Carlos Augusto Montenegro apareceu bastante durante a última semana, deu três três longas entrevistas, mas pretende “hibernar”. O ex-presidente garante que os dirigentes do clube social não se envolverão com o futebol na gestão GDA Luma, de Gabriel de Alba, e assegura que o Botafogo “não vai acabar”.
Em entrevista ao “Canal do Manel”, Montenegro afirmou que a forma de gestão vai mudar após a saída de John Textor.
– O Botafogo vai ter que se acostumar com outro personagem, entendeu? Vai ter que se acostumar com outro personagem, com três anos, dois anos, de uma vida dura. Aos que achavam que o Botafogo vai acabar, o Botafogo não vai acabar nunca. Enquanto existir o social, não vai acabar nunca. Nós vamos ter dois, três anos de uma vida dura, mas o dono, o Gabriel de Alba, não vai aparecer tanto. Não vai ter aquelas coisas de volta olímpica, de bandeira, distribuir boné. Eu já senti que ele é mais formal, mais sério, quer resultados, é competente – destacou Montenegro.
– Agora, o detalhe, como vai ser, quanto menos a gente se meter, melhor. Fica tranquilo, o social quer distância. Vocês nunca mais vão ver o Carlos Augusto Montenegro falando qualquer coisa. Tem gente do social competente? Tem. Mas, se for convocado e tiver um salário… Eu, por exemplo, jamais vou trabalhar no futebol, porque eu não consigo cobrar do Botafogo. Nada. E hoje em dia não existe esse negócio de você trabalhar de graça no futebol. Entendeu? Não tenho o menor interesse. Conheço o João Paulo (Magalhães Lins, presidente). Depois do que ele está passando, ainda bem que no Botafogo não tem reeleição. Sabe, acabou esse tormento, esse El Niño que está vindo aí, que foi uma loucura. João Paulo está há um ano para cima e para baixo, não está vendo as filhas, tem os negócios dele, o escritório dele em São Paulo, principal, fazendo milhões de coisas, ele está em falta, porque ele está trabalhando. O João Paulo não é um fanático por futebol. Ele jamais iria à Copa do Mundo. Assistiria em casa. Ele está na Copa trabalhando. Porque o mundo do futebol todo está lá. Entendeu? Então, vocês podem ter certeza absoluta, esqueçam o Montenegro, esqueçam o João Paulo, esqueçam o Durcesio (Mello), esqueçam… Não sei quem que vocês chamam de social, todas as pessoas que vocês se lembrarem de social, esqueçam. E ninguém do social tem competência para trabalhar no futebol. Talvez a parte jurídica, advogados etc. Mas em scout, em escolher jogador e ver na Europa, ver isso, ninguém. Ninguém tem. E realmente o scout foi o ponto alto da SAF. E vai continuar sendo – prometeu.
Veja outras respostas de Montenegro:
Papel do social
– Veja bem, o Botafogo já se meteu demais pra apaziguar a Eagle. E a Eagle, apaziguada, está sendo vendida para a GDA. As ações da Eagle estão sendo entregues à GDA. Aí você vai começar a botar o pé, o bedelho, dentro da GDA? Eu, hein? Não pode. “Ah, não tem experiência.” Tem experiência em empresa. Tem experiência em resultados, em orçamento. Tem experiência em contratar os melhores profissionais. A GDA tem experiência em circo? Não. E recuperou o Cirque du Soleil, uma das grandes coisas mundiais, aplaudida no mundo todo. Esquece o social dentro do futebol do Botafogo. O social vai atuar onde não é profissional. Basquete, vôlei, remo, ping-pong, natação. Isso pode ser com o social. E sem profissionais. Tem que ser amador. A não ser que dê dinheiro alguma coisa. O remo dá dinheiro? Não. Mas tem gente lá que é fanática por remo. E eu respeito. Muita gente se criou lá, famílias, etc. Remo é uma coisa saudável, bacana, competição. Mas não tem dinheiro. Então, o amador pode ir para lá. Para o futebol, não.
Relação com o presidente
– Eu falo demais. Da mesma forma que o Textor mente demais, eu falo demais, entendeu? Cada um tem seus defeitos. Mas a minha relação com João Paulo é a mesma relação que eu tive com o Mauro Ney Palmeiro, com o José Luiz Rolim, com o Maurício Assumpção, com o Bebeto de Freitas, já falecido, com o Carlos Eduardo Pereira, com o Nelson Mufarrej, com o Durcesio e com o João Paulo. Que relação é essa? Eu fui presidente de 94 a 96. Graças a Deus, com a ajuda de alguns botafoguenses, eu consegui trazer a sede do Botafogo de General Severiano de volta. Foi uma luta de dois anos. Meu pai morreu nessa época. Eu acho que ele lá de cima me ajudou com o título de 95, brasileiro. Primeiro título do Botafogo na série nova que começou em 1971 do Campeonato Brasileiro. E quando eu saí em 96, eu falei, gente, é impossível você ser presidente de um clube tendo uma outra atividade. Eu tinha o Ibope. Inclusive, sem ser remunerado no Botafogo, porque até hoje os presidentes de clube não são remunerados. Por isso, uma das razões principais de fazer a SAF, para botar profissionais lá, eu disse para eles, é uma loucura ser presidente do Botafogo. O clube já tinha uma dívida grande, a receita é muito pequena. Tirando a modéstia, eu poderia ter continuado como presidente, ter me candidatado à reeleição, mas eu já tinha avisado à minha família, meus irmãos, meu pai, ainda quando era vivo, no Ibope, que eu só seria uma vez presidente. E deu tudo certo.
– Independentemente de eu ter sido sócio, ter sido benemérito, grande benemérito, eu tenho um título hoje, que a torcida usa, e que é o meu maior título de vida, presidente eterno. Então, isso aí é carinho, é de quem fez coisas certas, procurou acertar, mas que teve erros também, que assume, entendeu? Que fala a verdade sempre, e que não se furta em falar com as pessoas, o Botafogo estando bem ou estando mal. Eu fui muito carinhosamente recebido em Buenos Aires. A relação que eu tenho com o João Paulo é de que ele tem independência total como presidente social, e eu me sinto até um pouco culpado que eu fui das razões que o fiz pensar em ser presidente do Botafogo. O Durcesio, na época, achou que o nome dele seria importante, e graças a Deus ele é o presidente hoje. Um cara que está levando isso com profissionalismo e com uma eficiência e com uma tranquilidade tremenda.
Botafogo fragilizado
– O Botafogo é a parte mais fraca da história. A Ares é milionária. Os sócios do Textor na Eagle são milionários. O JP Conte, a coreana Michelle Kang, a Iconic do russo, são todos milionários. O Textor é milionário. O Textor tem uma ilha, tem uma casa linda etc. Pessoa física, o Textor é muito bem de vida. Graças a Deus, ele mereceu. Agora, você vai para o Lyon, que ele tinha sócios que também são milionários. O único que não tem dinheiro é o Botafogo de Futebol e Regatas, que alguns chamam de social. Mas tem uma cláusula de veto, tem um nome, tem a história. É o Botafogo de Futebol e Regatas que originou a SAF, e com a SAF fomos campeões brasileiros de novo e pela primeira vez da Libertadores da América. Então, a minha relação com o João Paulo é de total isolamento, total, mas ele, num problema ou outro, me consulta, e eu não imaginava que o Botafogo fosse passar por essa situação. Foi uma surpresa, para mim, violentíssima, o Botafogo estar devendo R$ 2,7 bilhões, a gente nunca foi informado. Foi uma surpresa, para mim, esses 40 transfer bans chegando, que mostram que o cara nunca pagou ninguém. Entendeu?
– Isso foi uma surpresa. Eu não falei isso para o João Paulo. Eu falei para o João Paulo que ele ia tomar conta de um clube social, um clube com sócios, com piscina, com ginásio, com basquete, com vôlei, com esportes amadores, com o salão nobre histórico, com o remo. Eu falei isso para o João Paulo. Eu não falei que ele ia ter que rodar o mundo com o pires na mão, atrás do sócio, para saber o que ele vai fazer no futuro, preocupado com o clube, preocupado com uma falência. Com todo respeito, depois de tanta luta, a gente ia virar um América, um Bangu, mas aconteceu. Eles ainda sobrevivem, mas com muita deficiência, muito problema, não com o tamanho do Botafogo. Então, eu, o Durcesio também, chamamos o João Paulo para ele ser presidente de um clube social, confiando que a SAF fosse continuar fazendo o trabalho que ela fez nos dois primeiros anos. E o que a gente viu de 2025 a 2026, até agora, metade do ano, foi um filme de terror. Então, o João Paulo, talvez por eu ser bem mais velho que ele e por ser reconhecido como esse título que muito me honra de presidente eterno, às vezes, numa sinuca, me liga. Me pergunta o que eu faço. Vai por aqui. Eu falo, não, cara, continua a conversar, tenta ver. Vamos em frente.
Críticos
– Tem uma garotada nova que não sabe da minha história, não sabe do meu esforço no passado e que ficou mais na cabeça com aquela luta que a gente teve em 2020 para tentar não ser rebaixado. Infelizmente, não deu certo. Aí é “Montenegro, vaza, sai e tal”. Mas está bom. Então, vem cá. Vem cá, garotada. Vem cá pagar o transfer ban. Vai lá falar com o Textor e pede ele para pagar o transfer ban. Entendeu? São uns bobões que… Isso aí não tem problema. Não existe unanimidade. Agora, existe verdade e mentira. Eu apareci na crise. O pessoal me pega porque, como eu ajudo os presidentes, eu acabo tendo alguma informação, estou ajudando. Mas eu não quero aparecer, não quero. Eu já fui presidente do Ibope, já fui presidente do Botafogo, podia ter continuado a ser presidente do Botafogo, mas não quis, não quero. Acabou. É muito desgastante, cara. O mundo hoje está difícil. Espero depois dessa live voltar a hibernar.