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John Textor critica demissão de Franclim, planejamento para altitude e detona CEO: ‘Temos uma criança comandando o Botafogo’

Por: FogãoNET

- Atualizado em

John Textor critica demissão de Franclim, planejamento para altitude e detona CEO: ‘Temos uma criança comandando o Botafogo’
Reprodução/ESPN
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Ex-controlador da SAF do Botafogo, John Textor voltou a disparar críticas. Em entrevista à “ESPN”, o empresário norte-americano disse que não concordaria com a demissão de Franclim Carvalho, criticou o planejamento para o jogo na altitude contra o Cienciano e detonou o CEO/interventor Eduardo Iglesias.

No longo bate-papo, Textor fez elogios a Franclim e disse que o português foi “jogado aos abutres”, citando os problemas que o treinador teve que enfrentar. A entrevista foi gravada na noite de terça-feira (18/8), horas antes da demissão de Franclim ter sido oficializada.

– O que eu vou te dizer agora não vai melhorar minha popularidade com a torcida, mas o que vou te garantir é que demitir o Franclim é um erro. Eu gostaria de começar falando um pouco sobre quem ele é. Franclim é absolutamente uma das grandes mentes da comissão técnica que ganhou os títulos do melhor ano da história do Botafogo. Ele era uma peça incrível da comissão do Artur Jorge. O Franclim ajudava o Artur a tomar decisões dentro do jogo, a fazer substituições, ele comandava os treinos. O método da comissão era compartilhado, eles trabalharam juntos por muito tempo e confiavam um no outro. Se você é um torcedor que não gostou que o Artur Jorge foi embora, então você não deveria ter um problema com o Franclim. Essa é a questão número um – iniciou Textor.

– Eu acredito que o Franclim merece mais respeito. Eu me sinto mal pelo fato dos torcedores do Botafogo estarem sendo tão emocionalmente afetados que eles perdem a noção de como ele é um cara forte como pessoa, de como ele é um treinador forte e como ele contribuiu para a gente ter o melhor ano da história. Ele [Franclim] recebeu uma mão de pôquer muito ruim esse ano… O Botafogo Social vem bloqueando dinheiro, e acabou que o técnico que teve que lidar com esse ambiente de transfer bans. Mesmo com as quantias incríveis de dinheiro que a gente fica ouvindo que a SAF vai conseguir de caras como o ‘Arcanjo Gabriel’ [Gabriel de Alba, da GDA Luma], nós não estamos comprando os jogadores que precisamos para as posições corretas – continuou.

– Estamos usando um elenco extremamente jovem. O Franclim teve que jogar um longo período sem suas estrelas, principalmente o Danilo, que não estava jogando antes da parada para a Copa do Mundo. E, mesmo com tudo isso, se você olhar as últimas partidas, a equipe jogou bem em muitos momentos. É claro que o Botafogo sofreu em alguns jogos, mas, há alguns dias, ele ganhou do Cruzeiro e do ‘ex-chefe’ dele, o nosso campeão Artur Jorge. O Franclim jogou muito bem contra o Fluminense, mesmo com um elenco reduzido – prosseguiu Textor.

– Eu não demitiria o Franclim, pois seu trabalho é bom. Ele nos trouxe títulos ao lado do Artur Jorge. Quando você perde jogos, como aconteceu no Peru, você perde como time, como instituição. Você não perde jogos como pessoa. E, quando o Botafogo perdeu aquele jogo, o Eduardo (Iglesias) deveria ter aparecido, o JP [João Paulo Magalhães, presidente do Botafogo Social] deveria ter aparecido, o [Carlos Augusto] Montenegro deveria ter aparecido… Você não pode abandonar o treinador aos abutres. O Franclim será um grande treinador em outro lugar se for demitido, e é por isso que seria um erro a demissão – encerrou.

Críticas ao planejamento e a Iglesias

John Textor também criticou o planejamento feito pelo Botafogo para encarar o jogo na altitude de Cusco. Segundo ele, o plano foi traçado por Eduardo Iglesias, CEO da SAF, alvo também de pesadas declarações do empresário norte-americano. O Glorioso acabou sofrendo uma goleada histórica por 6 a 1 e ficando em situação quase irreversível na Copa Sul-Americana.

– E aí teve o jogo no Peru [contra o Cienciano]… Você olha para esse cara, esse Eduardo [Iglesias, diretor da SAF do Botafogo], e ele nunca dirigiu um clube de futebol na vida, ele nunca comandou um negócio, e aí ele virou o “novo John Textor”. A decisão de quando o time viajou ao Peru foi dele. Ele deveria ter ouvido o treinador, ouvido a diretoria esportiva. Se você é o chefe, você deve ter esse aprendizado institucional, com tudo o que aprendemos com a derrota que sofremos para a LDU em Quito, das partidas que perdemos na altitude, do sofrimento que tivemos contra o Nacional Potosí. Todo esse aprendizado institucional teria que ter levado a um plano diferente para jogar na altitude [contra o Cienciano, em Cusco] – disse Textor, continuando:

– Eu vou te dizer uma coisa: se eu fosse presidente do clube e tivesse feito o plano [de viagem a Cusco], a gente teria vencido a partida no Peru. A gente estava caminhando para um planejamento em que iríamos enviar os atletas antes para se prepararem na altitude. A gente ia fazer uma inversão no calendário e ir muito cedo para lá, de forma que eles teriam chance de se aclimatarem na altitude. Aí, os atletas conseguiriam lidar não só com o Mal de Altura, mas também com a questão do condicionamento físico. Depois, na partida em casa no Nílton Santos, eles voltam “supercarregados” de oxigênio.

– Eu sei que parece algo radical, mas a gente estava caminhando nessa direção, por todo o conhecimento institucional que a gente tinha e pela continuidade que queríamos. Nosso calendário era perfeito. A gente tinha um jogo em casa em 26 de julho, tínhamos todo o tempo do mundo. A gente poderia ter mandado o time para a altitude e treinado lá. A gente mandava os jogadores, mandava as esposas, e depois trazia o elenco de volta para enfrentar o Fluminense. Quando a gente voltasse ao Peru, a gente ia massacrar aquele time [Cienciano]. Mas não há continuidade nenhuma, não há conhecimento institucional aplicado, não há liderança nenhuma, porque você tem uma criança comandando o Botafogo

– [Eduardo Iglesias] É um cara que não sabe se comunicar com o treinador e com a diretoria esportiva para chegar a um consenso. Essas decisões difíceis têm que ser tomadas pelo dono. Então, ver a culpa pelo jogo mais vergonhoso da nossa história cair apenas no pés do treinador… Isso não é liderança! O comando do clube deveria estar protegendo o treinador, e não o jogando debaixo do ônibus – encerrou.

Fonte: Redação FogãoNET e ESPN.com.br

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