É claro que eu não ia abandonar o Botafogo. O amor verdadeiro não tem divisão. Afinal, a torcida sabe bem, “ninguém cala esse nosso amor”

Por fim, Jefferson deixou um recado para os jogadores jovens do Botafogo.

– Hoje eu sou ex-atleta e, apesar de ser mais um torcedor apaixonado, procuro me controlar e não fico falando mal dos jogadores na imprensa. Sim, eu tenho a cabeça de torcedor, mas, ao mesmo tempo, sei que as coisas não são fáceis ali dentro. Ainda assim, acredito que os jovens que estão subindo das categorias de base precisam valorizar o clube e não fazer do Botafogo um mero trampolim para as suas carreiras. Tem que criar história ali dentro. No final, eu posso garantir uma coisa: Vale a pena! E como vale – disse.

Leia o texto completo: https://www.theplayerstribune.com/br/posts/carta-jefferson-goleiro-botafogo-gratidao

Fonte: Redação FogãoNET e The Players Tribune

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