John Textor explica adesão do Botafogo à Libra: ‘Você quer se sentar na mesa em que há poder e influência’

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Por FogãoNET

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John Textor, investidor do Botafogo
Reprodução/SporTV

Depois de adotar uma posição de neutralidade, o Botafogo aderiu à Liga do Futebol Brasileiro nesta sexta-feira, após John Textor participar de uma reunião em São Paulo com dirigentes de clubes fundadores do grupo. Em entrevista ao blog “Negócios do Esporte”, do “GE”, o acionista majoritário do Glorioso, que sempre defendeu uma liga forte, explicou os motivos por ter escolhido a Libra.

– Acho que, da perspectiva do Botafogo, estamos sendo perguntados: você gostaria de sentar-se à mesa com os maiores clubes do Brasil, os que provavelmente continuarão a ser líderes, as grandes marcas do país, quando as pessoas pensam em futebol brasileiro? Quando a Premier League começou, imagina se o Crystal Palace fosse perguntado: você prefere ser o menor clube do Big Six ou o maior clube de um grupo de 14? A decisão é óbvia. Você quer se sentar na mesa em que há poder e influência. Não é o exemplo perfeito, porque o Botafogo em si é um clube grande e muito bem-sucedido, com grandes campeões, um clube que todo mundo sabe que é um gigante adormecido. É apropriado estar à mesa com os grandes clubes no Brasil – explicou Textor.

Segundo o dono da SAF do Botafogo, não houve nenhuma exigência do clube para aderir à Libra.

– Eu já vi na imprensa que eu fiz demandas, e isso não é verdade. A palavra “demanda” é muito forte. Fomos convidados para uma fraternidade de clubes, e todo mundo tem algo para trazer à mesa. Existe uma diversidade incrível no modelo de propriedade, alguns clubes são privados, como o Bragantino, alguns são associações civis. Entre os presidentes dessas associações, existe uma grande diversidade em relação às experiências deles, eles têm excelentes currículos. Então eu cheguei apenas como uma pessoa que se sentou à mesa – disse Textor.

O principal debate entre os clubes está em torno da divisão das cotas. A Libra colocou nos termos 40% igualmente, 30% por colocação no campeonato e 30% por engajamento. Os “opositores” não concordam e sugeriram 50%-25%-25%. John Textor minimizou essa questão.

– Na fórmula, não tenho certeza sobre como ela está agora, mas do jeito que ela começou, com 40-30-30… 40% para dividir igualmente, 30% baseados em performance e 30% em engajamento dos fãs. A única coisa que tentei dizer é: agora, e com o tempo, porque essa fórmula será usada por tantos anos, será incrível se as regras forem colocadas para incentivar certos tipos de comportamentos, aqueles que ajudarem todo mundo. Sim, essa fórmula é muito pensada em relação ao passado, em quem traz valor. Sim, Flamengo, Corinthians e Palmeiras merecem isso. Mas também é muito sobre o futuro. Você quer as pessoas que estão agora, e os investidores que ainda vão entrar nessa equação, você quer que eles invistam de uma maneira que ajude todo mundo – afirmou John Textor.

– Em vez de ter essas métricas difíceis de medir, fáceis de manipular, como seguidores em redes sociais, esse tipo de coisa, acho que isso pode gerar consequências ruins no futuro. O que interessa é quem traz atenção para o jogo. Torcedores importam, torcedores que torcem de verdade. Audiências de televisão importam, que são medidas de maneira muito precisas no mundo. Streaming importa. Quais clubes estão fazendo o melhor trabalho para trazer atenção ao todo da liga brasileira? Isso deve ser recompensado, porque é assim que temos de incentivar até os clubes pequenos a conseguir investidores. O mundo está mudando, o Brasil também. Queremos dizer: isso é o que todos devem buscar, e as regras de como distribuímos o dinheiro te dizem como se comportar. Eu só sugeri que não olhemos tanto para as fórmulas pensando em onde estamos agora, mas que incentivem onde queremos estar no futuro – completou.

Por fim, John Textor agradeceu pela recepção dos clubes fundadores da Libra, com a qual espera agregar com seu conhecimento sobre a Premier League e outras ligas.

– Eu esperava chegar a essa reunião ontem como “o americano que chega tarde à festa e não sabe como o futebol brasileiro funciona”, que eles não iriam querer me ouvir, porque são grandes e bem-sucedidos… Por que eles se importariam? Mas tenho que dizer, Rodrigo. Eu fui muito mais bem recebido do que imaginava. Eu sabia que encontraria pessoas legais, mas não imaginava que estariam tão prontos, que teriam a cabeça tão aberta, para ouvir uma perspectiva diferente. Nós verdadeiramente fomos abraçados. Eles nos receberam com a cabeça aberta em relação a ideias que eu achava que eram fixas, que não poderiam ser mexidas. Eles foram muito abertos a mudanças. Algumas no curto prazo vão ser difíceis, mas estamos falando da flexibilidade desse modelo nos anos dois, três, cinco. Acredito que este seja o grupo certo, e não é certo dizer que eles não se importam com os outros. Eles querem fazer a liga crescer e fazer com que todo mundo fique mais forte – encerrou.

Fonte: Redação FogãoNET e Blog Negócios do Esporte (GE)

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