O Botafogo voltou a jogar após mais de um mês e venceu o Santos por 2 a 1, nesta quinta-feira, no Estádio Nilton Santos, pelo Campeonato Brasileiro. Franclim Carvalho fez mudanças táticas e as explicou em entrevista coletiva depois do jogo.
Uma delas foi a inversão de lado dos zagueiros, com Justino pela direita e Ferraresi pela esquerda.
– Relativamente aos zagueiros, conforto, apenas isso. Dos dois. Nós sabemos que são dois pé-direitos. Ainda assim, o Justino fez um grande jogo, apesar de agora no fim estar a arriscar mais, mas fez um grande jogo. Mas com bola tem até mais conforto à direita. E o Ferra tem menos desconforto à esquerda do que tem o Justino. Eles vinham jogando assim, o Justino na esquerda e o Ferra à direita, quando jogavam juntos. Mas nós entendemos após estas três semanas, após a parada, que eles se sentem mais confortáveis assim e a própria equipe. Pois não nos podemos esquecer da experiência que o Ferra tem, que o Ferraresi tem, que o Justino também não tem, mas vai conquistar. Portanto é normal que tenha mais conforto à direita, em comparação um com o outro – explicou.
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Pontas
– Na questão dos pontas, nós hoje tínhamos o Montoro fora, com três amarelos. O Cabral e o Villa têm um entendimento muito bom para procurar esse espaço e para as linhas que nós queremos. Com a ausência do Cabral, o Lucas (Emanuel) não tem essas características. Nós procuramos uma coisa diferente, tivemos pouca ligação por dentro, principalmente no primeiro tempo. O adversário estava homem a homem e nós estávamos a meter muita bola longa. Com a entrada do Santi procuramos isso, ter um homem que andasse ali, o Santi estava a conseguir desbloquear. E com a entrada do Ed (Edenilson) procuramos o mesmo, estávamos indecisos entre o Jordan (Barrera) e o Ed e depois voltamos para o Ed. Por causa disso mesmo, que era para criar dificuldades à referência a mais que o adversário procurava. Portanto, foi só nesse sentido. Agora com o Vitória, ainda não vi o Vitória, quando vir, vamos ver se vamos com o Villa e com o Matheus, se vamos com o Kauan (Toledo) e com o Villa, se o Mont joga por fora, se o Santi e se o Ed. Vamos ver. Felizmente, nós no nosso elenco temos algumas opções com características distintas que nos permitem olhar para o jogo de uma forma ou de outra e dar a resposta, que é esta resposta que eu quero. Gostei muito do jogo do Villa hoje. Para mim, foi o melhor jogo que ele fez desde que nós chegamos.
Quatro na frente
– Não é por jogar com quatro atacantes que vou estar mais ou menos posicionado, se eles cumprirem as funções ou as tarefas taticamente. E nisso o Lucas e o Kauan no primeiro tempo tiveram uma preocupação grande de encontrar o gatilho, o timing de pressão que nós queríamos. Acho que a resposta está, se nós olharmos para o jogo, o adversário em ataque posicional ou em ataque organizado eu não lembro de nenhuma chance do adversário. Posso estar equivocado, mas não lembro. Tem aquele lance que o Matheus perde a bola na primeira fase, que depois finalizam, o Léo Linck defende para o poste. Depois tem estas três ou quatro no segundo tempo, em que eu me recordo, na minha mente está que foi em sequência de lances de bola parada. Portanto, acho que estivemos mais equilibrados.
Meio-campo
– No final do primeiro tempo, eu ao intervalo chamei a atenção do Hugo por causa disso, do Huguinho, cá estávamos a arriscar escusadamente, tínhamos feito o gol. O adversário estava a deixar dois homens na frente e nós estávamos a ficar homem a homem escusadamente. É este ponto de equilíbrio que eu quero encontrar, visto que nos está a falar quando eu falo que nós estamos posicionados a isto. Que os nossos volantes muitas vezes são atraídos pela bola, escusadamente, o que não pode acontecer, quando se tem dois homens atrás. Mas não podemos estar dois para dois, ainda mais quando estamos em vantagem no marcador. A questão do segundo ponta, o segundo extremo, digamos assim, que é o homem oposto à bola, o Matheus nisso foi exímio, defensivamente. O Villa, apesar de estar a dizer que foi o jogo que eu gostei mais dele desde que nós chegamos, defensivamente não esteve bem, ou não esteve ao nível que tem que estar, mas vai melhorar. E isso dá-nos conforto à equipe e principalmente à zaga e ao volante que fica mais, para estarmos equilibrados. Estes homens à frente também têm que trabalhar, por isso é que eu estou a dizer que quando nós começamos com quatro atacantes, não quer dizer que vamos ser mais ou menos posicionados ou equilibrados, se eles cumprirem com as tarefas que o Matheus cumpriu muito bem, defensivamente. O Villa nem tanto.
Queda após o gol o gol sofrido
– Todas as equipes ou todos os times, quando sofrem gols, é normal que o adversário galvanize, está cá dentro, e que quem sofra vá um pouco abaixo. Por vezes é o seu subconsciente, nós não controlamos isto. Mas nós temos que ver a juventude que nós temos em campo. Isto pesa. A minutagem ou a falta dela a este nível, que nós estamos no Brasileiro, pesa. Normal que nós tenhamos ali quatro ou cinco minutos meio abandonados, um pouco perdidos, desculpa a expressão, mas depois encontramos e tentamos carregar. Pareceu-me que fisicamente estávamos bem, mas trocamos nos laterais por causa disso mesmo, porque queríamos dar mais andamento por fora. Estávamos a mastigar muito o jogo nesta parte final, e eu queria que a bola chegasse ao Ed e ao Santi, mais vezes, naquela zona de decisão que nós estávamos a conseguir, para acabarmos por fazer o segundo gol com os passes nas costas, e no que falamos, procurar as costas do adversário com o passe do Marçal. Portanto, acho que é normal, dada a juventude que temos, vai ser menos normal com o decorrer dos jogos e com a minutagem destes atletas, com a experiência que têm, com as vivências que começam a ter com a camisa do Botafogo. Para eles, daqui a 10 ou 15 jogos, quando tiver 30 mil aqui, já vai ser mais natural ou mais normal.