Jogador pediu para sair do Botafogo em 2014 por ‘não topar fazer corpo mole’, diz ex-dirigente, que conta bastidores de demissão de quarteto

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Por FogãoNET

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André Silva, ex-dirigente do Botafogo
Reprodução/Glorioso Connection

Ex-dirigente do Botafogo, André Silva contou detalhes do nebuloso ano de 2014, que marcou rebaixamento do clube para a Série B e demissão do quarteto Edilson, Bolívar, Julio Cesar e Emerson Sheik pelo então presidente Mauricio Assumpção. O ex-vice de futebol revelou que um jogador, que não teve o nome divulgado, pediu para sair por não topar fazer corpo mole.

Além disso, explicou os bastidores da demissão do quarteto.

– Infelizmente, estava tudo abandonado. Por todo mundo. O clube estava acéfalo. Ali ele (Mauricio Assumpção) tinha que fazer (o corte). Falei com ele que tinha que ter trazido à mídia o que os caras fizeram. Ele ficou como vilão sozinho. Cortou os melhores do time, mas tinha um porquê. Para mim, ele teve uma culpa, não ter tirado o (Vagner) Mancini. Tem um jogador, que gosto muito, não vou citar nome, confiava muito em mim, eu tinha trazido para o Botafogo, me liga e diz que vai pedir para sair, porque os caras estavam pedindo para ele fazer corpo mole. Não sei quem estava pedindo, ele não me disse. Mas pediu para sair, porque ou jogava direito ou preferia sair. Saiu, foi criticado pela torcida, mas saiu para não participar daquilo. Os caras passaram a desrespeitar toda a instituição do clube. “Ah, não está me pagando, vou de carro até o vestiário. Abriam os portões dos corredores e iam”. Para o campo anexo, iam de carro. O roupeiro chegava com material, eles falavam “se não me pagam, eu levo o material”. Como você vai ficar com uns jogadores desses? Teve gente que foi junto porque era muito ligado, mas não estava nesse grupo. Só falo com um desses caras até hoje, sei que não estava. Mauricio errou de não trazer isso à tona, tinha que ter trazido – comentou André Silva, no podcast “Glorioso Connection”.

Mesmo sem ter cargo no clube, André Silva se colocou à disposição e tentou dar contribuição na reta final.

– Tentei ajudar, procurei botafoguenses ilustres para ajudar a colocar os salários em dia, fizemos um jantar no Jockey, o Botafogo é abençoado porque tem grandes botafoguenses, de grandeza mesmo. Já vi dois grandes botafoguenses darem R$ 1 milhão cada um para o Botafogo a fundo perdido. Eu ligava para pedir dinheiro, a mulher dele falou “André, a gente adora você, mas ele não vai dar mais R$ 1 para o Botafogo”. Hoje fico envergonhado. Quando você está no meio do turbilhão, fica naquela – lembrou.

– Tem um jogo, Botafogo x Fluminense, em Brasília, cuidei sozinho da bilheteria e do vestiário, não era mais vice-presidente, não era nada. Nesse dia um deputado botafoguense doente me levou um doce de leite de Minas Gerais, me deu em uma sacolinha de papelão. Quando entro no vestiário, um desses começou a gritar chegou o homem do bicho, olha o bicho na sacola. O cara mal me conhecia. É coisa de louco, saio com o dinheiro da bilheteria, vou para o hotel, faz uma fila de jogadores e vou pagando os caras. Olha que coisa arcaica. Aí o dinheiro acaba, faltam dois jogadores. Dou cheque meu para eles, Tanque Ferreyra e Bolívar. Um amadorismo total – prosseguiu.

O ex-dirigente acredita que o maior erro foi não terem demitido o técnico Vagner Mancini.

– Eu vejo uma situação, porque assim, o jogador tem que acreditar no treinador, é uma profissão completamente diferente. Nós podemos não acreditar nos nossos chefes, fazemos o trabalho e vai fluir. No caso do jogador, não. Tem que acreditar no treinador, no projeto, no esquema de jogo, na tática. Já vivi isso, de o treinador conseguir que o grupo acreditasse nele, depois de um tempo é difícil manter. Aí cai absurdamente o rendimento. No caso lá, vi a figura gritar contra um jogador na frente de todos os outros, chamar dos piores nomes que você pode imaginar. Ali vi que já estava completamente perdido. Qualquer treinador que tivesse o grupo seria contestado, porque o jogador quando gosta do treinador contesta, mas quando está cagando deixa para lá. O pior de tudo é que na quarta seguinte ele colocou o cara de 10. Você acha que esse cara vai correr para ele? Ali existia um problema, Mauricio (Assumpção) queria que o (Wilson) Gottardo mandasse o Mancini embora. O Gottardo ficou entre a cruz e a espada, porque o Mancini aceitou ficar sem receber. Mas não adiantou nada, no final até eles brigaram. E aconteceu o que aconteceu – finalizou.

Fonte: Redação FogãoNET e Glorioso Connection

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