Plano do Botafogo para ordenar dívidas projeta uma semifinal de Libertadores até 2031; Capelo vê projeções como ‘factíveis’

66 comentários

Por FogãoNET

Compartilhe

Jorge Braga e Durcesio Mello, CEO e presidente do Botafogo, respectivamente, no Estádio Nilton Santos
Vítor Silva/Botafogo

O blog “Negócios do Esporte”, do “GE”, assinado pelo jornalista Rodrigo Capelo, detalha nesta terça-feira o plano do Botafogo enviado à Justiça para aderir ao Regime Centralizado de Execuções (RCE), que ordena as dívidas do clube numa espécie de fila, com base na nova Lei da SAF.

O Botafogo já conseguiu autorização para a formulação de um plano para pagamento destas dívidas, que somam R$ 178 milhões, num prazo de até 10 anos. O clube vai separar 20% das receitas todos os meses até esse passivo zerar.

No planejamento enviado à Justiça, o Botafogo reuniu 760 páginas de cartas e balanços e é representado pelo escritório de advocacia Kalache, Chame e Costa Braga. E os valores propostos indicam uma política severa de austeridade.

O Botafogo prevê que vai conseguir, em 2023, dobrar receitas em relação ao ano passado, quando disputou a Série A. Além disso, no ano que vem, as despesas serão inferiores às do ano passado, o que resultariam num fluxo operacional positivo de de R$ 77 milhões em 2022 e R$ 87 milhões em 2023.

Com pagamento de dívidas e investimentos, a sobra de caixa seria apenas de R$ 30 milhões em 2022 e R$ 25 milhões em 2023. Isso significa dizer que haverá pouca verba disponível para compra de direitos de jogadores, por exemplo (veja abaixo).

Entre as 760 páginas, o Botafogo também anexou uma planilha com projeções esportivas para os próximos dez anos (confira abaixo), e não há loucuras. O clube planeja ficar na Série A em 2022 com uma 14ª colocação e depois ficar entre os dez primeiros, com uma quarta posição em 2026.

Além disso, não há expectativa nesta projeção de sequer chegar à semifinal da Copa do Brasil, mas há uma perspectiva de semifinal da Libertadores em 2025. Em dez anos, estão idealizados também dois títulos estaduais.

– O Botafogo já teve em projetos anteriores da S/A algumas projeções esportivas mais maluquinhas, agora temos uma lista mais factível. É uma questão de meta orçamentária, não quer dizer que o presidente Durcesio e o CEO Jorge Braga não queiram ser campeões de tudo, é claro que querem – observou Capelo em participação no “Redação SporTV”.

– A meta de Primeira Divisão não me parece fora do lugar, Copa do Brasil também não vejo nada demais. O único ponto que fico mais espantado é semifinal de Libertadores em 2025, são valores em dólar, tem um ponto de otimismo que me parece exacerbado. Mas, como um todo, em relação ao que já foi apresentado no passado, está assumindo risco, mas um risco mais baixo e factível – completou.

Banner black november loja FogãoNET/Estilo Piti

Plano do Botafogo mais atingível que o do Vasco

Em sua explanação, Rodrigo Capelo detalhou também o plano do Vasco para aderir ao RCE, mas os valores são mais ousados em relação aos do Botafogo. O clube cruz-maltino vai ficar na Série B para 2022 e mesmo assim planeja aumentar a receita para R$ 187 milhões no ano que vem, mais do que arrecadou na Série A no ano passado.

“Não se deve ignorar a dificuldade evidente em ambos os planos – sendo que o do Vasco, principalmente por continuar na segunda divisão, assume riscos ainda maiores do que o do Botafogo. O problema dessas contas é que elas estão apertadas. Se algo der errado ou não sair conforme o previsto, elas estouram. O que acontece se o Vasco precisar de reforços acima da capacidade de investimentos para vencer a Série B? E se o Botafogo estiver ameaçado de rebaixamento?”, escreveu.

“O RCE pode ser, finalmente, a solução para dívidas que são acumuladas e postergadas há décadas. Ou pode servir de alívio momentâneo, como aconteceu com o Ato Trabalhista, até que nova renegociação seja necessária. O futuro dependerá do cumprimento destas metas”, finalizou Capelo.

Fonte: Redação FogãoNET e Blog Negócios do Esporte (GE)

Notícias relacionadas