A Medida Provisória que está sendo debatida no Governo Federal sobre a regulamentação das apostas esportivas no país pode colocar em risco o patrocínio de pelo menos 13 clubes das Séries A, B e C do Brasileirão, afirma o publicitário João Rodrigues, especialista na área, em artigo no portal “Poder 360”.
De acordo com o artigo, o mercado estima que pelo menos dez casas de apostas – que bancam 13 clubes no momento – das 23 empresas que patrocinam equipes das três principais divisões do Campeonato Brasileiro não têm condições de pagar a licença de R$ 30 milhões para operar no país.
Essa licença, válida por cinco anos, é um dos pontos da MP que deve ser assinada em abril pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além disso, para fazer publicidade no país, as empresas terão de ter CNPJ e sede no Brasil e pagar impostos – a estimativa do governo é que a arrecadação possa atingir R$ 10 bilhões por ano.
“Conforme estimativas do mercado de apostas, o valor da licença de R$ 30 milhões pode ser suportado com pagamento à vista por no máximo 13 empresas que atuam no ramo e patrocinam times das séries A, B e C do futebol brasileiro. Em relação às outras 10 companhias que patrocinam 13 equipes, há dúvidas se terão condições de arcar com essa conta“, diz o artigo no portal “Poder360”.
O articulista acrescenta que, se a MP for editada nos atuais termos, muitas empresas “continuarão atuando em outros países e sendo acessíveis aos consumidores brasileiros, sem pagar impostos – como é hoje. Só não poderão fazer propaganda no Brasil. Mas continuarão disponíveis na internet a partir de servidores no exterior“.
O Botafogo é um desses clubes que tem patrocínio de uma casa de apostas, a Parimatch: R$ 27,5 milhões por ano, sendo o terceiro maior do futebol brasileiro (atrás de Palmeiras/Crefisa e Flamengo/Banco BRB). Da Série A, apenas o Cuiabá não tem nenhuma empresa do ramo estampada no uniforme.
“Com a proibição de publicidade para casas de apostas que não comprarem a licença, os times terão que procurar outra fonte de receita para sustentar suas operações. Não será uma tarefa trivial. Os valores pagos pelas casas de apostas chegam a ser até 3 vezes maiores que os de outros patrocinadores, como bancos“, encerra Rodrigues.
O texto, vale ressaltar, defende a necessidade de se regulamentar o mercado de apostas no Brasil, que movimenta muito dinheiro, mas defende que o “foco talvez deva ser na cobrança de impostos sobre o faturamento das empresas, e não no valor das licenças que serão emitidas para os empreendimentos estarem registrados no Brasil.”
💸 Casas de apostas que patrocinam clubes da Séries A, B e C do Brasileirão:
Bet7k – Mirassol
Betano – Atlético-MG e Fluminense
Betcapital – Figueirense
Betfair – Cruzeiro e Palmeiras
Betfast – Ituano
Betnacional – Sport, Vitória, Náutico, Paysandu e Remo
Betsson – Athletico-PR
Blaze Bet – Atlético-GO
Brbet – Chapecoense e Operário-PR
Dafabet – Coritiba
Esporte365 – Brusque
Esportes da Sorte – Bahia, Goiás, Grêmio, ABC, Guarani, Londrina, Novorizontino, Vila Nova e América-RN
Estrela Bet – América-MG, Internacional, Botafogo-SP, Ceará, CRB, Criciúma e Ponte Preta
Mr Jack Bet – Red Bull Bragantino
Novibet – Fortaleza
Pagbet – Sampaio Corrêa, Confiança e CSA
Parimatch – Botafogo
Pixbet – Corinthians, Flamengo, Santos, Vasco, Avaí e Juventude
Royalbets – Volta Redonda
Sportsbet.io – São Paulo
Tvbet – Botafogo-PB
Upsports.Bet – São José-RS
Valsports – Tombense