Por que Jobson se perdeu? Ex-dirigente do Botafogo detalha motivos e histórias

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Por FogãoNET

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Jobson em Botafogo x Tigres do Brasil | Campeonato Carioca 2015
Vítor Silva/SSPress/Botafogo

Ex-jogador do Botafogo, Jobson teve passagem marcante em 2009, voltou em 2010, 2012 e 2014, mas nunca conseguiu se firmar. Problemas extracampo e casos de doping impediram uma carreira de sucesso. Dirigente do clube à época, André Silva lembrou como era a convivência com o atacante e como foi a chegada.

– No caso do Jobson, fizemos uma parceria com o Brasiliense, de taxa de vitrine. Normalmente é de 20%, quando o jogador já é grande e o clube também é grande. Quando vem de clube menor, costuma ser meio a meio. Ele, junto com o Jefferson e todo o elenco, nos salvou em 2009. Veio comendo a bola, com força física absurda e tinha o Jefferson fechando o gol. Jobson nunca foi tranquilo. Já chegou com problemas, tinha trocado de empresário, estava no terceiro, ia pegando dinheiro e largando, começava a ter ações na Justiça contra ele. Já chegou com a cabeça virada. Tentamos ajudar, mas ele era muito complicado, vinha de estrutura muito difícil. Tínhamos psicóloga, mas só adianta quando o jogador ou qualquer paciente quer. Jobson não tinha entendimento daquilo, para fazer terapia. Fui fazer uma reunião na casa dele, chego lá ele está de cueca e o primo nu. Falei “Jobson, vai colocar uma roupa e manda esse cara sair da sala”. Era uma pessoa até certo ponto inocente – explicou André Silva, em entrevista ao “Glorioso Connection” nesta terça-feira (20/9).

O ex-vice de futebol contou uma história curiosa dos tempos de Jobson no Botafogo.

– Foram situações acontecendo no dia a dia do futebol, ter que estar conversando, dando multa direto. Nessa época, para captar dinheiro fazíamos cestas de jogadores. Pegávamos percentuais de jogadores da base e negociávamos com botafoguenses, com empresários, e eu era o assistente técnico para falar com os investidores. Colocaram o Jobson em uma esta dessas. Fiquei em uma sinuca de bico. Precisávamos do dinheiro, mas eu era uma pessoa técnica, que dava opinião técnica para os investidores, não podia mentir, tinha que falar a verdade. Me lembro que um cara do mercado veio falar que eu ganhei pontos com ele. Tinha uma pessoa do financeiro comigo, mas os investidores pediram para me deixar falar. Eu disse “é um grande jogador, tem qualidade muito grande, não é atleta, mas é completamente indisciplinado e difícil de ser controlado. Eu tenho medo de vocês colocarem o dinheiro de vocês e perderem todo o investimento porque ele fez alguma merda” – ressaltou André Silva.

Na última passagem, em 2015, Jobson estava bem, mas acabou punido novamente por doping, em um episódio conturbado.

– Pela primeira vez o Jobson estava limpo, ferraram ele no mundo árabe. Lá, você está bem, você é o rei, ganha presentes, ouro, carro, tudo. Você tem declínio técnico, a bola começa a não entrar, vem cobrança do sheik. E eles têm paciência muito curta, são imediatistas. Ele começou bem, fez gols, depois teve o declínio. Lá não tem drogas, bebida só na parte internacional, não tem mulher. Quem vai solteiro corta um dobrado. É muito bom para ganhar dinheiro enquanto você está bem e se tem família estruturada, porque só treina uma vez por dia, às 19h. O clube coloca um intérprete. O chefe do clube disse que não queria mais ele, que dava uma passagem de primeira classe e ele assinaria a rescisão como se tivesse recebido tudo. Não era o certo. Ligou para um advogado muito famoso, internacionalmente conhecido, que disse para não assinar, para depois ir na Fifa e receber. Mas tinha que cumprir todas as obrigações com o clube. Quando o chefe lá viu que ele estava orientado, tirou o intérprete do Jobson, tirou as coisas da casa cedida, troca a fechadura e joga tudo do Jobson na rua. O advogado consegue uma pessoa que fala português, o coloca no hotel e diz que vai tentar negociar com o clube. Lá o jogador tem que ir para o jogo, mesmo sem estar relacionado. No camarote, chegam dois médicos para fazer um exame de doping nele. O advogado disse “não faz, porque vai dar positivo”. Mas no futebol se recusar a fazer é o mesmo que dizer que está com droga. A decisão do tribunal árabe foi de que ele estava dopado, suspenderam, o advogado recorreu à Fifa, que manteve a decisão. A primeira vez que ele estava limpo, aqui no Rio, tentando jogar pelo Botafogo, embora o corpo já não ajudasse mais porque não era atleta, nunca foi, era jogador, tinha o dom. Não faltava a treinos, chegava atrasado. Fiquei com pena porque pela primeira vez tinha visto ele limpo de verdade. O maior problema dele não era droga, era bebida. Ele era alcoólatra. Quando bebia, algumas vezes usava droga, mas bebida era todo dia. Me preocupou, porque sabia que tinha cabeça muito pequena, o que poderia acontecer se não pudesse jogar. Aí aconteceu uma série de merdas na vida dele – completou André Silva.

Fonte: Redação FogãoNET e Glorioso Connection

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