Ex-controlador da SAF do Botafogo, John Textor não desistiu de tentar retornar. Com uma ação ganha na justiça dos Estados Unidos, em tese sem validade no Brasil, o empresário norte-americano afirmou nesta terça-feira que “não vai permitir” que o futuro do clube seja sem decidido sem ele.
Além disso, propôs uma reconciliação, citando o presidente João Paulo Magalhães Lins, o ex-presidente Carlos Augusto Montenegro e o investidor Gabriel de Alba, da GDA Luma.
O Botafogo adquiriu novas ações da SAF e passou a ter mais de 99%, com a Eagle ficando com menos de 1%.
Leia abaixo a posição de Textor.
“Li narrativas que afirmam que a decisão judicial dos EUA não será respeitada no Brasil ou não tem efeito legal. As engrenagens da justiça giram em um ritmo quando o Clube Social pede o impossível, mas em outra linha do tempo para mim — um carioca no coração, mas um forasteiro aos olhos da justiça do Rio.
O tribunal dos EUA reconheceu minha propriedade das ações. Estou buscando o reconhecimento desse direito no Brasil, e a anulação de ações corporativas que considero ilícitas. Espero que as decisões judiciais em ambos os meus países sejam respeitadas, mas entendo que o clube não pode permanecer em limbo indefinidamente.
Enquanto isso, exigi formalmente que a GDA e Gabriel de Alba cessem e desistam de interferir na minha propriedade da SAF Botafogo. Espero que uma empresa dos EUA, liderada por um cidadão americano, respeite uma decisão judicial dos EUA.
Estou disposto a trabalhar com a GDA como credor ou investidor em benefício do Botafogo, se Gabriel tiver um interesse genuíno no clube. Mas não permitirei que o futuro do clube seja decidido sem mim.
Sim, tive a oportunidade de comprar as ações disponibilizadas indevidamente para a Eagle Bidco nesta assembleia de acionistas — mas como posso comprar algo que já me pertence? A validade desta assembleia (tornada possível por um juiz do Rio que se recusou a decidir sobre minha liminar para pará-la, e após cerca de 30 dias ainda não decidiu sobre a parada da diluição obviamente corrupta das minhas ações) é o que estou contestando em juízo.
Nunca quis que essa disputa se arrastasse por tanto tempo, e o Botafogo, o clube de futebol, será sua maior vítima.
Meus parceiros incrivelmente experientes e eu temos os recursos financeiros, e continuo oferecendo soluções que nos permitiriam avançar juntos. Repito: deixarei de lado diferenças pessoais e me unirei a qualquer um que verdadeiramente viva e respire uma paixão pelo nosso clube.
Em pouco mais de três anos, transformamos a academia de base em uma estrutura reconhecida por seus altos padrões, embora ela deva continuar melhorando. O mercado já valoriza nossos jovens jogadores como ativos financeiros. Entregamos campeonatos considerados impossíveis sob a administração anterior do Clube Social, e construímos uma expectativa de que devemos vencer novamente.
O caminho mais sólido para frente é a reconciliação. Convidei Gabriel repetidamente para sentar e conversar. Eu sou o proprietário, mas respeito seu investimento. Nunca deveríamos ter permitido que nos dividíssemos, e nunca é tarde para deixar nossas diferenças para trás.
O mundo acompanhou as eleições do Brasil. A polarização pode alimentar o ódio e aprofundar feridas, mas todo novo começo também é uma oportunidade. Espero que governo e oposição possam se engajar em um diálogo civilizado, respeitando suas diferenças e buscando o que é melhor para o país. Por que não podemos fazer o mesmo pelo Botafogo?
Confiante de que o Brasil respeitará as decisões dos EUA e em breve devolverá o clube a mim, convido Gabriel, JP e Carlos a colocarem o clube acima de nossas diferenças pessoais.
Somos o clube Glorioso e Mais Tradicional do Brasil, mas não mais o clube de futebol de nossas ambições mais altas. Nossa briga familiar empurrou nossa memória de 2024 para longe, e nosso próximo campeonato sul-americano ainda mais longe… mas eu sei o que há de errado com nosso time, e sei como consertar. Isso não tem nada a ver com nossos jogadores fantásticos, nosso técnico estimado ou nossa equipe leal, que luta todos os dias por vocês — não estamos vencendo porque nossa família não está unida. No momento preciso de 2025, quando deveríamos ter nos voltado uns para os outros, nos afastamos.
Campeonatos são feitos de amor, não de divisão ou ódio — e o futuro do Botafogo deve ser construído juntos. Alguns de nossos maiores torcedores vão rir dessas palavras; eles amam nosso clube, mas se tornaram cínicos. O resto de vocês sabe que o amor, o apoio incondicional e a lealdade estavam conosco em Buenos Aires em 30 de novembro de 2024. Vocês sabem disso, podem senti-lo, e sabem que é possível sentir isso novamente.
Então, usem sua voz. Deixem seus sentimentos conhecidos. Vocês — nós — estamos prontos para trazer nossa família de volta a se unir. É hora do Botafogo novamente.”
I have read narratives claiming that the US court decision will not be respected in Brazil or has no legal effect. The wheels of justice turn at one speed when the Social Club asks for the impossible, but on another timeline for me — a Carioca in my heart, but an outsider in the eyes of Rio justice. The US court recognized my ownership of the shares. I am seeking recognition of that right in Brazil, and annulment of corporate actions I consider unlawful. I expect court decisions in both of my countries to be respected, but I understand the club cannot remain in limbo indefinitely. Meanwhile, I have formally demanded that GDA and Gabriel de Alba cease and desist from interfering with my ownership of SAF Botafogo. I expect a US company, led by a US citizen, to respect a US court judgment. I am willing to work with GDA as a lender or investor for Botafogo’s benefit, if Gabriel has a true interest in the club. But I will not allow the club’s future to be decided without me. Yes, I had the opportunity to buy the shares wrongfully made available to Eagle Bidco at this shareholders’ meeting — but how can I buy something that already belongs to me? The validity of this meeting (made possible by a Rio judge who refused to rule on my injunction to stop it, and after roughly 30 days still hasn’t ruled on stopping the obviously corrupt dilution of my shares) is what I am challenging in court. I never wanted this dispute to drag on so long, and Botafogo the football club will be its biggest casualty. My incredibly experienced partners and I have the financial resources, and I continue to offer solutions that would let us move forward together. I repeat: I will put personal differences aside and partner with anyone who truly lives and breathes a passion for our club. In just over three years, we transformed the youth academy into a structure recognized for its high standards, though it must keep improving. The market already values our young players as financial assets. We delivered championships thought impossible under the Social Club’s prior rule, and built an expectation that we must win again. The most solid path forward is reconciliation. I have repeatedly invited Gabriel to sit down and talk. I am the owner, but I respect his investment. We should never have allowed ourselves to be divided, and it is never too late to put our differences behind us. The world has followed Brazil’s elections. Polarization can fuel hatred and deepen wounds, but every new beginning is also an opportunity. I hope government and opposition can engage in civil dialogue, respecting their differences and seeking what is best for the country. Why can’t we do the same for Botafogo? Confident that Brazil will respect the US rulings and soon return the club to me, I invite Gabriel, JP and Carlos to put the club above our personal differences. We are the Glorious and Most Traditional club in Brazil, but no longer the football club of our highest ambitions. Our family fight has pushed our memory of 2024 far away, and our next championship of South America farther away… but I know what’s wrong with our team, and I know how to fix it. It has nothing to do with our terrific players, our esteemed coach, or our loyal staff, who fight every day for you — we are not winning because our family is not together. At the precise moment in 2025 when we should have turned toward each other, we turned away. Championships are made of love, not division or hatred — and Botafogo’s future must be built together. Some of our greatest fans will laugh at these words; they love our club, but have grown cynical. The rest of you know that love, unconditional support and loyalty were with us in Buenos Aires on November 30, 2024. You know it, you can taste it, and you know it’s possible to feel that way again. So, use your voice. Make your feelings known. You — we — are ready to bring our family back together. It’s time for Botafogo again.
— John Textor (@Textor44) October 27, 2026