Goleiro do Nottingham Forest, John se declarou ao Botafogo. Em entrevista ao canal da jornalista Yara Fantoni, ele relembrou o período mágico que viveu no clube com gratidão e orgulho.
– Eu tenho um carinho enorme pelo Botafogo. A instituição, o clube, a torcida. Um carinho por onde a gente foi muito feliz. Eu e a minha família. Além não só de ganhar, mas onde eu fui feliz mesmo em todos os sentidos. A minha vida, a minha família, meus filhos. E aí você soma tudo isso e no final tem o prêmio de você ganhar. De você conquistar as coisas. Então, para mim, está no meu coração. Está na minha vida. A torcida, o estádio, o time, o clube. As pessoas do clube também – exaltou John.
O goleiro colocou o melhor momento da carreira no clube.
– Eu não posso deixar de falar do título da Libertadores e do Brasileiro. Que ali foi tudo junto, né? Outro objetivo meu era a Seleção Brasileira. Era um sonho para mim também. Veio após os títulos. Era uma coisa que eu já imaginava. E muitas das vezes estava perto, porque algumas vezes eu estava na pré-lista – recordou.
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Ganhar a Libertadores
– Ah, eu tinha um sonho, né? Quando acabou essa final de 2020 (derrota do Santos para o Palmeiras), momento mais difícil da minha carreira, minha esposa e minha filha estavam na arquibancada. E aí eu vou com a medalha de prata assim, vou dar um abraço nela. Aí eu falei pra ela, essa vai ser a última, a próxima que eu vou te dar vai ser de ouro. E aí eu coloquei na minha cabeça, eu quero chegar de novo, eu quero ganhar de novo, eu vou chegar e foi indo. Ano após ano eu sempre colocava essa meta e tal e cheguei no Botafogo onde tudo deu certo.
Chegada ao Botafogo
– A ida para o Botafogo foi no momento que eu estava na Espanha, né? Estava emprestado no Valladolid pelo Santos. E aí o (André) Mazzuco me liga em dezembro que talvez o Perri ia sair. Quando o Perri saísse eles iam tentar me contratar para me levar em definitivo e tal. E era uma coisa também que eu estava precisando, na época tinha saído dois empréstimos, então eu queria uma coisa mais segura. Veio o Botafogo, eu falei, eu vou para o Botafogo, onde eu vou ter a segurança para trabalhar, onde eu vou poder me empenhar o máximo possível pra poder jogar, poder mostrar e ter tranquilidade pra trabalhar. E aí foi no Botafogo que as coisas foram acontecendo.
Início no clube
– Quando eu chego, eles tinham acabado de perder um título, mas eu via no semblante de cada um, que eles queriam, todo mundo queria ganhar. Então quando eu cheguei, eu me senti, parecia que eu tinha perdido o título junto com eles. A energia estava tão assim, cara, mas a gente precisa ganhar. Eu faço parte disso aqui, né? Os caras perderam no passado, mas eu também faço parte, eu me senti como se eu tivesse perdido. Então ali começou também, muitas coisas se encaixaram, né? O próprio Artur Jorge, os jogadores também foram se encaixando devagarinho, as peças foram se encaixando, foi dando liga, a gente começou a ganhar jogos. Só que quando eu chego, eu não jogo, eu me machuco. Quando eu cheguei no Botafogo, eu joguei o segundo jogo do Carioca, eu acabei machucando, aí eu fiquei todo Carioca, voltei no começo dali, perdi toda a pré-Libertadores, não joguei a pré-Libertadores, nos dois jogos da pré, não joguei. Aí voltei, comecei a voltar, o Gatito começou a jogar, aí o Artur chega, em certo dia, no almoço, fala assim, hoje quem vai jogar é o John. Eu tomei um susto, falei, cara, e agora? Pelo amor de Deus. Era um jogo contra o Universitário, em casa, e se a gente perde, a gente estava eliminado, não classificava para a fase de mata-mata. E se a gente ganha, a gente estava vivo. Caramba, e agora? Falei, estou fazendo as coisas boas, estou treinando bem, então acho que vai dar tudo certo. Fiquei tranquilo, ganhamos por 3 x 1, aí começou, aí depois ganhamos do Flamengo 2 x 0, começamos a ganhar, ganhar, ganhar, ganhar.
Classificação sobre o Palmeiras na Libertadores
– Ali virou a chave, não só para o Botafogo, para mim também, porque eu também tinha perdido o título do Palmeiras. Se eu sou eliminado, se a gente é eliminado naquele momento, a gente perde a vaga de disputar as quartas de final. Então, para mim, também foi algo tipo assim, caramba, não posso perder para o Palmeiras de novo. Porque até então não tinha jogado. Consegui, né? Dessa vez foi. Não tinha jogado uma oportunidade de mata-mata, um confronto tão grande. E dessa vez foi. E ganhamos. E aí ganhamos no Brasileiro também. E ali que começou a dar força. Eu sempre no meu celular carregava a medalha de vice. Coloquei a medalha de vice da Libertadores, olhava para ela todo dia. Era meu papel de parede. Eu abria o celular todo dia de manhã para ver mensagem. Primeiro vinha o símbolo da medalha de vice. Eu quero a de ouro. Até a final. Aí o treinador de goleiro também falou, a gente vai em busca. O treinador de goleiro também colocou na época também, Marcelo Grimaldi, e fomos juntos.
Importância de Artur Jorge
– Ele ajudou bastante. Não só a mim, acho que a muitos jogadores do Botafogo. Um cara que eu tenho um carinho imenso. Um cara que eu respeito muito. Pela história que ele tem. Pela história que ele criou no Botafogo. Um cara que chegou no Botafogo desacreditado. Um Botafogo daquele jeito que está, bagunçado. Ele consegue dar uma identidade para o Botafogo. Consegue dar uma identidade para os jogadores também. Muito grande. Consegue fazer um trabalho incrível e mostrar a qualidade de todos os jogadores. Ele conseguiu montar que todos os jogadores conseguissem desempenhar o melhor futebol possível. Um cara que eu tenho um carinho enorme.
Expulsão de Gregore
– Gregore é meu amigaço. A gente morava lá no Rio, ele era vizinho de porta. Minha filha era amiga da filha dele. O que acontece é que eu falei, caramba. Ele não, né? Ele não. Eu pensei, caramba, um cara gente boa. Um cara do grupo. Um cara que não merece. Só que eu estava tão naquilo, eu não ia perder de jeito nenhum. Eu falei, agora tenho que virar um samurai aqui, fazer alguma coisa que nós não vamos perder hoje. A gente não perde, não perde. Estávamos todos muito unidos, a conexão era muito boa. Então, tipo assim, a gente se junta ali no meio. Fala, rapaziada, é assim que vai ser. É desse jeito. O Artur passou as instruções. A gente vai fazer isso, isso e isso. Você vai bater o tiro de meta só no Igor, o tempo todo. Bola longa todas. Vamos defender fechadinho. Almada de volante, Savarino de volante, o Luiz desce um pouquinho mais. Igor sozinho lá na frente. O Igor vai brigar com o zagueiro. E vamos assim até o final. Aí a gente passa aqueles cinco minutos e você consegue falar assim, opa, vai dar. Você começa a ver que as coisas vão se encaixando. A gente começa a trocar uns passes, a conseguir jogar. Foi o melhor momento da minha carreira.
Recordações
– Foi mágico. Foi um ano maravilhoso. Eu terminei o ano com as conquistas. Tudo em casa. Atualizei a foto. A história que eu falei para a minha filha, que eu prometi para ela… Quando é campeão, a primeira coisa que eu faço, eu vou até a bancada, pego a minha família toda. Falo, vem todo mundo para o campo. Vamos todo mundo para o campo. Pego a minha medalha. Deixo com ela até o dia de chegar ao Brasil. Quando eu vou para o trio elétrico, eu sou o único que estou sem medalha. Ficou com ela. Falei para a minha esposa. Falei, guarda isso aí bem, pelo amor de Deus. Eu guardo tudo no Rio. Minhas coisas. Meus troféus todos. Eu comprei a taça réplica, está lá em casa também.